Retomada da economia: foco na política fiscal

Retomada da economia: foco na política fiscal

Pelos recentes números do desempenho econômico brasileiro é possível concluir que o efeito mais agudo da pandemia na atividade econômica brasileira ficou para trás.

O tombo de 5,9% no Produto Interno Bruto brasileiro na comparação entre o primeiro semestre deste ano com idêntico período do ano passado, puxado principalmente pela queda de 9,7% no PIB do segundo trimestre, não se repetirá no segundo semestre.

Mesmo com esta constatação, o ano do ponto de vista econômico está perdido. Fecharemos 2020 com queda expressiva na geração de riqueza, retrocedendo cerca de 10 anos. Como a população continuou crescendo neste período, infelizmente, na média, estamos mais pobres.

Voltemos ao bom desempenho recente da economia. O que explica a retomada das atividades econômicas? Parte da melhoria das vendas tem explicação na ampliação do consumo das famílias.

Mesmo com a queda no nível de emprego e achatamento de renda do trabalhador, o auxílio emergencial de R$ 600,00 por pessoa e para algumas famílias, dependendo do arranjo, este valor foi concedido a dois e até membros do núcleo familiar, fez como que o consumo dos produtos básicos alimentícios, passando por material de construção e até mesmo eletroeletrônicos, crescessem.

Outra justificativa vem dos baixos preços de produtos supérfluos, atendendo a demanda reprimida no período.

Sendo verdadeira esta leitura, é fato que este movimento dos consumidores tem prazo de validade. Tanto a demanda reprimida como o auxílio emergencial perderão força daqui para frente. A primeira porque não é renovada, a segundo porque o valor caiu pela metade e não será permanente.

Assim podemos concluir que há um certo “artificialismo” na geração de riqueza. Quando avaliamos a sustentação do crescimento no longo prazo, fica mais que comprovado que a questão está ligada a confiança dos agentes econômicos. A economia gera riqueza com a volta dos investimentos produtivos. Estes investimentos serão aportados quando o risco for baixo.

Para isso é preciso um ambiente econômico favorável. Os investimentos geram emprego, que movimentam o consumo das famílias via produção e não simplesmente pela transferência de renda promovida pelo setor público.

Os efeitos da política monetária já se esgotaram e juros baixos atingirão mais fortemente setores de bens duráveis e imobiliário. Resta somente focar na política fiscal. É a austeridade fiscal que garantirá a retomada da confiança na economia brasileira.

Por este motivo é imprescindível que os gastos públicos sejam controlados com mão firme reduzindo o déficit público, estabilizando a relação Dívida Pública e Produto Interno Bruto.

Já seria um bom início se o governo Federal tivesse prática uniforme: o desgaste diário do Presidente Bolsonaro com a equipe econômica de Paulo Guedes tira o foco, não nos remete a um caminho seguro.

Ainda há esperança no ar, afinal, mesmo com artificialismo econômico, está mais que comprovado que potencial econômico brasileiro é enorme, e se o governo focar no que é necessário, poderemos não somente driblar a crise como alicerçar o modelo econômico que nos leve a um porto seguro.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

🌐 www.reinaldocafeo.com.br

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