Crise na Argentina serve de alerta

Crise na Argentina serve de Alerta

O peronismo novamente deu as caras na Argentina. As primárias do último domingo apontaram vitória, com folga, do opositor a Maurício Macri (atual presidente) o Alberto Fernández, que tem como candidata a vice-presidente, Cristina Kirchner.

Os mercados mais próximos a Argentina, incluindo o Brasil, entraram em pânico no dia seguinte ao resultado, refletindo o nervosismo e receio da volta de um governo populista ligado ao peronismo.

Na prática Macri perdeu a autoridade. A situação ficou crítica. Poucos apostam que ele consiga reverter a situação até as eleições oficiais deste ano.

No do ponto de vista econômico o peso argentino desvalorizou, o risco-país disparou para mais de 1.700 pontos, lembrando que o risco zero tem base 100, tendo inflação perto aos 50% ao ano, com desemprego e miséria em alta.

Macri não conseguiu apoio politico para implementar seu pensamento liberal. Empresário e empreendedor o atual presidente da Argentina é questionado e deu espaço para a esquerda crescer.

Mesmo que esse quadro mude até as eleições (como colocado, poucas chances) é certo que o ocorrido na Argentina serve de alerta ao governo Bolsonaro.

Aqui no Brasil foram 14 anos do governo do PT. Bolsonaro foi eleito exatamente porque conseguiu se colocar como alternativa a esquerda. A eleição foi marcada pelo “nós e eles” ou mais popularmente pela “Fla x Flu”.

O alerta é: caso Bolsonaro erre a mão na condução do País, principalmente nas questões econômicas, ali na frente, pagará um preço elevado e a população tenderá a rever sua posição, abrindo espaço para a oposição ao governo atual crescer.

É imperativo que as reformas avancem. É imperativo que a economia volte a crescer. É imperativo que a inflação seja mantida baixa e controlada. É imperativo que o emprego volte. É imperativo que reduzamos a miséria. É imperativo criar e manter um ambiente de negócios favorável. Somente assim a economia brasileira se sustentará. Não é possível que não tenhamos maturidade econômica suficiente para evitar que uma projeção de mudança ideológica de um País vizinho abale os indicadores econômicos locais.

Mais do que discursar contra ao avanço do peronismo na Argentina o presidente Bolsonaro deve canalizar esforços e energia para que o Brasil dê um salto econômico ao ponto de tornar-se menos vulnerável as crises internacionais.

Que o ocorrido na Argente sirva de alerta ao presidente Bolsonaro: foco nas reformas e na sustentação econômica.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB. 

A importância da taxa básica de juros na economia

O Banco Central brasileiro optou por rebaixar a taxa de juros na última reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom. A taxa que era de 6,5% ao ano caiu para 6,0% ao ano. Afinal qual a importância da taxa básica de juros na economia?

A taxa básica, conhecida como Selic é a referência para a formação das demais taxas de juros no mercado. Os investidores (bancos, pessoas físicas, empresas, etc.) podem adquirir títulos públicos tendo como remuneração anual a taxa Selic. Assim uma Instituição Financeira na pior das hipóteses poderá investir, em níveis atuais, em títulos que rendem os 6% ao ano. Foi, portanto, estabelecida uma referência: 6% ao ano. Para captar recursos junto ao público a tendência é que remunerem o investidor em menos de 6% ao ano. Já na hora de emprestar recursos, desejarão mais do que este patamar.

Caso a taxa básica fosse de 40% ao ano, este seria o referencial. A captação seria pouco menos do que os 40% e para quem buscasse recursos emprestados pagaria mais do que este patamar.

Para definir o nível de juros básico é preciso considerar algumas variáveis, sendo as principais o índice de inflação e taxa de crescimento da economia.

A inflação é um importante indicador à medida que esta, uma vez controlada em níveis baixos, eventual redução da taxa de juros não afetará os preços da economia (o aumento da demanda não provocará aumento de preços). Também inflação baixa permite ganho real, isto é, acima da inflação, mesmo com juros nominais (juros praticados nas aplicações) mais baixos. Como a taxa de inflação no Brasil está abaixo dos 4% ao ano, abriu espaço para promover queda na taxa básica de juros (e ainda tem espaço para novas reduções).

O nível de crescimento economia é outro indicador importante. Com baixas vendas a economia patina e provoca desemprego. Juros menores desestimulam os poupadores e estimulam aqueles que querem antecipar compras e não possuem recursos. A variável consumo pode ajudar na retomada do crescimento da economia.

Resumindo: a inflação está controlada e o nível de atividade econômica está baixo, assim, reduzir a taxa de juros vai ao encontro de estimular o mercado consumidor e com isso ajudar a roda da economia girar. Esta queda, somada a liberação de recursos do depósito compulsório, mais os recursos tanto do FGTS como do PIS/PASEP, o cadastro positivo e ainda o andamento das reformas estruturantes, podem permitir a retomada do crescimento econômico.

Os juros exercem papel fundamental na economia.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB. 

BAURU: OS NÚMEROS QUE FALAM POR SI

No aniversário de 123 anos de Bauru seria possível retratá-la nas diversas dimensões, mas optei por mostrar o potencial local e seu significado no ponto de vista econômico.

A região administrativa de Bauru abrange 39 municípios. Todos juntos representam, segundo a Fundação Seade, R$ 41 bilhões de geração de riqueza, portanto o seu Produto Interno Bruto (PIB) regional.

O PIB de Bauru equivale a 32% de sua região administrativa, totalizando R$ 13 bilhões. Enquanto a matriz econômica regional aponta para 5% no setor primário, 32% no setor secundário e 63% no setor terciário, Bauru possui 0,3%, 20% e 79,7%, respectivamente. Bauru pode ser considerada cidade urbana.

Sua renda é desconcentrada. O índice de Gini aponta para 0,43, sendo inferior ao índice do Brasil que é 0,54. Lembrando que este índice indica que, quanto mais próximo de 1 a renda é mais concentrada, mais perto de zero, menos concentrada. Quem dá o tom local são as classes C,D e E tendo 59% da população com remuneração mensal entre R$ 300 e R$ 2.200. Já as classes B1 e B2 com renda mensal entre R$ 2.200 e R$ 6.600 representam 34% da renda, ficando a classe A, que possui renda acima de R$ 6.600 mensal com 7%.

O IDHM – Índice de Desenvolvimento Humano Municipal é considerado elevado, aingindo 0,801. Lembrando que este indicador é uma média da renda per capital (R$ 37 mil anual), tempo de escolaridade e expectativa de vida ao nascer, portanto, indica qualidade de vida.

Bauru possui mais de 16,5 mil empresas. Destas 7.800 (47%) são comerciais; 132 (1%) agropecuárias; 1.208 (7%) industriais e 7.442 (45%) atuam na área de serviços.

Com produção diversificada bauru produz suínos, equinos, avocado, abacaxi, batata doce, bovinos, metal mecânica, baterias automotivas e para motos, produtos gráficos, cadernos e agendas, massas frescas e congeladas, potes plásticos, robôs, equipamentos para padarias, atuando ainda na recuperação de crédito, educação, serviços de saúde, setor contábil, entre outros.

Com quase 380 mil habitantes, tendo dois shoppings centers consolidados, inúmeras galerias e comércio a céu aberto com atrativos regionais, tanto na área central, como zona sul e bairros periféricos, como Mary Dota, possuindo investimentos importantes da rede hoteleira e em um parque industrial privado, Bauru se apresenta como porta de entrada para o capital produtivo no chamado aquém Tietê.

É fato que os anos de 1990 retardaram seu crescimento e desenvolvimento. A combinação do desmonte do Estado, com as privatizações e a instabilidade política fez com que a geração de riqueza crescesse de forma lenta. Da virada dos anos 2.000 até a cidade recuperou sua autoestima e parte do tempo perdido.

Não obstante todo este potencial há inúmeros desafios. Alguns projetos como a Estação de Tratamento de Esgoto representam verdadeiras travas a melhoria do saneamento básico. O aeroporto regional não disse a que veio e a cidade ainda não encontrou sua verdadeira vocação.

Há esperança no ar. A criação do CODESE – Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Bauru, tendo como iniciativa o sociedade civil organizada, ajudará a planejar a cidade para o futuro. Em breve saberemos os desafios e serão apontados os caminhos para a sustentar o crescimento da cidade. Também as soluções devem ser pensadas regionalmente, outro desafio.

Há enormes desafios, mesmo assim os números da cidade falam por si, sem contar o que nos enche de orgulho: o cidadão bauruense, nascido aqui ou que adotou a cidade para chamar de sua, que é trabalhador, batalhador, acolhedor e alguém que faz a diferença. Há os que focam o lado vazio do copo no tocante a percepção do que representa Bauru, contudo, apesar de todos os desafios e o muito a fazer, esta cidade é e deve ser nossa paixão.

Com muito orgulho de ser bauruense, é momento de parabenizar Bauru pela sua gente e pelo que representa!

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.