O ambiente microeconômico

Sem dúvida, o encaminhamento das questões macroeconômicas é fundamental para que o Brasil busque a sustentação do crescimento econômico de longo prazo. Neste contexto, as reformas estruturais darão o alicerce necessário para que isso ocorra. Manter a inflação controlada e baixa, retomar o crescimento econômico, gerar emprego e buscar a prática de justiça social, são metas permanentes.

Mesmo com as reformas macroeconômicas em andamento, é preciso criar um ambiente favorável para os negócios. Neste particular é preciso continuar implementando ações microeconômicas. O cadastro positivo, que poderá inserir no mercado de consumo mais de 22 milhões de brasileiros, gerando ao ano quase um trilhão de Reais ou o equivalente a 0,54% do PIB, é um primeiro e importante passo, mas é preciso mais.

A taxa de juros para o consumidor e para as empresas precisa cair. Para tanto se faz necessário avaliar criteriosamente os itens que compõem a taxa de juros na ponta. O raciocínio é simples: como é possível aceitar práticas de taxa de juros que atingem mais de 10% ao mês, quando a taxa de captação não passa 6,5% ao ano?

Algum componente do chamado custo Brasil tem impactado a formação da taxa de juros que eleva demasiadamente o custo dos empréstimos. O curioso é verificar que alguns bancos estrangeiros que atuam no Brasil oferecem crédito no exterior em patamares infinitamente inferiores aos praticados aqui. Também o setor imobiliário precisa de apoio. A queda recente da taxa de juros no financiamento da Caixa foi um alento, mas é pouco. O déficit habitacional é real e é público e notório que a construção civil é forte geradora de empregos.

Considerando o crescimento do empreendedorismo no Brasil, àqueles que optaram em atuar em seus próprios negócios precisam de condições mais favoráveis para continuar a empreender. Invariavelmente antecipam suas vendas e fazem isso com financiamentos caros, que comem parte de seu lucro. Também precisam alicerçar seus negócios com orientação técnica. Há importante trabalho das Entidades como Sebrae, mas é preciso ampliar a orientação técnica.

A constatação é que parte do governo, independentemente de quem esteja no comando, parece não compreender que as coisas acontecem na microeconomia. As dores dos empresários não são entendidas e quando precisam de ajuda, esta vem na direção errada.

O trabalhador brasileiro precisa de qualificação.

Vivemos o bônus demográfico, com mais pessoas em idade ativa do que inativa, mas sem qualificar esta mão de obra a produtividade não vem e o desperdício é certo. Isso sem falar dos 23% dos jovens que nem trabalham e nem estudam. Desesperança é o que torneia o universo destes jovens.

Enfim, é preciso ir além das medidas macroeconômicas e isso passa necessariamente pelo entendimento das demandas do dia a dia, tanto das empresas como da população economicamente ativa, e oferecer condições favoráveis para potencializar a geração de riqueza.

O ambiente microeconômico precisa de ações firmes, na direção certa.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.