A virada

A virada

“Virada” entre outras definições pode ser explicada como alteração na direção, dar uma guinada. Ao colocar o “A” no início é afirmar que precisamos ter mesmo aquela virada, em seu amplo sentido.

O calendário é sábio e ao separar a contagem de nossa existência em anos, a cada virada de ano nos força a refletir sobre o que realizamos no ano que termina e o que projetamos para o próximo ano.

Sem dúvida 2020, ano bissexto, último ano da década, exige daqui para frente uma guinada de 180 graus. A pandemia da Covid-19 ceifou vidas, interrompeu sonhos, marcou pessoas, restringiu nossa vida social, nos levou ao isolamento, com claro perda de qualidade de vida.

Diante da pandemia foi um ano que revelou os verdadeiros líderes, infelizmente poucos, e escancarou o quanto muitos que estão no comando são despreparados para estabelecer estratégias adequadas para o enfretamento da Covid.19 que assolou o mundo. Isso vale tanto para quem comanda empresas, organizações e o setor público. A ignorância acabou sendo o elo entre os medíocres, os quais por omissão, não foram capazes de praticar a visão 360 graus, se antecipando para estabelecer a melhor relação causa/consequência.

Não obstante estas constatações precisamos ir em frente e isso tem que ser além da virada do calendário. A virada tem que contemplar mudança de atitude.

A virada passa pelo fim do individualismo, da busca pelo bem-estar pessoal, que se opõem ao bem-estar coletivo. A virada tem a ver com fraternidade, solidariedade e convivência harmônica em sociedade.

A virada tem a ver com exercitar a tolerância e o senso crítico, filtrando tudo que nos é apresentado. A virada está ligada ao acreditar na ciência, não a ciência dos políticos, mas dos verdadeiros cientistas que não estão medindo esforços para nos trazer vacinas e remédios que permitam a volta ao normal.

Por falar em normal, a virada tem que ser na linha de que, se haverá um novo normal, que este seja para garantir melhores dias a todos.

O ano de 2021 será desafiador em todos os sentidos. Levaremos passivos em vários setores da vida, da economia, as finanças, passando pelas perdas, atingindo nossa possibilidade em viver em sociedade.

Será desafiador porque aumentou a distância entre os mais ricos e os mais pobres, cujo custo social será mais intensamente sentido nos próximos meses. Desemprego, miserabilidade, entidades padecendo, enfim, será o ano da administração da escassez.

Por este cenário a virada tem que ser de mentalidade, da maneira que enfrentaremos os desafios e no exercício de nossa capacidade de antever cenários e mudar o rumo das coisas quando isso for necessário.

Para os individualistas, é só uma mudança de calendário e virada de ano; para os que pensam no coletivo, a mudança de ano pode representar a verdadeira guinada, para que, juntos busquemos construir uma sociedade mais justa e fraterna.

Que venha 2021: a virada pode tomar a dimensão que quisermos, a escolha é de cada um. Mas fica meus votos que seja “A” virada, com “A” maiúsculo. Que tenhamos um Santo ano pela frente, com coragem para mudar, sempre para melhor!

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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