Juros | Opinião de Reinaldo Cafeo

Juros em queda: foco no lado real da economia

O atual governo, em especial o Banco Central brasileiro, tem introduzido na economia brasileira uma política monetária mais frouxa.

Tendo como pano de fundo o controle efetivo da inflação os juros nominais estão em queda livre. Em novembro de 2016, portanto, há três anos a taxa básica era de 14% ao ano. Atualmente é de 5% ao ano, com projeção de queda para 4,5% ao ano.

Além da queda na taxa nominal, observa-se queda na taxa real de juros. A taxa de juros acima da inflação que já foi superior a 3,5% ao ano, aponta para algo próximo a 1% ao ano.

Este movimento nos juros tem forçado a mudança de comportamento dos investidores. Aplicar na caderneta de poupança que rende atualmente 0,29% ao mês não cobrirá sequer a inflação. As demais aplicações em renda fixa, as mais conservadoras, renderão 0,40% ao mês, quando muito 0,48% ao mês, sendo que na maioria destas aplicações haverá a incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital. Isso tudo indica que para obter maiores ganhos, o investidor terá que correr algum risco.

Entre arriscar em ações e outros opções de renda variável, muitos investidores passaram a considerar o lado real da economia como alternativa para rentabilizar mais seu dinheiro.

De um lado cresce o apetite por imóveis. Obter 0,5% de rendimento ao mês em aluguel de imóvel passou a ser atrativo. Se este rendimento for acompanhado da valorização do imóvel, haverá uma combinação perfeita.

Além dos imóveis, muitos investidores analisam investir em empresas. Neste caso, preferem as franquias, posto que estas tendem a indicar menos risco ao capital investido, afinal, o empreendedor pagará pelo know how do franqueador. Uma boa franquia vem acompanhada de um plano de negócios, com definição clara da estrutura administrativa, financeira, jurídica, contábil, de processos, de suprimentos e de vendas. Tanto o prazo de retorno como a taxa de retorno são indicadores prévios que permitem avaliar o nível de risco assumido.

Esta mudança de comportamento dos investidores é muito positiva para o País. Os ganhos financeiros, no lado monetário da economia, sempre foram privilegiados no Brasil. O lado real da economia, por apresentar maiores riscos, foi priorizado por poucos empreendedores.

Como o Brasil está em reconstrução há ainda muito a fazer, principalmente no tocante a sustentação do crescimento econômico e na segurança jurídica, mas não há dúvida que o olhar dos investidores já não é o mesmo, ou seja, ganhos nos mercados financeiro e de capitais, e os projetos dos empreendedores, podem sair do papel.

O desejo é que, o movimento que vem ocorrendo agora seja mais do que uma alternativa ao mercado financeiro, seja uma tendência de longa duração.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB

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