Preços tendem a ceder

Preços tendem a ceder

Em um País que já conviveu com inflação de mais de 80% ao mês, sem dúvida alguma, conseguir manter a inflação abaixo de dois dígitos ao ano, é um grande avanço.

Apesar desta constatação a inflação voltou a ser o centro das atenções tanto aqui no Brasil como no resto do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, é tema recorrente e são cada vez mais exigidas ações do Banco Central americano no sentido de conter a escala dos preços.

A pandemia “bagunçou” a economia e o desequilíbrio entre oferta e procura por bens e serviços se acentuou. Os produtores reduziram a quantidade ofertada e os demandantes focaram o consumo em bens essenciais. Os preços das commodities explodiram, que combinados com a alta na cotação do dólar, trouxeram novamente o temor pela escalada dos preços, portanto, inflação na veia.

Aos poucos as coisas começam a voltar ao normal. Mesmo considerando os monopólios e oligopólios, realidades da economia brasileira, isto é, ter no mercado um único ofertante ou poucos ofertantes em importantes setores da economia, há um limite para a alta de preços, e este limite é a renda das pessoas.

Com o fim da indexação automática dos salários, a cada alta de preços dos bens essenciais e normais, o consumidor recua, ou levando menos quantidades ou substituindo por bens inferiores. O poder aquisitivo em queda já é sentido, por exemplo, nas vendas dos supermercados. Isso tudo potencializado pelo elevado desemprego e crescimento de número de casos de covid-19.

Em nível internacional os preços das commodities tendem a atingir seu pico. Não há como subir os preços infinitamente. Também o efeito da alta dos juros no Brasil chegou ao câmbio, com o Real se valorizando frente ao dólar. Isso tudo é capaz de derrubar os preços na ponta.

A má notícia é que este ambiente mais benigno para a inflação ainda não chegou ao consumidor, portanto, conviveremos por um período com os preços ainda pressionados, exigindo, inclusive novos aumentos na taxa de juros, fato que foi relatado na ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central brasileiro.

A boa notícia é que inflação de dois dígitos ao mês faz parte do passado que não queremos mais que volte, e que os governos passaram a utilizar em sua plenitude os instrumentos de política macroeconômica para combater os desequilíbrios do mercado.

Em resumo: os preços dos bens e serviços tendem a ceder. É questão de tempo. Até lá se puder substitua ou reduza a quantidade demandada por bens e serviços, exercendo o soberano poder de consumidor.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Uma Cidade em 360 graus

Cidade 360 graus

Sem dúvida a vida moderna exige de todos nós o que podemos denominar de “visão 360 graus”. Esta visão em todos os ângulos leva em conta a utilização das habilidades que temos através do desenvolvimento das nossas inteligências, praticando a visão sistêmica, deixando simples forma de enxergar e passando para um outro nível, que é o ver, permitindo que estejamos à frente e o que mais importante, fazendo acontecer.

Colocar em prática a visão 360 graus é estabelecer o adequado diagnóstico dos problemas que nos cercam, para implementar o melhor prognóstico, visando sair na frente, e efetivamente fazer com as coisas aconteçam.

Uma cidade como Bauru, e por que não dizer, a região de Bauru, precisam discutir seu futuro. Para tanto é fundamental entender em que ponto estão, para que, com o adequado planejamento, atingir a tão desejada qualidade de vida.

Um campo fértil para estas discussões é meio jornalístico. Em tempos de Fake News, de redes sociais em que proliferam informações infundadas, em um momento que a reação das pessoas é instantânea, não é possível que a população seja massa de manobra. A informação sem se transformar em conhecimento, não é nada.

Dar ouvidos aos que possuem uma visão míope dos graves problemas locais é estimular ainda mais a desinformação.

Para a prática do jornalismo ético, sem amarras, com independência, que seja plural e que forme opinião, foi lançado na última segunda-feira o programa jornalístico “Cidade 360”. Ele é fruto da junção das redações do Jornal da Cidade, do JCNet e da 96 FM Bauru, naquilo que podemos denominar de jornalismo colaborativo. Isso tudo em múltipla plataforma, com som e imagem, integrando rádio, com a internet e com as redes sociais (Youtube, Facebook).

O objetivo é dar voz e vez a todos e ao mesmo tempo auxiliar na construção do cidadão consciente, que conhece seus deveres, mas que também quer ser respeitado em seus direitos, para ser o sujeito da história.

Queremos ir muito além da notícia, e auxiliar os ouvintes e internautas na prática da visão 360 graus: ver, indo muito além do enxergar.

Faço parte deste time e o que me motiva a integrar esta equipe é que queremos fazer a diferença, tratando os temas mais relevantes, sem sensacionalismo, com ampla discussão e querendo ser relevante para os cidadãos.

Visão 360 graus deixa a miopia de lado e garante uma avaliação ampliada, que faz toda diferença para a sociedade.

Acompanhe o Cidade 360 tanto no rádio na 96 FM Bauru, ou no JCNet (www.jcnet.com.br) ou nas redes sociais. Você é nosso convidado.

Visão 360 graus é a inspiração para uma Cidade que quer mudanças, para melhor! Venha conosco.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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ACIB se posiciona sobre novo decreto da Prefeitura de Bauru

ACIB se posiciona sobre novo decreto da Prefeitura de Bauru

A Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB se posicionou sobre o novo decreto publicado nesta quarta-feira (16) pela Prefeitura de Bauru, que endurece as medidas para enfrentamento da pandemia de coronavírus no município. As novas regras entram em vigor na próxima sexta-feira (18) e seguem até o dia 30 de junho.

Nesse período fica limitada a ocupação máxima dos estabelecimentos (comerciais e de serviços) em até 30% da capacidade. O funcionamento das lojas, inclusive de shoppings e galerias comerciais, será das 6h às 21h.

O município também vai restringir o horário de funcionamento de bares, lanchonetes, restaurantes e demais estabelecimentos de alimentação, que poderão funcionar das 6h às 19h, com até 30% da capacidade, e limite máximo para fechamento das portas até às 20h, em todos os dias da semana.

O novo decreto também volta a limitar a entrada de apenas uma pessoa por família nos supermercados. Além disso, fica proibida a venda de bebidas alcoólicas em qualquer estabelecimento, das 19h às 6h do dia seguinte, em todos os dias da semana. Aos finais de semana, a venda fica proibida em todos os horários, das 19h de sexta-feira até 6h de segunda-feira.

O valor da multa para quem descumprir o decreto pode chegar até R$ 6.678,86. Já os estabelecimentos comerciais e de serviços reincidentes poderão ser interditados pelo município.

Para o Presidente da ACIB, economista Reinado Cafeo, as medidas restritivas prevista no novo decreto municipal mais uma vez afetam de modo prejudicial o setor produtivo da cidade, desfavorecendo empresários e colocando em risco o emprego de centenas de trabalhadores.

“A ACIB, por um lado, tem a preocupação com o crescimento do número de casos de Covid, mortes, com a falta de infraestrutura sanitária para atender os pacientes. Mas, por outro lado, lamenta que o executivo municipal atual repete os mesmos erros do executivo que terminou o mandato no ano passado. Não foi aberto diálogo para que as entidades representativas pudessem opinar qual seria o melhor modelo para enfrentamento dos problemas de saúde e do pico da pandemia. Essa falta de diálogo faz com que a sociedade tenha um olhar para o setor produtivo da cidade como se ele fosse vilão. Quando, na verdade, não é. O setor público teve recursos abundantes da esfera Federal e do Governo do Estado. O próprio Governo do Estado não deu o foco. Foi solicitado para que todos nós ficássemos em casa, para que houvesse a ampliação da retaguarda de saúde e nada disso se concretizou. Lamentamos, então, que nesse momento o setor produtivo seja novamente afetado. Insisto, de um lado entendemos a gravidade da questão, mas do outro precisaria ter, no mínimo, diálogo com as entidades constituídas”, opina Cafeo.

PIB em alta: e eu com isso?

PIB em alta: e eu com isso?

A relação das pessoas com a notícia mudou de maneira considerável. De um acompanhamento praticamente passivo, a facilidade que o leitor tem para interagir, permite estabelecer juízo de valor sobre todos os temas. Quando o assunto é economia então, as avaliações vão de A à Z.

Um dado relevante e amplamente divulgado é o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deste ano e as revisões das projeções de seu desempenho para o ano fechado.

O resultado de alta de 1,2% nos três primeiros meses deste ano comparado ao último trimestre do ano passado veio acima do esperado pelo mercado e gerou uma revisão, para melhor, do desempenho do ano fechado, sendo que as projeções mais otimistas indicam alta acima de 5% em 2021. Isso mexeu positivamente com o mercado.

As reações das pessoas foram as mais variadas possíveis. De uma jornalista que, aparentemente se expressou de maneira equivocada, dizendo que “infelizmente” teria uma boa notícia que seria o bom desempenho do PIB brasileiro, até aqueles que questionam, “afinal para que serve um PIB em alta?”, o que mais se vê é o não entendimento do que esta alta efetivamente significa.

O primeiro e importante esclarecimento sobre o PIB é deixar claro que este indicador, que mede a riqueza do País em determinado período do tempo, está no campo da macroeconomia, e como tal aponta o desempenho do agregado econômico, isto é, indicar crescimento de 1,2% ou de 5% é estabelecer um parâmetro global, sem individualizar a análise. É que denominamos visão da ‘floresta” e não das “árvores” isoladamente. Já por este prisma fica claro que a melhora do PIB afeta distintamente os agentes econômicos. Em um PIB acima de R$ 7 trilhões é claro que alguns setores vão muito bem e outros nem tanto.

Se focarmos nas famílias, agentes de consumo, a distância entre o crescimento do PIB e a melhoria da qualidade de vidas das famílias, é enorme. Como explicar para mais de 14 milhões de desempregados que a economia brasileira está em recuperação e que será um ano a ser comemorado? Novamente surge a imagem da “floresta” e das “árvores”.

Qualquer pessoa, mesmo os iniciantes no estudo econômico, aprende que crescimento econômico não é o mesmo que desenvolvimento econômico.

O exemplo mais utilizado para entender esta diferença é pensar em um bolo. Com o uso adequados dos insumos, o bolo cresce, mas isso não quer dizer necessariamente que mais pessoas comerão o bolo, à medida que alguém pode ficar com as fatias maiores, agora, sem que o bolo cresça, não há como atender mais pessoas. Aí que entra o desenvolvimento econômico, um ponto à frente do simples crescimento, pois ataca as desigualdades sociais e busca o bem-estar das pessoas.

Por mais que sejamos críticos quanto a atuação do atual governo e de sua equipe econômica, desdenhar da possibilidade de maior crescimento da economia, é um reducionismo absurdo, com visão extremamente individualista, de quem não entende que um bolo maior abre espaço para mais pessoas usufruírem do mesmo.

Sem dúvida estamos muito distantes de atingir a tão sonhada justiça social e a pandemia de Covid-19 potencializou esta questão, contudo, negar que a pré-condição para levar o País no caminho do desenvolvimento econômico e obter crescimento econômico, é torcer para que o quanto pior melhor, prevalecendo os interesses eleitoreiros e a luta pelo poder.

PIB cresceu, e eu com isso? Resposta mais que direta: abre possibilidade de geração de emprego, renda e se tivermos políticos sérios, levar ali na frente à melhoria na qualidade de vida dos brasileiros.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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O PIB brasileiro: acima das expectativas

O PIB brasileiro: acima das expectativas

O IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgou dados oficiais do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, indicador de geração de riquezas, e veio positivo em 1,2% no primeiro trimestre deste ano. Este resultado veio acima das expectativas do mercado, que projetava 1% para o período.

A melhora da produtividade no campo, avanço nas atividades extrativas e o bom desempenho dos serviços, são alguns dos fatores que puxaram a atividade econômica para cima.

A economia brasileira demonstra um vigor apesar de seus desequilíbrios. A inflação é uma preocupação, bem como a taxa de desemprego que atinge mais de 14 milhões de brasileiros. Está em curso a mudança de direção da política monetária, menos frouxa, isso sem contar a necessidade de reformas estruturais para sustentar o crescimento econômico de longo prazo. Mesmo diante de tantos desafios o potencial da economia brasileira é inegável.

Considerando que está em curso um cenário mais otimista do ponto de vista sanitário, tendo como principal motivo o avanço da vacinação, tanto aqui no Brasil, como no resto do mundo, as projeções de crescimento da economia brasileira já apontam para um patamar acima de 5% para este ano. Podem ser projeções muito otimistas, mas não há dúvida que o ambiente de negócios melhorou.

Independentemente de o crescimento do PIB atingir 4% ou 5%, o que está posto é que o segundo semestre promete. É evidente que o desempenho não será uniforme. Com problemas climáticos o setor primário perderá produtividade no segundo semestre. No setor secundário, a indústria de transformação ainda patina, e setores de bens de capital, terão desempenho em menor ritmo. O comércio e serviços também terão comportamento não linear.

O consumidor ainda está ferido financeiramente, portanto, continuará seletivo, contudo, os mais abastados, tirarão o atraso, e movimentarão o mercado de bens supérfluos, e demandarão mais serviços, como os ligados ao turismo e lazer.

Mesmo em ambiente político conturbado, com CPI da Pandemia e discussões sobre as eleições presidenciais do ano que vem, tendo ainda que dar velocidade nas reformas administrativa e tributária, os agentes econômicos apostam no potencial da economia brasileira, em seu mercado consumidor, que combinado com o apetite internacional pelos produtos brasileiros, dão pano de fundo para este otimismo.

Neste contexto é fundamental a equipe econômica do governo Bolsonaro mantenha-se firme nos aspectos técnicos, com rigor fiscal, não permitindo que decisões populistas tomem a cena, gerando um ambiente mais seguro para os negócios.

Ceteris-Paribus (mantendo as variáveis constantes) é possível sim pensar em um desempenho econômico melhor do que o esperado para este ano.  Os números do primeiro trimestre confirmam esta expectativa.  

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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