Reinaldo Cafeo fala sobre a recuperação da economia do Brasil em 2020

ACIB projeta 2020 com recuperação da economia e otimismo dos empresários

A Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB – através do seu presidente, o economista Reinaldo Cafeo, está prevendo um 2020 com recuperação da economia nacional e muito otimismo por parte dos empresários.

Segundo Cafeo, ao analisar os indicadores econômicos, detectou se que o último trimestre contou com indicadores positivos, estabelecendo uma linha de tendência em crescimento e um ambiente de negócios favorável.

“Quando avaliamos a matriz macroeconômica pelo lado da demanda, fica mais fácil entender o que pode acontecer com a economia brasileira em 2020”, afirma Cafeo.

De acordo com o presidente da ACIB, esta matriz leva em conta a somatória do consumo, dos investimentos, dos gastos do governo e as exportações subtraindo as importações (o saldo da balança comercial).

“O consumo é movido por duas variáveis: renda e crédito. Aos poucos o emprego vem voltando, mas ainda são milhões de brasileiros desempregados. Porém, a queda na taxa de juros têm ofertado mais crédito e neste caso há dois efeitos no comportamento dos consumidores: o primeiro deles é a menor atratividade na aplicação financeira, e portanto, as pessoas com excedentes financeiros podem optar por consumir; o segundo, são os consumidores que precisam de crédito, uma vez que a taxa de juros é menor, podem antecipar as compras via crediário, adquirindo bens duráveis”, explica o economista.

Segundo Cafeo, a variável “consumo” deve ser muito importante, pois ela representa dois terços de influência no PIB. Além disso, os investimentos produtivos também estão voltando.

“Os últimos números de 2019 foram muito positivos e esse olhar fora do mercado financeiro também vai ser importante para isso. O que vem acontecendo? Há menos remuneração nas aplicações financeiras conservadoras, então investir em imóveis é boa opção, tanto que o crescimento da construção civil pode chegar a 3% ano que vem”, diz Cafeo.

Outra opção, de acordo com o presidente da ACIB é aplicar recursos no setor produtivo, em empresas, ampliar planta física, adquirir equipamentos e até abrir franquias, o que torna possível uma retomada da economia também através da variável “investimento”.

“Quanto aos gastos do governo, a expectativa é menor, à medida que o governo vai continuar tentando segurar os gastos públicos. Já as exportações não estão no volume que o País necessita, e ainda Brasil possui pauta de exportação fraca, porque é muito centrada em commodities, e mesmo com o acordo comercial entre China e Estados Unidos, é possível projetar saldo comercial positivo”, afirma Cafeo.

Recuperação da economia tem 3 pilares 

Em resumo, o economista explica que serão três grandes variáveis puxando a recuperação da economia no ano que vem: o consumo das famílias, os investimentos produtivos, e o saldo líquido da balança comercial.

“Com isso é possível um crescimento na ordem de 2,2% a 2,5% acima da inflação, ou seja, crescimento real. O crescimento nominal (sem descontar a inflação projetada para 2020) será próximo de 6% para o ano que vem. O indicativo que este crescimento projetado seja sustentado, notadamente porque há outros importantes indicadores que estão controlados, como por exemplo, a inflação. Isso sem contar o ajuste fiscal em curso”, diz.

O presidente da ACIB ressalta que, para consolidar toda essa projeção de recuperação da economia, o País não pode enfrentar nenhum revés e pelo menos duas reformas têm que ser iniciadas no próximo ano: a reforma administrativa, tornando o Estado um pouco mais leve, mais enxuto, e a reforma tributária, para que efetivamente o Brasil saia dessa complexidade que é o sistema tributário.

“Enfim, 2020 será um ano de recuperação e é possível ser otimista quanto desempenho econômico. Vale destacar que o País está distante de recuperar todo o tempo perdido, mas será um ano positivo, projetando crescimento econômico em praticamente o dobro do desempenho econômico de 2019”, finaliza.

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