PIB em alta: e eu com isso?

PIB em alta: e eu com isso?

A relação das pessoas com a notícia mudou de maneira considerável. De um acompanhamento praticamente passivo, a facilidade que o leitor tem para interagir, permite estabelecer juízo de valor sobre todos os temas. Quando o assunto é economia então, as avaliações vão de A à Z.

Um dado relevante e amplamente divulgado é o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deste ano e as revisões das projeções de seu desempenho para o ano fechado.

O resultado de alta de 1,2% nos três primeiros meses deste ano comparado ao último trimestre do ano passado veio acima do esperado pelo mercado e gerou uma revisão, para melhor, do desempenho do ano fechado, sendo que as projeções mais otimistas indicam alta acima de 5% em 2021. Isso mexeu positivamente com o mercado.

As reações das pessoas foram as mais variadas possíveis. De uma jornalista que, aparentemente se expressou de maneira equivocada, dizendo que “infelizmente” teria uma boa notícia que seria o bom desempenho do PIB brasileiro, até aqueles que questionam, “afinal para que serve um PIB em alta?”, o que mais se vê é o não entendimento do que esta alta efetivamente significa.

O primeiro e importante esclarecimento sobre o PIB é deixar claro que este indicador, que mede a riqueza do País em determinado período do tempo, está no campo da macroeconomia, e como tal aponta o desempenho do agregado econômico, isto é, indicar crescimento de 1,2% ou de 5% é estabelecer um parâmetro global, sem individualizar a análise. É que denominamos visão da ‘floresta” e não das “árvores” isoladamente. Já por este prisma fica claro que a melhora do PIB afeta distintamente os agentes econômicos. Em um PIB acima de R$ 7 trilhões é claro que alguns setores vão muito bem e outros nem tanto.

Se focarmos nas famílias, agentes de consumo, a distância entre o crescimento do PIB e a melhoria da qualidade de vidas das famílias, é enorme. Como explicar para mais de 14 milhões de desempregados que a economia brasileira está em recuperação e que será um ano a ser comemorado? Novamente surge a imagem da “floresta” e das “árvores”.

Qualquer pessoa, mesmo os iniciantes no estudo econômico, aprende que crescimento econômico não é o mesmo que desenvolvimento econômico.

O exemplo mais utilizado para entender esta diferença é pensar em um bolo. Com o uso adequados dos insumos, o bolo cresce, mas isso não quer dizer necessariamente que mais pessoas comerão o bolo, à medida que alguém pode ficar com as fatias maiores, agora, sem que o bolo cresça, não há como atender mais pessoas. Aí que entra o desenvolvimento econômico, um ponto à frente do simples crescimento, pois ataca as desigualdades sociais e busca o bem-estar das pessoas.

Por mais que sejamos críticos quanto a atuação do atual governo e de sua equipe econômica, desdenhar da possibilidade de maior crescimento da economia, é um reducionismo absurdo, com visão extremamente individualista, de quem não entende que um bolo maior abre espaço para mais pessoas usufruírem do mesmo.

Sem dúvida estamos muito distantes de atingir a tão sonhada justiça social e a pandemia de Covid-19 potencializou esta questão, contudo, negar que a pré-condição para levar o País no caminho do desenvolvimento econômico e obter crescimento econômico, é torcer para que o quanto pior melhor, prevalecendo os interesses eleitoreiros e a luta pelo poder.

PIB cresceu, e eu com isso? Resposta mais que direta: abre possibilidade de geração de emprego, renda e se tivermos políticos sérios, levar ali na frente à melhoria na qualidade de vida dos brasileiros.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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