Auxílio emergencial chega tarde e com baixo efeito na economia 

É inegável que qualquer que seja o valor a ser destinado as pessoas que estão sem renda é bem-vindo, porém, o novo auxílio emergencial além de chegar tarde, terá baixo efeito na economia.

Chega tarde porque o Congresso Nacional não priorizou a votação do Orçamento da União para 2021. Mesmo votado neste ano, portanto, com atraso, o Orçamento ainda não foi sancionado devido as tentativas de “pedaladas” por parte dos Congressistas e agora busca-se uma costura política para que o Executivo Federal não cometa crime de responsabilidade.

Entre vários problemas no Orçamento estão a redução de verbas obrigatórias, excesso de recursos destinados às emendas dos parlamentares e o risco do não cumprimento do limite de teto de gastos. É um Orçamento “maquiado”. Estamos no mês de abril sem ter um Orçamento do ano aprovado. Inacreditável!

Mas voltemos ao auxílio emergencial. É evidente que muitos não imaginavam que nesta fase do ano teríamos o crescimento elevado nos casos e mortes de covid-19. Também não imaginávamos que depois de tudo que o País passou o fechamento das atividades econômicas fosse um dos poucos caminhos a ser adotado pelos governantes.

Empreendedores com queda no faturamento, trabalhadores sem emprego, são parte de uma triste realidade que tem levado milhões de brasileiros a miséria. O auxílio emergencial chega para mais de 45 milhões de brasileiros, mas estes estão endividados, com baixa qualidade em sua alimentação, tendo que conviver com a carestia que se instalou no País.

Serão R$ 44 bilhões injetados na economia em 4 meses. Este valor representa cerca de 14% do total pago com auxílio emergencial o ano passado, que totalizou cerca de R$ 300 bilhões e ajudou em muito na recuperação da economia no segundo semestre do ano passado. Observem que a magnitude do auxílio não deve mexer muito com a economia. De um lado, a demora na liberação dos recursos pega famílias tendo que honrar compromissos que ficaram para trás, como água, luz e outros compromissos básicos, e de outro lado, não haverá excedentes que tragam impacto significativo na economia.

Talvez, reforço, talvez, a combinação deste auxílio com eventuais antecipações no pagamento do décimo terceiro salário aos aposentados e pensionistas, mais outras decisões que antecipem pagamentos na área social, possam de alguma maneira criar um volume de recursos capaz de trazer um alento aos agentes econômicos.

Podemos manter a projeção de crescimento econômico para este ano, mas devemos contar muito mais com a velocidade de vacinação e um olhar diferente dos governantes quanto as decisões em fechar tudo, do que com a chegada destes recursos na economia.

Pelo andar da carruagem teremos um primeiro semestre com desempenho abaixo do desejável, e um segundo semestre que pode tirar o atraso. Aos agentes econômicos resta estabelecer estratégias que permita sobreviver até lá.

Como sempre o setor público caminha a passos de tartaruga, contrastando com a urgência na solução dos graves problemas econômicos e sociais do País.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Como era esperado renda dos idosos despenca

Como era esperado renda dos idosos despenca

Não seria necessário ser especialista em economia e finanças para projetar o estrago que a pandemia faria com a camada mais pobre da população em especial aos idosos.

Políticos que tentaram surfar como heróis no combate a pandemia erraram feio em suas estratégias, e sem um ordenamento de ações que evitassem que atingíssemos o caos na saúde, realidade da maior parte dos estados brasileiros, em especial o estado de São Paulo que não para de bater recorde de casos e mortes (e de falta de leitos), juntamente com um Ministério da Saúde omisso, a miséria chegou.

Façamos um recorte nos idosos brasileiros. Estudo divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que durante a pandemia de covid-19, houve diminuição de renda em quase metade dos domicílios de idosos, principalmente nos mais pobres.

Além do aspecto financeiro, a pesquisa ainda aponta o aumento de sentimentos relacionados à solidão e tristeza, sobretudo entre as mulheres. A coleta de dados foi eletrônica, cujo questionário foi preenchido por 9.173 pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, entre abril e maio de 2020.

Os resultados chamam a atenção. A pesquisa mostrou que 50,5% dos idosos trabalhavam antes da pandemia, dos quais 42,1% sem vínculo empregatício. No período considerado pela pesquisa foi registrada queda na renda em 47,1% dos domicílios, e o que é mais grave, 23,6% relataram forte redução e até mesmo ausência de renda.

No recorde daqueles que trabalhavam sem carteira assinada, a queda na renda ocorreu em 79,8% dos lares e a ausência de renda atingiu 53,3%. Aqui chama a atenção que somente 12% dos pesquisado apontaram que receberam algum auxílio governamental.

É importante destacar que muitos idosos sustentam sozinhos suas famílias, por vezes, abrigam em suas casas seus netos, portanto, reduzir a renda de um idoso é atingir outros membros da família.

Se não bastasse a questão econômica, a pesquisa aponta que dos 87,8% do total que seguiram um isolamento social de maneira intensa, tiveram aumento na sensação de tristeza ou depressão.

Sem dúvida a pandemia atingiu muito forte todos nós, mas também não há dúvidas que as famílias mais carentes estão sofrendo muito mais. Por este prisma, conclui-se que as Autoridades Públicas pouco ou quase nada entenderam do comportamento da população e insistem em politizar suas decisões, deixando de atacar as causas dos problemas. Depois de um ano de pandemia continuam tomando decisões erradas. Todos perdem.

Está evidenciado que é um equívoco do político que insiste em usar o tamanho de sua régua para definir isolamentos, distanciamentos e até lockdowns e ainda por cima não ter nenhuma empatia com os mais pobres, que precisam de assistência na saúde, mas não podem ter sua renda precarizada.

Enquanto alguns praticam o isolamento “gourmet” o grosso da população caminha a passos largos para a miséria, e o que é pior, tristes e deprimidos. Uma história triste de um Estado que deveria ser referência para o resto do País, mas é o recordista em cometer erros na condução da pandemia. Os resultados desta má condução estão nas estatísticas de casos e mortes, só não vê quem não quer.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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