A dívida pública brasileira

A dívida pública brasileira

A dívida pública federal brasileira atingiu R$ 4,5 trilhões no mês de setembro: alta de 2,59% se comparada a agosto deste ano. Os dados são do Tesouro Nacional. Vale destacar que devido ao aumento dos gastos para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus as emissões de títulos públicos continuam elevadas, com colocação acima da média histórica.

Em 2019 o total emitido foi de R$ 759,3 bilhões e em nove meses deste ano este valor já foi ultrapassado, atingindo R$ 798,3 bilhões. A dívida externa subiu 3,21%, atingindo US$ 245,8 bilhões. Neste caso há o efeito da desvalorização do Real frente ao Dólar.

Em ano atípico se o País efetivamente pretende resgatar a confiança dos agentes econômicos, terá que ser firme no tocante a austeridade fiscal.

O déficit primário, ou seja, receita menos despesas sem computar os juros da dívida pública, deve atingir R$ 850 bilhões este ano, praticamente toda a economia prevista em 10 anos com a reforma da previdência.

O governo federal e a equipe econômica em particular não podem permitir a explosão da relação dívida pública bruta com o Produto Interno Bruto, que pode atingir os 100% este ano, diante de uma previsão inicial, sem pandemia, abaixo dos 80%. Em uma linguagem mais simples é como se uma família ficasse cada vez mais endividada no comparativo a sua renda anual.

Em determinado momento o crédito desta família será suspenso devido à incerteza de que ela terá capacidade financeira para honrar a dívida assumida. É isso que está em jogo: confiar que o governo será capaz de honrar a dívida contraída. Para tanto é fundamental manter e cumprir o teto de gastos e ainda reduzir de maneira expressiva os déficits fiscais para os próximos anos.

Com ações na direção da austeridade fiscal o governo gerará confiança dos agentes econômicos. Confiança na gestão pública é o um dos principais fatores para que o setor privado invista em novas plantas, ampliando a oferta de bens e serviços, gerando emprego e renda. Em resumo: um Estado rigoroso com as contas públicas estimula o crescimento econômico, e mais que isso, ele se sustentará ao longo do tempo.

Somente governos fracos e populistas é que desconsideram os fundamentos econômicos e não controlam seus gastos. Não há mais espaço para este tipo de aventura.

Os números do endividamento público estão aí não como somente estatísticas, mas como alertas de que será preciso muito foco para não jogarmos o País no descrédito total.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

🌐 www.reinaldocafeo.com.br

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