Desempenho econômico de 2020

Projetando o desempenho econômico de 2020

Passadas as festas de fim de ano é hora de projetar o possível desempenho da economia brasileira para 2020. Para estabelecer bases para as projeções vamos avaliar o que nos espera utilizando a matriz macroeconômicas, neste caso, analisaremos o Produto Interno Bruto pelo lado da demanda.

Antes das projeções, vale considerar que os dados mais recentes no tocante à performance da economia brasileira são positivos, e os vários indicadores macroeconômicos alicerçam projeções mais otimistas para 2020.

Entre os bons indicadores destacamos: a inflação controlada, os juros baixos, o efeito fiscal da Reforma da Previdência, as medidas de liberdade econômica, a geração de emprego, entre outros. Isso tudo criou o que podemos denominar de um bom ambiente de negócios.

Vamos as projeções. Quando avaliamos a matriz macroeconômica pelo lado da demanda, ela leva em conta a somatória do consumo das famílias, dos investimentos produtivos, dos gastos do governo, e ainda o volume de exportações subtraindo deste volume as importações (o saldo da balança comercial).

O consumo das famílias é movido por duas variáveis: renda e crédito. Aos poucos o emprego vem voltando, mas ainda são milhões de brasileiros desempregados. Porém, a queda na taxa de juros têm impactado o comportamento dos consumidores em dois aspectos: o primeiro deles é a menor atratividade na aplicação financeira conservadoras e, portanto, as pessoas com excedentes financeiros podem optar por consumir, o segundo aspecto são os consumidores que, não possuindo excedentes financeiros, demandam crédito e, uma vez que a taxa de juros é menor, podem antecipar as compras via crediário, notadamente adquirindo bens duráveis.

Então a variável consumo deve ser muito importante para gerar crescimento da economia, sendo que esta variável representa dois terços do PIB. Os investimentos produtivos também estão voltando. Os últimos números de 2019 foram muito positivos e esse olhar fora do mercado financeiro também vai ser importante para isso.

O que vem acontecendo?

Com menor remuneração das aplicações financeiras conservadoras, a opção por investir em imóveis passou a ser atrativa, tanto que o crescimento do setor da construção civil pode chegar a 3% ano que vem. Abre-se espaço também para os recursos disponíveis sejam canalizados para o setor produtivo, investindo em empresas, na ampliação da planta física, na aquisição de equipamentos e até na busca por franquias.

Então é possível que nós tenhamos uma retomada da economia também via variável investimento. Quanto aos “gastos do governo” a expectativa é menor, à medida que o governo vai continuar tentando segurar os gastos públicos. Já as exportações não estão no volume que o País necessita, e ainda Brasil possui pauta de exportação fraca, porque é muito centrada em commodities, e mesmo com o acordo comercial entre China e Estados Unidos, é possível projetar saldo comercial positivo.  

Em resumo: serão três grandes variáveis puxando o crescimento no ano que vem – o consumo das famílias, os investimentos produtivos, e o saldo líquido da balança comercial. Com isso é possível um crescimento na ordem de 2,2% a 2,5% acima da inflação, ou seja, crescimento real. O crescimento nominal (sem descontar a inflação projetada para 2020) será próximo de 6% para o ano que vem.  

Evidentemente que para consolidar estas projeções e obter o alicerce necessário para sustentar o crescimento e o País não enfrentar nenhum revés, pelo menos duas reformas têm que ser iniciadas no próximo ano: a reforma administrativa, tornando o Estado um pouco mais leve, mais enxuto, e a reforma tributária, para que efetivamente o Brasil saia dessa complexidade que é o sistema tributário. Isso sem contar que ocorram menos pressões internacionais.

Enfim, 2020 será um ano de recuperação e é possível ser otimista quanto desempenho econômico. Vale destacar que o País está distante de recuperar todo o tempo perdido, mas será um ano positivo, projetando crescimento econômico em praticamente o dobro do desempenho econômico de 2019.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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