Ambiente econômico: Temer 2?

Ambiente econômico: Temer 2?

O dia 17 de maio de 2017 ficou conhecido na história brasileira como “Joesley Day”. Nesta data o impacto na Bolsa de Valores brasileira foi marcante. A notícia de um áudio gravado pelo Joesley Batista, um dos acionistas da companhia JBS, atingiu em direto o então Presidente Michel Temer.

O áudio apontaria para o aval de Temer para compra do silêncio do deputado Eduardo Cunha que, na época, estava preso acusado de integrar a lista de acusados da operação Lava Jato. A gravação faria parte da deleção premiada que permitiria a redução de pena do empresário.

Na daquele dia a Bolsa brasileira caiu 12% com inúmeras interrupções no pregão. O dólar subiu mais de 10% no dia seguinte.

Por que rememorar esta data? É que o Brasil caminhava para recuperação econômica. Depois da desastrosa gestão de Dilma Rousseff, que levou o País a dois anos de recessão, a economia dava sinais de mais vigor, tendo como maestro o Ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Aprovação do teto de gastos e a Reforma da Previdência quase aprovada pelo Congresso indicavam recuperação na confiança dos investidores.

Com a denúncia havia possibilidade de impeachment de Michel Temer, fazendo com que o foco da condução dos rumos do País mudasse completamente. Foi o chamado “salve-se quem puder’, em outras palavras, Temer ajustou a máquina Federal para sua sobrevivência política, abrindo mão por completo, principalmente das Reformas Estruturantes.

Quais as semelhanças daquele episódio com a situação atual do Presidente Jair Bolsonaro? Busca de sustentação política no Congresso Nacional. O Centrão, sempre ele, fez parte da salvação de Temer, e o atual Presidente da República segue o mesmo caminho.

Estão na pauta inquéritos, como o caso Queiroz que se aproxima do filho de Bolsonaro, o Flávio.  Denúncias do ex-Ministro Sérgio Moro, de possível intervenção ilegal na Política Federal, bravatas de Ministros de Estado, entre outras questões, tem gerado animosidade entre os Poderes constituídos.

Há no horizonte inúmeros pedidos de Impedimento do atual Presidente, cuja aceitação   depende da vontade política do Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Na dúvida, é melhor alicerçar uma base política que afaste qualquer ameaça nesta linha.

Obter sustentação política faz parte do jogo de poder, principalmente quando a intenção é aprovar reformas, mas Bolsonaro mudou seu discurso de campanha que apontava por um novo jeito de fazer política, e agora aposta mais em sua sobrevivência política do que na aprovação das Reformas Estruturais que sustentariam o crescimento econômico brasileiro.

A pergunta que não quer calar: os eventos políticos, a necessidade de ter uma base aliada forte para evitar o pior em seu mandato seguirá o mesmo caminho trilhado por Michel Temer após o Joesley Day? O governo federal abrirá mão das reformas priorizando as questões políticas? Teremos um Michel Temer 2?

Sinceramente, espero que a resposta seja não! Se antes da pandemia já seria fundamental não perdemos a chance de dar uma virada na economia brasileira, agora isso se faz ainda mais necessário. A esperança de que as reformas serão retomadas ainda este ano vem da postura do atual Ministro da Economia, Paulo Guedes. É pouco, mas é preciso manter a esperança.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

🌐 www.reinaldocafeo.com.br

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