Economia: artigo de Reinaldo Cafeo

Economia: a floresta e suas árvores

Um dos grandes desafios de quem analisa a conjuntura econômica brasileira é se fazer entender no tocante aos números do desempenho econômico.

Tomemos como exemplo o momento econômico brasileiro. Inflação baixa e controlada; taxa de juros no menor patamar histórico; Produto Interno Bruto apresentando crescimento; desemprego em queda; confiança tanto do empresário como do consumidor em alta.

Tudo isso não seriam motivos suficientes para que todos tirassem proveito deste bom ambiente econômico? A resposta é: depende.

A inflação está baixa, mas alguns produtos que compõem o índice apresentam expressiva elevação de preços. Certamente os consumidores que consomem carne estão duvidando da baixa inflação. Isso vale também para quem precisa abastecer seu veículo, os combustíveis estão com preços majorados.

Considerando que a inflação é uma média ponderada de preços, e que envolve praticamente tudo que consumimos, o fato de alguns preços não subirem e até terem queda, fazem com que o resultado seja menor do que as altas isoladas de alguns produtos.

O mesmo raciocínio vale para o desempenho da economia. Quem ainda está desempregado, quem tem pouca qualificação profissional, enfim, normalmente os mais pobres, demoram a usufruir do bom momento da economia.

Para estes, as coisas continuam ruins. Já os operadores do mercado imobiliário, os que trabalham em áreas cujas vendas estão bem acima do normal, comemoram esta nova fase da economia.

Quem viajou para exterior certamente sentiu na pele a alta do dólar (agora houve uma trégua), mas quem não tirou os pés do Brasil talvez nem saiba qual é a cotação atual da moeda estrangeira.

Juros em queda afetam os investidores. Já para quem precisa de crédito, não sentiu tanto este impacto. Quem por exemplo, usa o rotativo do cartão crédito teve pouco alívio. Já empresas com bom balanço captam atualmente recursos no mercado a uma taxa de juros bastante convidativa.

Em resumo: o desempenho econômico não atinge a todos linearmente. Alguns sentem o reflexo positivo quase que imediatamente, outros terão que esperar longos meses para que isso ocorra.

Isso tudo não invalida a análise econômica, à medida que o desempenho macroeconômico, dos agregados econômicos, pode ser bom, já alguns setores da economia e empresas individualmente, ou seja, o desempenho microeconômico, nem sempre será positivo. Em outras palavras: as vezes a floresta (a macroeconomia) pode ser vistosa, mas algumas árvores (a microeconomia) podem estar doentes.

E é desta maneira que devemos entender a conjuntura econômica: nem todos colherão os mesmos frutos e tampouco na mesma quantidade, por isso, cuidado com as análises superficiais e voltas somente para o seu ambiente de negócios.

Vale ampliar o seu campo de visão para entender essas dimensões da economia brasileira.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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