Cafeo Nada mole vida

Minha nada mole vida

Este título é de uma obra de Fernanda Young, que nos deixou prematuramente, criada em 2006, tendo o ator Luiz Fernando Guimarães como protagonista de uma comédia familiar. A série retratava a vida nada mole de um jornalista, principalmente, ao ter que lidar com seu filho.

Pensei neste gancho para retratar a vida de quem quer empreender neste País. Não é mole não. O ambiente de negócios, além de extremamente dinâmico e instável, ainda dificulta a implementação de ações de longa duração.

Observemos os indicadores econômicos. Dois anos de recessão (2016 e 2017). Um ano de baixo crescimento em 2018. Eleições, novo Presidente, nova equipe econômica, projeção da retomada do crescimento econômico. Empresas e seus colaboradores projetando crescimento para este ano na ordem de 2,5%. Isso em termos nominais, ou seja, sem descontar a inflação, chegaria a 6,5% de crescimento.

O tempo passa, as amarras políticas emperram avanços mais firmes das reformas estruturais, o ambiente de negócios se deteriora. Foram somente três de meses de lua de mel e, semana a semana, o crescimento da economia foi revisto para baixo. Perdemos um semestre. Se muito cresceremos 0,8% este ano.

Os empreendedores reúnem equipes, reveem as metas, buscam recursos de terceiros, aumentam o endividamento, sempre apostando que mais cedo ou mais tarde as coisas mudarão, para melhor. Passa a reforma da previdência na Câmara dos Deputados e a leitura é que agora a coisa vai. Novo lampejo de vendas. Chama a equipe, vamos rever as estratégias, vamos nos preparar porque a coisa agora vai. Curta duração. Números novamente revistos para baixo.

Para dificultar ainda mais, além dos problemas internos, tanto na área econômica como nos costumes vem à constatação que o mundo não crescerá tanto. Fala-se até em recessão. Junte-se a isso a interminável novela do acordo comercial entre China e Estados Unidos, pronto, desvio de foco e as coisas demoram ainda mais para acontecer.

Isso tudo sem falar das “caneladas” do governo Bolsonaro e do próprio Presidente em particular, envolvendo o meio ambiente, tendo ainda que contornar os problemas do vazamento de diálogos dos operadores da lava jato e denúncias ligando o Presidente da Câmara Rodrigo Maia à corrupção.

Haja estomago! O que fazer então? Jogamos a toalha? Não! Esmorecer jamais. O ambiente de negócios tem tudo para melhorar. O texto da reforma da previdência no senado federal está bem encaminhado. Tivemos a aprovação da medida provisória da Liberdade Econômica. Os juros caíram. Linhas de financiamento imobiliário estão sendo oferecidas. Os recursos do FGTS irão movimentar a economia, isso vale também para o PIS/PASEP. O cadastro positivo em breve será realidade prática, enfim, há bons indicativos tanto macro como microeconômicos.

Continue reunindo a equipe. Mude estratégias, mas não perca o foco. Faça mais com menos e acima de tudo esteja preparado para colher bons frutos. É questão de tempo.

Sem dúvida a vida dos agentes econômicos não é nada mole, mas quem opera neste mercado aqui no Brasil já está calejado, portanto, mantenha o otimismo realista!

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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