Auxílio emergencial chega tarde e com baixo efeito na economia 

É inegável que qualquer que seja o valor a ser destinado as pessoas que estão sem renda é bem-vindo, porém, o novo auxílio emergencial além de chegar tarde, terá baixo efeito na economia.

Chega tarde porque o Congresso Nacional não priorizou a votação do Orçamento da União para 2021. Mesmo votado neste ano, portanto, com atraso, o Orçamento ainda não foi sancionado devido as tentativas de “pedaladas” por parte dos Congressistas e agora busca-se uma costura política para que o Executivo Federal não cometa crime de responsabilidade.

Entre vários problemas no Orçamento estão a redução de verbas obrigatórias, excesso de recursos destinados às emendas dos parlamentares e o risco do não cumprimento do limite de teto de gastos. É um Orçamento “maquiado”. Estamos no mês de abril sem ter um Orçamento do ano aprovado. Inacreditável!

Mas voltemos ao auxílio emergencial. É evidente que muitos não imaginavam que nesta fase do ano teríamos o crescimento elevado nos casos e mortes de covid-19. Também não imaginávamos que depois de tudo que o País passou o fechamento das atividades econômicas fosse um dos poucos caminhos a ser adotado pelos governantes.

Empreendedores com queda no faturamento, trabalhadores sem emprego, são parte de uma triste realidade que tem levado milhões de brasileiros a miséria. O auxílio emergencial chega para mais de 45 milhões de brasileiros, mas estes estão endividados, com baixa qualidade em sua alimentação, tendo que conviver com a carestia que se instalou no País.

Serão R$ 44 bilhões injetados na economia em 4 meses. Este valor representa cerca de 14% do total pago com auxílio emergencial o ano passado, que totalizou cerca de R$ 300 bilhões e ajudou em muito na recuperação da economia no segundo semestre do ano passado. Observem que a magnitude do auxílio não deve mexer muito com a economia. De um lado, a demora na liberação dos recursos pega famílias tendo que honrar compromissos que ficaram para trás, como água, luz e outros compromissos básicos, e de outro lado, não haverá excedentes que tragam impacto significativo na economia.

Talvez, reforço, talvez, a combinação deste auxílio com eventuais antecipações no pagamento do décimo terceiro salário aos aposentados e pensionistas, mais outras decisões que antecipem pagamentos na área social, possam de alguma maneira criar um volume de recursos capaz de trazer um alento aos agentes econômicos.

Podemos manter a projeção de crescimento econômico para este ano, mas devemos contar muito mais com a velocidade de vacinação e um olhar diferente dos governantes quanto as decisões em fechar tudo, do que com a chegada destes recursos na economia.

Pelo andar da carruagem teremos um primeiro semestre com desempenho abaixo do desejável, e um segundo semestre que pode tirar o atraso. Aos agentes econômicos resta estabelecer estratégias que permita sobreviver até lá.

Como sempre o setor público caminha a passos de tartaruga, contrastando com a urgência na solução dos graves problemas econômicos e sociais do País.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Como era esperado renda dos idosos despenca

Como era esperado renda dos idosos despenca

Não seria necessário ser especialista em economia e finanças para projetar o estrago que a pandemia faria com a camada mais pobre da população em especial aos idosos.

Políticos que tentaram surfar como heróis no combate a pandemia erraram feio em suas estratégias, e sem um ordenamento de ações que evitassem que atingíssemos o caos na saúde, realidade da maior parte dos estados brasileiros, em especial o estado de São Paulo que não para de bater recorde de casos e mortes (e de falta de leitos), juntamente com um Ministério da Saúde omisso, a miséria chegou.

Façamos um recorte nos idosos brasileiros. Estudo divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que durante a pandemia de covid-19, houve diminuição de renda em quase metade dos domicílios de idosos, principalmente nos mais pobres.

Além do aspecto financeiro, a pesquisa ainda aponta o aumento de sentimentos relacionados à solidão e tristeza, sobretudo entre as mulheres. A coleta de dados foi eletrônica, cujo questionário foi preenchido por 9.173 pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, entre abril e maio de 2020.

Os resultados chamam a atenção. A pesquisa mostrou que 50,5% dos idosos trabalhavam antes da pandemia, dos quais 42,1% sem vínculo empregatício. No período considerado pela pesquisa foi registrada queda na renda em 47,1% dos domicílios, e o que é mais grave, 23,6% relataram forte redução e até mesmo ausência de renda.

No recorde daqueles que trabalhavam sem carteira assinada, a queda na renda ocorreu em 79,8% dos lares e a ausência de renda atingiu 53,3%. Aqui chama a atenção que somente 12% dos pesquisado apontaram que receberam algum auxílio governamental.

É importante destacar que muitos idosos sustentam sozinhos suas famílias, por vezes, abrigam em suas casas seus netos, portanto, reduzir a renda de um idoso é atingir outros membros da família.

Se não bastasse a questão econômica, a pesquisa aponta que dos 87,8% do total que seguiram um isolamento social de maneira intensa, tiveram aumento na sensação de tristeza ou depressão.

Sem dúvida a pandemia atingiu muito forte todos nós, mas também não há dúvidas que as famílias mais carentes estão sofrendo muito mais. Por este prisma, conclui-se que as Autoridades Públicas pouco ou quase nada entenderam do comportamento da população e insistem em politizar suas decisões, deixando de atacar as causas dos problemas. Depois de um ano de pandemia continuam tomando decisões erradas. Todos perdem.

Está evidenciado que é um equívoco do político que insiste em usar o tamanho de sua régua para definir isolamentos, distanciamentos e até lockdowns e ainda por cima não ter nenhuma empatia com os mais pobres, que precisam de assistência na saúde, mas não podem ter sua renda precarizada.

Enquanto alguns praticam o isolamento “gourmet” o grosso da população caminha a passos largos para a miséria, e o que é pior, tristes e deprimidos. Uma história triste de um Estado que deveria ser referência para o resto do País, mas é o recordista em cometer erros na condução da pandemia. Os resultados desta má condução estão nas estatísticas de casos e mortes, só não vê quem não quer.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Equipe econômica: o jogo tem que ser jogado

Equipe econômica: o jogo tem que ser jogado

Em meio a pandemia da Covid.19, entre os vários desafios que se apresentam destaco dois em especial: prevenção e sustentação do crescimento econômico.

A prevenção contra a Covid.19 depende da velocidade na aplicação das vacinas. Para que isso ocorra é preciso sinergia em todas as esferas de poder, e que o País dê velocidade para que tenhamos a quantidade de vacinas necessárias para proteger a população brasileira.

Por usa vez, para que haja sustentação do crescimento econômico o governo Federal não pode perder de vista a introdução do novo modelo econômico brasileiro. Não há como sustentar o crescimento econômico de longo com modelo baseado no consumo das famílias. Se não houver ruptura com este modelo teremos somente bolhas de crescimento, sem qualquer perspectiva consistente de longo prazo.

Com a segunda onda de contaminação e o crescimento do número mortes provocadas pela Covi.19 será muito difícil imaginar que a economia cresça naturalmente, por inércia. Neste particular observamos nestes primeiros dias do ano o que podemos denominar de “omissão” da equipe econômica do governo Bolsonaro e em especial a pouca participação pública do Ministro da Economia Paulo Guedes.

Nesta semana algo novo surgiu no horizonte. Primeiro fato foi a mudança de postura do Presidente Bolsonaro. Ele passou a entender que se quiser salvar vidas e a economia, insistir no negacionismo no tocante a gravidade da pandemia, não nos levaria a lugar algum. Diante deste cenário, mesmo que tardiamente, tudo indica que a vacinação em massa será realidade no País. Pena que perdemos precioso tempo, mas vendo o lado cheio do copo, parece que a coisa agora andará.

Outro fato importante foi o posicionamento firme de Paulo Guedes, validado pelo Presidente Bolsonaro, de que o País não entrará em aventura fiscal e ainda tem expectativas de levar em frente as reformas estruturais e as privatizações.

É evidente que as questões sociais são importantes e que os mais carentes precisam ser assistidos, mas também é evidente que é preciso que sejam indicadas ou fontes de recursos ou cortes de gastos para que ocorram novos gastos nesta área, e com isso, demonstrar com clareza o compromisso deste governo com a implementação deste novo modelo econômico.

Sem dúvida alguma a equipe econômica precisa estar no jogo e deixar clara como será sua forma de jogar. Se esta equipe permitir que políticos populistas e oportunistas comandem este jogo, o resultado será catastrófico para todos nós. Pode até obter algum resultado no curto prazo, mas não haverá a tão almejada sustentação de longo prazo.

Chega de adiar a introdução da pauta necessária para que os agentes econômicos consigam enxergar o início, meio e fim, da implementação desta nova matriz econômica. Isso permitirá dar velocidade aos aportes de novos investimentos produtivos e com eles geração de renda e emprego.

Equipe econômica: o jogo tem que ser jogado! Entrem para valer neste jogo.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Afinal o Brasil está ou não quebrado?

Brasil está quebrado

AEm sua primeira declaração pública do ano, o Presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou: “Chefe (dirigindo-se a um apoiante que o tinha interpelado), o Brasil está quebrado, chefe. Eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, teve esse vírus potencializado pela mídia que nós temos aí, essa mídia sem caráter”

Afinal de contas, o Brasil está ou não quebrado? A resposta é: Não! Estar quebrado é não ter condições de honrar seus compromissos, não conseguir captar recursos no mercado, o que não é a realidade brasileira.

É óbvio que é preciso entender o contexto da fala do Presidente da República.  Dá a impressão de que o Bolsonaro quis justificar o não atendimento das pautas por ele sinalizadas em sua campanha. Isso fica comprovado quando menciona a tabela do imposto de renda da pessoa física.

Havia expectativa que esta tabela fosse corrigida, uma vez que ficou congelada por muito tempo, levando milhões de brasileiros a reduzirem o valor de imposto a ser pago. Outra leitura é que talvez ele se sinta de mãos amarradas ao ter que cumprir o teto de gastos, ser rigoroso na questão fiscal para o País resgatar a credibilidade.

Não obstante estas observações, o Presidente demonstra ter uma visão reducionista da realidade. Por exemplo, ao criticar a mídia sobre a cobertura dos casos de Covid.19, generalizando, como se todos tivessem o mesmo discurso, Bolsonaro se equipara àqueles que, de maneira superficial analisam os graves problemas do Brasil. Isso caberia em uma conversa de “boteco” e não a uma declaração do máximo mandatário do País.

A equipe econômica do governo, em especial o Ministro Paulo Guedes e o Presidente do Banco Central brasileiro, Roberto Campos Neto (que acaba de ser eleito o melhor Presidente de Banco Central do mundo por suas ações frente a esta importante Instituição), fazem das tripas coração para garantir um mínimo de confiança dos agentes econômicos nacionais e internacionais. Sinalizam com reformas que por falta de vontade política do governo não são priorizadas. Indicam privatizações, para tornar o Estado mais leve, sem sucesso.

Tentam abafar as tentativas de parte dos Ministros do governo Bolsonaro em abrir os cofres públicos para uma pauta desenvolvimentista, que poderia aí sim levar o País a insolvência. Enfim, tentam implantar uma nova matriz econômica, que em momento algum teve o comprometimento total do Presidente Bolsonaro. Este tipo de posicionamento “populista’ pouco ou quase nada agrega neste momento.

Os principais líderes mundiais buscam trazer otimismo a sua população. Tentam atrair os investimentos produtivos e promovem ações para reduzir os efeitos da pandemia, notadamente na falta de emprego para todos. Aqui não! Gasta-se energia desnecessária para contornar falas do Presidente, que só abrem margem para especulações de toda ordem.

Não acreditar no potencial econômico do Brasil é desconhecer por completo a dimensão daqueles que sempre ajudaram a construir este País.

Por isso devemos insistir na tese: menos Estado e mais setor Privado, este sim, arrisca seu capital, empreende na adversidade e acima de tudo tenta manter o otimismo de seus colaboradores.

Pode até ser que o Presidente Bolsonaro tenha tido outra intenção ao fazer a declaração de que o Brasil está quebrado, mas passou da hora de falar menos e praticar o que a sabedoria dos pensadores nos trouxe: “Deus dotou o homem de uma boca e dois ouvidos para que ouça o dobro do que fala”.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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A virada

A virada

“Virada” entre outras definições pode ser explicada como alteração na direção, dar uma guinada. Ao colocar o “A” no início é afirmar que precisamos ter mesmo aquela virada, em seu amplo sentido.

O calendário é sábio e ao separar a contagem de nossa existência em anos, a cada virada de ano nos força a refletir sobre o que realizamos no ano que termina e o que projetamos para o próximo ano.

Sem dúvida 2020, ano bissexto, último ano da década, exige daqui para frente uma guinada de 180 graus. A pandemia da Covid-19 ceifou vidas, interrompeu sonhos, marcou pessoas, restringiu nossa vida social, nos levou ao isolamento, com claro perda de qualidade de vida.

Diante da pandemia foi um ano que revelou os verdadeiros líderes, infelizmente poucos, e escancarou o quanto muitos que estão no comando são despreparados para estabelecer estratégias adequadas para o enfretamento da Covid.19 que assolou o mundo. Isso vale tanto para quem comanda empresas, organizações e o setor público. A ignorância acabou sendo o elo entre os medíocres, os quais por omissão, não foram capazes de praticar a visão 360 graus, se antecipando para estabelecer a melhor relação causa/consequência.

Não obstante estas constatações precisamos ir em frente e isso tem que ser além da virada do calendário. A virada tem que contemplar mudança de atitude.

A virada passa pelo fim do individualismo, da busca pelo bem-estar pessoal, que se opõem ao bem-estar coletivo. A virada tem a ver com fraternidade, solidariedade e convivência harmônica em sociedade.

A virada tem a ver com exercitar a tolerância e o senso crítico, filtrando tudo que nos é apresentado. A virada está ligada ao acreditar na ciência, não a ciência dos políticos, mas dos verdadeiros cientistas que não estão medindo esforços para nos trazer vacinas e remédios que permitam a volta ao normal.

Por falar em normal, a virada tem que ser na linha de que, se haverá um novo normal, que este seja para garantir melhores dias a todos.

O ano de 2021 será desafiador em todos os sentidos. Levaremos passivos em vários setores da vida, da economia, as finanças, passando pelas perdas, atingindo nossa possibilidade em viver em sociedade.

Será desafiador porque aumentou a distância entre os mais ricos e os mais pobres, cujo custo social será mais intensamente sentido nos próximos meses. Desemprego, miserabilidade, entidades padecendo, enfim, será o ano da administração da escassez.

Por este cenário a virada tem que ser de mentalidade, da maneira que enfrentaremos os desafios e no exercício de nossa capacidade de antever cenários e mudar o rumo das coisas quando isso for necessário.

Para os individualistas, é só uma mudança de calendário e virada de ano; para os que pensam no coletivo, a mudança de ano pode representar a verdadeira guinada, para que, juntos busquemos construir uma sociedade mais justa e fraterna.

Que venha 2021: a virada pode tomar a dimensão que quisermos, a escolha é de cada um. Mas fica meus votos que seja “A” virada, com “A” maiúsculo. Que tenhamos um Santo ano pela frente, com coragem para mudar, sempre para melhor!

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Desejos de Natal

Natal

DAo longo do ano abordamos temas ligados a economia, finanças e política. Hoje peço licença para externar meus desejos de Natal.

Para muitos o Natal é somente mais uma data comercial e por vezes pouco valorizaram o aniversariante. A comida, a bebida, enfim, a ceia em si, tudo isso fala mais alto do que o efetivo motivo deste dia.

Não é por acaso que a comemoração do Natal assume dimensão mundial, afinal, temos como referência Jesus Cristo, que mesmo os mais céticos, admitem o quanto seu exemplo foi importante para a humanidade.

Mesmo considerando deveria ser um dia mais para agradecer do que pedir, afinal quem faz aniversário em quem recebe o presente, quero elencar alguns desejos.

O primeiro sem dúvida é que as vacinas desenvolvidas sejam eficazes e, a partir de sua aplicação na população, possamos voltar a normalidade no tocante a nossa rotina. Para que isso seja verdadeiro meu desejo é que os políticos, que comandam este País, dialoguem, deixem de lado vaidades pessoais, projetos políticos, ganância, sede de poder, enfim, o individualismo e pratiquem o senso coletivo. O que está em jogo são vidas humanas.

Desejo ainda que até lá as pessoas de uma forma geral tenham empatia com os outros, pensando também no coletivo. Se policiem e cumpram protocolos sanitários.

Desejo que as rusgas familiares sejam deixadas de lado. Desejo ainda que aqueles que tiveram problemas de saúde, que perderam seus entes queridos, sejam amparados.

Desejo que os miseráveis, sejam assistidos. Desejo que cada um de nós saiba que nossa vida é sopro e que o exagero no acúmulo de bens materiais não nos trará a salvação. Meu desejo é que as pessoas saibam que o dinheiro pode comprar remédios, mas não compra a saúde. Compra uma casa, mas não um lar. Saibam que o dinheiro compra diversão, mas não compra a felicidade e que o dinheiro compra o crucifixo, mas não compra a salvação.

Meu desejo é que sejamos mais solidários, mais fraternos, mais altruístas. Que consigamos entender que as coisas mudam e que devemos estar abertos ao novo.

Que o espírito de Natal toque nossos corações para que o fazer o bem não seja para poucos e em raros momentos, mas que seja a tônica de nossa vida.

Desejo ainda que valorizemos o aniversariante e possamos, a partir de seu exemplo, mudar nossa maneira de encarar a vida.

E finalmente meu desejo é que saibamos que sozinhos podemos ir mais rápidos, mas juntos chegaremos mais longe.

Um Santo Natal a todos, valorizando sempre o aniversariante e praticando a solidariedade.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Em 2021 juros serão majorados

Juros 2021

A política monetária praticada pelo Banco Central brasileiro pode ser considera “frouxa” levando em conta seu histórico. Ao longo dos últimos governo sempre foi oferecida a “ração” desejada pelo mercado, ou seja, e a liquidez do sistema sempre foi controlada e os juros básicos sempre operaram em níveis elevados.

A atual equipe econômica e mais particularmente os dirigentes do Banco Central derrubaram a taxa básica para seu menor nível histórico, sendo que atualmente a taxa praticada é negativa em termos reais (descontada a inflação). Esta é visão de curto prazo, mas a mudança existiu. Para que isso seja mantido a inflação tem que ficar controlada, o que não é a realidade atual.

No longo prazo toda vez que há no horizonte incertezas, a curva de juros se acentua, e a sinalização é que será preciso mudar o rumo das coisas agora para mitigar os riscos futuros. Sempre é bom lembrar que os juros tentam precificar as incertezas, os riscos, e quanto maior o risco, mais elevada será esta taxa.

Voltemos no curto prazo. A ata do Comitê de Política Monetária, cuja reunião ocorreu a semana passada, na qual foi tomada a decisão em manter a taxa básica de juros em 2% ao ano, deixa claro o reconhecimento que a inflação brasileira seguirá salgada no curto prazo. “As últimas leituras da inflação foram acima do esperado e, em dezembro, apesar do arrefecimento previsto para os preços de alimentos, a inflação ainda deve se mostrar elevada, com coleta extraordinária de preços de mensalidades escolares e transição para o mais elevado patamar de bandeira tarifária de energia elétrica”, afirmou o Banco Central (BC). A inflação de novembro ficou em 0,89% e o BC projeta inflação de 1,19% para dezembro.

Avaliando a ata mais detalhadamente o indicativo é que o BC acabará com o chamado “forward guidance” ou “prescrição futura”, em português. Foi adotado em agosto indicando que não pretenderia elevar os juros se a inflação fosse mantida sob controle e o risco fiscal não se acentuasse. Em linguagem mais simples: a ata indica que poderá ocorrer o fim dos estímulos monetários e caso seja necessário, e provavelmente será, os juros poderão subir.

Considerando que no Brasil cerca de 40% dos preços são indexados, ou pelo dólar ou por algum índice de preços; considerando que tanto o IPCA, como a série dos IGPs, o INPC, os índices ligados a construção civil, estão bem acima do razoável, e no caso dos IGPs muto acima, batendo mais de 20% em 12 meses, haverá o efeito inercial para 2021. Em outras palavras o ano que vem já sai com parte da inflação deste ano incorporado aos preços.

Juntando o que a ata do Copom sinalizou com esta constatação que a inflação em 2021 continuará pressionada, mais distante dos 3% e mais próxima dos 4%, projetar a taxa básica na ordem de 4% a 4,5% na virada do ano, parece factível.

As sinalizações são no sentido de taxa de juros real positiva e durante o ano o Banco Central deve ajustar a taxa de curto prazo nesta linha, eliminando incertezas quanto ao controle efetivo da inflação, a não ser que a questão fiscal seja tão rigorosa que abra espaço para afrouxar novamente a política monetária, o que, em ano pré-eleição presidencial, não nos parece que irá ocorrer.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Inflação: o que esperar em 2021

Inflação

“Pequena inflação é como pequena gravidez”. A partir desta frase quero analisar os dados recentes da inflação brasileira e o que esperar em 2021.

O dado mais recente da inflação oficial do Brasil, de novembro, indica taxa de 0,89%. Foi o pior mês de novembro dos últimos 5 anos. No ano a inflação acumula 3,13%, atingindo 4,31% em 12 meses.

O patamar de novembro aparenta ser baixo, mas se esta taxa se repetisse por 12 meses seguidos atingiríamos 11,2% ao ano. É elevado e incompatível com a meta de inflação que é de 4% ao ano, com variação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Para 2021 a meta é de 3,75%. Evidentemente que dificilmente isso ocorrerá posto que a inflação é uma alta sobre a outra e não há espaço para aumento indefinido de todos os preços.

Na prática o País convive com pressão sobre os preços vindo tanto do lado da oferta, bem como da demanda. Do lado da oferta a primeira constatação é que os custos subiram e estão sendo repassados aos preços finais. Neste particular a cotação do dólar pressionou os custos.

Vale destacar que 40% dos preços do IPCA são de alguma maneira indexados ao dólar. Também há insuficiência de oferta. O mesmo dólar que pressiona custos estimula exportações. Sobram menos produtos para o mercado interno. Soma-se a isso a redução geral da produção devido ao controle da pandemia da Covid-19, a oferta de produtos cai efetivamente.

Do lado da demanda há dois importantes fatores, que inclusive validam a alta de preços vindas da oferta: consumidores com demanda reprimida, comprando mais do que vinham comprando, afinal ficaram muito tempo com isolamento social e ainda aumento do poder aquisitivo de milhões de brasileiros que passaram a receber de maneira contínua a ajuda emergencial.

Quando os preços são mais elevados e o consumidor “aceita” esta alta elevando ou mantendo seu consumo, preços ficam nas alturas. São exemplos as altas dos preços de alimentos, bebidas e combustíveis.

A preocupação é com o impacto da elevação de preços de agora na inflação de 2021. Parte da inflação do ano que vem virá da indexação da economia. Muitos preços da economia são reajustados anualmente pelos índices de inflação. Contratos que utilizam o IGP-M, por exemplo, poderão ser reajustados acima de 20% à medida que este índice, devido aos preços no atacado, disparou. Mesmo a indexação pela inflação oficial já tem, inercialmente, impacto importante pela frente.

O que pode frear as altas pelo lado da oferta? Confiança na economia. Neste caso o dólar se estabiliza ou cai, e ainda haverá maior oferta de bens e serviços, quer pelo aumento da produção, quer pela ampliação de ofertantes no mercado. Confiança estimula investimentos produtivos.

Do lado da demanda, com o fim da ajuda emergencial haverá menor pressão de consumo, não obstante a demanda reprimida ainda ser verdadeira, ao menos no primeiro semestre do ano que vem.

Com política monetária ainda frouxa, afinal a economia precisa voltar a crescer, restará a equipe econômica estabilizar a economia com política fiscal austera. Se isso ocorrer, a confiança acima citada, será real e as pressões caem.

Felizmente a preocupação atual da inflação não é mais com patamares elevados, de dois dígitos, mas como colocado no início, “pequena inflação é como pequena gravidez” com o tempo pode crescer. A ciência econômica e os planos econômicos brasileiros já pavimentaram caminho seguro para não cairmos nas armadilhas do passado. Controlar inflação é preservar a renda dos mais pobres, esta tem que ser a prioridade.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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É hora de focar na gestão da cidade

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A eleição da Suéllen Rosim como Prefeita de Bauru gerou questões que vão muito além dos desafios em governar. A reação de algumas pessoas, poucas felizmente, que certamente serão penalizadas conforme a lei, trouxeram à tona temas como gênero, raça, classe social e até credo. A eleição de Bauru virou caso de polícia com repercussão em nível nacional.

Neste sentido teremos ainda eco destes fatos por algum período, contudo, não obstante a gravidade dos temas, notadamente a ameaça de morte, coisa inaceitável, a cidade precisa que o foco seja sua gestão.

O que menos a Prefeita eleita precisa neste momento é ter que lidar com os desafios da cidade, que não são poucos, e ainda ter ainda que se superar porque parte da sociedade classifica a competência das pessoas pelo seu sexo, religião e origem social.

O que eu quero dizer é que a prefeita eleita e sua equipe precisam de espaço para construírem um secretariado que tenha o viés técnico como preconizado. Também é preciso entregar o novo prometido. Por sinal este foi o mote da campanha: arrumar a casa com novos elementos, mais comprometidos com o destino da cidade.

Permitir que as energias que seriam gastas na construção de um planejamento estratégico para cidade sejam canalizadas para outras questões é perder um tempo precioso. Entendo que os ataques a prefeita eleita devem ser apurados e os responsáveis punidos, mas o tempo urge e a posse se aproxima.

Voltando ao secretariado tenho defendido a tese que não será tarefa fácil encontrar bons quadros, que sejam técnicos e que estejam dispostos a dedicar-se ao setor público, contudo esta limitação não desculpa para escolhas sem critério.

A população ficará de olho e cobrará da prefeita eleita este novo. Não o novo do ponto de vista de idade, mas o novo no tocante a energia, garra, vontade de fazer, de realizar. O novo que inova, que lidera, que se reinventa e que não se rende a pressões corporativas, que ouve a sociedade e gerencia sua equipe a luz do interesse coletivo. Que não transforma promessas em desculpas, jogando a toalha, como muitos já o fizeram no passado, porque “a política é assim mesmo”.

Não, definitivamente não! A cidade não pode mais esperar e não aceita conviver com o razoável. Em tempos de avanços tecnológicos, tendo a ciência da administração estabelecido formas de gerenciamento, criado processos que elevam a produtividade, em tempos que gerenciar gente precisa de líderes, não podemos aceitar a tentativa e erro. O resultado tem que ser ótimo ou não serve. Chega de puxadinho e de meia boca. Cansamos.

Por sinal tentativa e erro não cabe mais em lugar algum, muito menos no gerenciamento dos escassos recursos públicos, cuja capacidade em fazer mais com menos é que fará a diferença entre a qualidade de vida das pessoas e a mesmice, histórica, de prometer e não entregar.

Elencar poucos e importantes indicadores sociais com planos de ações eficazes, fazendo com que todo o corpo do setor público municipal se comprometa com estes resultados, é o mínimo que se espera daquela que criou expectativas de ser uma nova liderança na política.

Insisto: canalizar energia em gestão é o melhor a fazer. As demais questões, graves sim, devem ser monitoradas por quem de direito.

Lembrem-se da frase de Júlio César quando decidiu se divorciar de Pompéia mesmo sem ter certeza de que ela não o traiu: “à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

Com menor nível de pressão, focando no essencial, buscando a “cidade ideal” como preconizou, é possível trazer o novo, caso contrário, seremos novamente cobaias da tentativa e erro.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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A realidade de um eleitor bauruense

O economista Reinaldo Cafeo avalia o cenário da cidade para as eleições do segundo turno com o olhar de um eleitor bauruense. Confira!

Antes do primeiro turno das eleições municipais de Bauru eu trouxe a reflexão sobre os desejos de um eleitor bauruense no artigo “sonho de um eleitor bauruense”. Agora, passado o primeiro turno, com a composição da Câmara de vereadores e o segundo turno entre os dois candidatos mais votados para o executivo municipal, é o momento de cair na realidade.

Talvez tenha chegado o momento de baixarmos nossas expectativas. De um lado os munícipes têm muitas demandas, de outro lado será preciso administrar a escassez.

No executivo municipal a escassez estará em todos os campos. O orçamento para 2021 aponta, corretamente, menor nível de arrecadação. Na melhor das hipóteses ficarão dívidas na ordem de R$ 50 milhões a ser equacionadas na próxima legislatura.

Com uma máquina pesada, e com verbas vinculadas, a margem para investimentos, principalmente no primeiro no de mandato será muito pequena. Devemos aqui ficar satisfeitos se ao menos houver foco na manutenção no que já existe.

Também haverá escassez de bons quadros para ocuparem cargos na administração municipal, especialmente técnicos, que irão compor o secretariado o futuro mandato com início em janeiro. Em tempos de redes sociais, em que as Fake News imperam, e ainda o comprometimento patrimonial de quem ocupa cargo público está sujeito, com a exposição pessoal e familiar, tudo isso poderá afugentar àqueles que efetivamente poderiam contribuir para o desenvolvimento da cidade, trazendo sangue novo, motivação, enfim, dedicação sem vícios e pautado em questões técnicas.

Há pontos chaves na gestão pública que precisam de gente com competência acima da média. Provavelmente teremos indicações do que é “possível” em vez do que é o “ideal”, claro, que poderemos ter exceções, mas infelizmente a projeção não é boa.

Com escassez de recursos financeiros e humanos, mesmo contando com a boa vontade dos bons servidores públicos, os de carreira, está mais que evidenciado que a liderança de quem estará à frente do Palácio do Planalto fará toda a diferença. Neste aspecto é importante cada um de nós observar nos atuais postulantes ao cargo no executivo se efetivamente serão os líderes que desejamos.

O choque de realidade vem ainda do fato que muito além de propostas é preciso aprofundar nos temas que precisam de uma solução.  Não é possível, por exemplo, indicar extinção da COHAB, sem analisar o aspecto jurídico. Isso vale para a construtora que executa a Estação de Tratamento de Esgoto.

A realidade nua e crua é que será preciso reinventar o DAE, Emdurb e focar na produtividade das diversas secretarias, caso contrário, a escassez de recursos financeiros e humanos travará a cidade. A realidade é: a máquina pública municipal está emperrada. As Parcerias Público Privadas precisarão sair do papel.

O próprio legislativo municipal precisará de um choque de realidade é: os vereadores eleitos precisarão ir além da política e fazer efetivamente a diferença como político.

Voltando ao executivo municipal, a realidade é esta: ou escolhemos ou seremos escolhidos. Sempre entendi que dificilmente o eleitor muda seu quando seu candidato chega no segundo turno, há raras exceções, mas aqueles que votaram nos candidatos derrotados, escolheriam o de menor rejeição. Não sei se esta será a realidade em Bauru, mas antes de definir seu voto, baixe as expectativas, mantenha o sonho, mas traga tudo para a realidade que nos espera.

Uma cidade é composta por pessoas, instituições, organizações, mas sem dúvida, quem puxa e dá o tom para onde a cidade pode ir e quer chegar é aquele está à frente do executivo municipal, portanto, seu voto é muito mais que valioso. Vale a reflexão: sonhar sim, mas agora é o momento de enfrentar a realidade goste ou não do quadro que aí está.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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