Artigo de Reinaldo Cafeo sobre o Cadastro Positivo

Potencial econômico do Cadastro Positivo

Neste mês de julho começam a valer as novas regras do chamado Cadastro Positivo. Antes facultativo, agora compulsório, o banco de dados que será criado levando em conta o histórico de pagamentos dos consumidores tem enorme potencial econômico.

O Brasil está atrasado nesta modalidade e ao longo do tempo o foco foi concentrado no cadastro de negativados, ou seja, a concessão de crédito levava em conta quem não pagava em dia do que os pagavam pontualmente suas contas. Considerando que as informações sobre os pagamentos de contas serão fornecidas automaticamente para os denominados Birôs de Crédito, que já são quatro, será construída uma base de informações que permitirá a ampliação do crédito ao consumidor.

Os Birôs de Crédito fornecerão aos interessados em conceder crédito e vender a prazo um score (pontuação) de cada consumidor. A informação não será detalhada, mas sim uma pontuação indicando o nível de risco do consumidor. Observem que uma conta, somente uma conta atrasada e que levou a eventual negativação do devedor, poderá não mais ser inibidora na hora de conceder crédito ao consumidor. Afetará somente o score e cada agente econômico analisará se isso será ou não prejudicial ao negócio.

Afinal quais são as projeções para economia com esta mudança? Primeiramente a redução do banco de dados dos inadimplentes. A estimativa é que haja queda de 42% sobre o cadastro atualmente existente. Serão inseridos mais de 22 milhões de brasileiros no mercado de consumo. As classes mais beneficiadas serão as C,D e E, representando 60% do total. As projeções apontam para um incremento anual de 0,54% no Produto Interno Bruto via aumento do consumo. Isso significa uma injeção anual na economia brasileira de R$ 1,1 trilhão. Estamos falando, portanto, de aumento no emprego, renda e arrecadação tributária.

Haverá ainda redução na taxa de juros para os bons pagadores. Atualmente a inadimplência pesa um terço da taxa de juros praticada no mercado. A projeção é que seja no máximo 16%. Também haverá maior estímulo para entrada de novos players no mercado, ampliando a oferta de crédito.

Apesar de passar a valer a partir deste mês, o efeito não será imediato posto que o banco de dados terá que ser construído ao longo do tempo. A estimativa é que em 120 dias já haja reflexo no mercado. As vendas de Natal deste ano poderão ser beneficiadas com este novo olhar do perfil dos consumidores brasileiros. As denominadas ações microeconômicas, como esta, complementam as reformas macroeconômicas, melhorando o ambiente de negócios.

Se ainda a economia patina, as projeções são animadoras. Lamentamos a perda de um semestre no tocante ao desempenho da economia, contudo, quando existem mudanças estruturais em curso, para melhor, reacendem as expectativas positivas para economia brasileira.

Explore o potencial econômico do cadastro positivo.

Reinaldo Cafeo, economista, presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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