Reformas: não podemos cometer os mesmos erros do passado

Reformas: não podemos cometer os mesmos erros do passado

Foi em 1994, mas quem acompanha o histórico do pensamento econômico brasileiro sabe que o Plano Real para ter sucesso, e teve mesmo que parcialmente, foi alicerçado em três grandes pilares: o ajuste fiscal, a desindexação da economia e as reformas estruturais.

O Fundo Social de Emergência garantiu, à época, os recursos necessários para que o País observasse superávit primário (receitas menos despesas sem computar o pagamento de juros), portanto, foi na linha do ajuste fiscal. Mesmo sendo parcial, sustentou o plano naquela oportunidade.

Com a URV (Unidade Real de Valor) foi atacada a inércia da inflação, e dentro de uma engenharia muito bem pensada, o País realizou a transição de moeda, acabando com a indexação dos preços e salários, chegando na moeda o Real. A inflação efetivamente caiu e ficou comportada de lá para cá, com um outro repique, mas está controlada.

O que ficou para trás? As chamadas reformas estruturais. Estas mesmas que neste momento voltaram à tona, que por sinal, nunca saíram da pauta. Uma primeira e importante reforma já foi aprovada, a previdenciária, mas isso é pouco. Para este ano duas outras reformas são necessárias: as reformas tributária e administrativa.

Não será tarefa fácil levá-las em frente posto que este ano é o País terá eleições municipais e que parte dos congressistas canalizará energia nesta direção. Além disso, são reformas polêmicas, sendo que o próprio governo ainda não deixou claro que deseja.

Mesmo que a realidade seja esta, o governo Bolsonaro não pode cair na tentação de adiar o enfrentamento destes temas. Vale rememorar que o próprio ex-Presidente Fernando Henrique em seu primeiro mandato, perdeu o foco nas reformas quando trabalhou para alterar a Constituição Federal, e conseguiu, no sentido de permitir a reeleição (o que era proibido pela Constituição).

O que está em jogo é sustentação do crescimento econômico brasileiro. Sem um Estado enxuto, eficiente e produtivo, com controle fiscal rigoroso, e ainda com leveza no trato dos tributos para a sociedade e setor produtivo, não haverá esta sustentação. Temos que parar de oscilar o crescimento econômico porque somos incapazes de fornecer a base para que o crescimento seja de longo prazo.

Fica o alerta sobre as reformas estruturais: não podemos cometer os mesmos erros do passado. Foco nelas!

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Você pode não gostar do piloto, mas o avião é bom

Você pode não gostar do piloto, mas o avião é bom

Analisando o ambiente econômico brasileiro e as variáveis macroeconômicas, é possível concluir que o Brasil manterá o crescimento econômico, podendo atingir este ano o dobro do desempenho do ano passado.

Evidentemente que o olhar macroeconômico é geral, como se fosse uma floresta. Nem sempre uma floresta tem somente árvores sadias e por mais exuberante que pareça, nem todos que usufruem da riqueza desta floresta terá os mesmos resultados.

Os agentes econômicos não apuram resultados de maneira uniforme. Um setor pode obter desempenho melhor do que outro e isso não depende de o País estar ou não patinando, é a realidade de quem empreende.

Isso posto, considerando que há muitos críticos em relação a postura e forma de governar do Presidente da República Jair Bolsonaro, o que é possível dizer a estes que possuem esta visão crítica é: você pode não gostar do piloto, mas o avião é bom.

Muitos até falam que não é porque não gosta do piloto que deve desejar que o avião caia. Na prática penso que acima de preferência partidárias e até de ideologias, exceto os que querem o pior para se aproveitarem da miséria alheia, há consenso que se o Pais observar crescimento econômico, tendo controle inflacionário, com responsabilidade fiscal, dentro de um ambiente de negócios favorável, o grosso da população será favorecida.

Ainda não temos os dados consolidados do fechamento do desempenho econômico do ano passado. Temos dados setoriais e a realidade é semelhante a descrita acima: alguns setores da economia foram bem, outros nem tanto, como foi o caso do setor industrial, mesmo ocorrendo distorções, a economia brasileira dá sinais claros que o modelo econômico adotado pelo Ministro Paulo Guedes, com aval do Presidente Bolsonaro, está na direção correta.

Os empresários estão confiantes. O emprego começa a voltar. Os juros estão em queda. Os consumidores começaram a tirar o pé do freio, e desconsiderando influências externas, a mais recente envolvendo o coronavirus (não se sabe o quanto isso mexerá no desempenho da economia mundial), não há porque não acreditar que a economia voltará a crescer.

Isso não quer dizer, insisto, que será uniforme, e tampouco que conseguiremos recuperar o tempo perdido, mas simplesmente negar que algo positivo está no ar, somente porque não tem afeição a quem comanda o País, é praticar um individualismo condenável.

Sabemos que a economia é dinâmica, como colocado, há variáveis incontroláveis que podem sim retardar o crescimento mais vigoroso da economia, mas deixar de realizar uma leitura positiva do ambiente econômico, é viver fora da realidade.

Não precisa gostar do piloto, mas o avião é bom e não torça para que ele caia. A economia indo bem, todos ganhamos.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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