Preços tendem a ceder

Preços tendem a ceder

Em um País que já conviveu com inflação de mais de 80% ao mês, sem dúvida alguma, conseguir manter a inflação abaixo de dois dígitos ao ano, é um grande avanço.

Apesar desta constatação a inflação voltou a ser o centro das atenções tanto aqui no Brasil como no resto do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, é tema recorrente e são cada vez mais exigidas ações do Banco Central americano no sentido de conter a escala dos preços.

A pandemia “bagunçou” a economia e o desequilíbrio entre oferta e procura por bens e serviços se acentuou. Os produtores reduziram a quantidade ofertada e os demandantes focaram o consumo em bens essenciais. Os preços das commodities explodiram, que combinados com a alta na cotação do dólar, trouxeram novamente o temor pela escalada dos preços, portanto, inflação na veia.

Aos poucos as coisas começam a voltar ao normal. Mesmo considerando os monopólios e oligopólios, realidades da economia brasileira, isto é, ter no mercado um único ofertante ou poucos ofertantes em importantes setores da economia, há um limite para a alta de preços, e este limite é a renda das pessoas.

Com o fim da indexação automática dos salários, a cada alta de preços dos bens essenciais e normais, o consumidor recua, ou levando menos quantidades ou substituindo por bens inferiores. O poder aquisitivo em queda já é sentido, por exemplo, nas vendas dos supermercados. Isso tudo potencializado pelo elevado desemprego e crescimento de número de casos de covid-19.

Em nível internacional os preços das commodities tendem a atingir seu pico. Não há como subir os preços infinitamente. Também o efeito da alta dos juros no Brasil chegou ao câmbio, com o Real se valorizando frente ao dólar. Isso tudo é capaz de derrubar os preços na ponta.

A má notícia é que este ambiente mais benigno para a inflação ainda não chegou ao consumidor, portanto, conviveremos por um período com os preços ainda pressionados, exigindo, inclusive novos aumentos na taxa de juros, fato que foi relatado na ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central brasileiro.

A boa notícia é que inflação de dois dígitos ao mês faz parte do passado que não queremos mais que volte, e que os governos passaram a utilizar em sua plenitude os instrumentos de política macroeconômica para combater os desequilíbrios do mercado.

Em resumo: os preços dos bens e serviços tendem a ceder. É questão de tempo. Até lá se puder substitua ou reduza a quantidade demandada por bens e serviços, exercendo o soberano poder de consumidor.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Uma Cidade em 360 graus

Cidade 360 graus

Sem dúvida a vida moderna exige de todos nós o que podemos denominar de “visão 360 graus”. Esta visão em todos os ângulos leva em conta a utilização das habilidades que temos através do desenvolvimento das nossas inteligências, praticando a visão sistêmica, deixando simples forma de enxergar e passando para um outro nível, que é o ver, permitindo que estejamos à frente e o que mais importante, fazendo acontecer.

Colocar em prática a visão 360 graus é estabelecer o adequado diagnóstico dos problemas que nos cercam, para implementar o melhor prognóstico, visando sair na frente, e efetivamente fazer com as coisas aconteçam.

Uma cidade como Bauru, e por que não dizer, a região de Bauru, precisam discutir seu futuro. Para tanto é fundamental entender em que ponto estão, para que, com o adequado planejamento, atingir a tão desejada qualidade de vida.

Um campo fértil para estas discussões é meio jornalístico. Em tempos de Fake News, de redes sociais em que proliferam informações infundadas, em um momento que a reação das pessoas é instantânea, não é possível que a população seja massa de manobra. A informação sem se transformar em conhecimento, não é nada.

Dar ouvidos aos que possuem uma visão míope dos graves problemas locais é estimular ainda mais a desinformação.

Para a prática do jornalismo ético, sem amarras, com independência, que seja plural e que forme opinião, foi lançado na última segunda-feira o programa jornalístico “Cidade 360”. Ele é fruto da junção das redações do Jornal da Cidade, do JCNet e da 96 FM Bauru, naquilo que podemos denominar de jornalismo colaborativo. Isso tudo em múltipla plataforma, com som e imagem, integrando rádio, com a internet e com as redes sociais (Youtube, Facebook).

O objetivo é dar voz e vez a todos e ao mesmo tempo auxiliar na construção do cidadão consciente, que conhece seus deveres, mas que também quer ser respeitado em seus direitos, para ser o sujeito da história.

Queremos ir muito além da notícia, e auxiliar os ouvintes e internautas na prática da visão 360 graus: ver, indo muito além do enxergar.

Faço parte deste time e o que me motiva a integrar esta equipe é que queremos fazer a diferença, tratando os temas mais relevantes, sem sensacionalismo, com ampla discussão e querendo ser relevante para os cidadãos.

Visão 360 graus deixa a miopia de lado e garante uma avaliação ampliada, que faz toda diferença para a sociedade.

Acompanhe o Cidade 360 tanto no rádio na 96 FM Bauru, ou no JCNet (www.jcnet.com.br) ou nas redes sociais. Você é nosso convidado.

Visão 360 graus é a inspiração para uma Cidade que quer mudanças, para melhor! Venha conosco.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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PIB em alta: e eu com isso?

PIB em alta: e eu com isso?

A relação das pessoas com a notícia mudou de maneira considerável. De um acompanhamento praticamente passivo, a facilidade que o leitor tem para interagir, permite estabelecer juízo de valor sobre todos os temas. Quando o assunto é economia então, as avaliações vão de A à Z.

Um dado relevante e amplamente divulgado é o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deste ano e as revisões das projeções de seu desempenho para o ano fechado.

O resultado de alta de 1,2% nos três primeiros meses deste ano comparado ao último trimestre do ano passado veio acima do esperado pelo mercado e gerou uma revisão, para melhor, do desempenho do ano fechado, sendo que as projeções mais otimistas indicam alta acima de 5% em 2021. Isso mexeu positivamente com o mercado.

As reações das pessoas foram as mais variadas possíveis. De uma jornalista que, aparentemente se expressou de maneira equivocada, dizendo que “infelizmente” teria uma boa notícia que seria o bom desempenho do PIB brasileiro, até aqueles que questionam, “afinal para que serve um PIB em alta?”, o que mais se vê é o não entendimento do que esta alta efetivamente significa.

O primeiro e importante esclarecimento sobre o PIB é deixar claro que este indicador, que mede a riqueza do País em determinado período do tempo, está no campo da macroeconomia, e como tal aponta o desempenho do agregado econômico, isto é, indicar crescimento de 1,2% ou de 5% é estabelecer um parâmetro global, sem individualizar a análise. É que denominamos visão da ‘floresta” e não das “árvores” isoladamente. Já por este prisma fica claro que a melhora do PIB afeta distintamente os agentes econômicos. Em um PIB acima de R$ 7 trilhões é claro que alguns setores vão muito bem e outros nem tanto.

Se focarmos nas famílias, agentes de consumo, a distância entre o crescimento do PIB e a melhoria da qualidade de vidas das famílias, é enorme. Como explicar para mais de 14 milhões de desempregados que a economia brasileira está em recuperação e que será um ano a ser comemorado? Novamente surge a imagem da “floresta” e das “árvores”.

Qualquer pessoa, mesmo os iniciantes no estudo econômico, aprende que crescimento econômico não é o mesmo que desenvolvimento econômico.

O exemplo mais utilizado para entender esta diferença é pensar em um bolo. Com o uso adequados dos insumos, o bolo cresce, mas isso não quer dizer necessariamente que mais pessoas comerão o bolo, à medida que alguém pode ficar com as fatias maiores, agora, sem que o bolo cresça, não há como atender mais pessoas. Aí que entra o desenvolvimento econômico, um ponto à frente do simples crescimento, pois ataca as desigualdades sociais e busca o bem-estar das pessoas.

Por mais que sejamos críticos quanto a atuação do atual governo e de sua equipe econômica, desdenhar da possibilidade de maior crescimento da economia, é um reducionismo absurdo, com visão extremamente individualista, de quem não entende que um bolo maior abre espaço para mais pessoas usufruírem do mesmo.

Sem dúvida estamos muito distantes de atingir a tão sonhada justiça social e a pandemia de Covid-19 potencializou esta questão, contudo, negar que a pré-condição para levar o País no caminho do desenvolvimento econômico e obter crescimento econômico, é torcer para que o quanto pior melhor, prevalecendo os interesses eleitoreiros e a luta pelo poder.

PIB cresceu, e eu com isso? Resposta mais que direta: abre possibilidade de geração de emprego, renda e se tivermos políticos sérios, levar ali na frente à melhoria na qualidade de vida dos brasileiros.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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O PIB brasileiro: acima das expectativas

O PIB brasileiro: acima das expectativas

O IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgou dados oficiais do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, indicador de geração de riquezas, e veio positivo em 1,2% no primeiro trimestre deste ano. Este resultado veio acima das expectativas do mercado, que projetava 1% para o período.

A melhora da produtividade no campo, avanço nas atividades extrativas e o bom desempenho dos serviços, são alguns dos fatores que puxaram a atividade econômica para cima.

A economia brasileira demonstra um vigor apesar de seus desequilíbrios. A inflação é uma preocupação, bem como a taxa de desemprego que atinge mais de 14 milhões de brasileiros. Está em curso a mudança de direção da política monetária, menos frouxa, isso sem contar a necessidade de reformas estruturais para sustentar o crescimento econômico de longo prazo. Mesmo diante de tantos desafios o potencial da economia brasileira é inegável.

Considerando que está em curso um cenário mais otimista do ponto de vista sanitário, tendo como principal motivo o avanço da vacinação, tanto aqui no Brasil, como no resto do mundo, as projeções de crescimento da economia brasileira já apontam para um patamar acima de 5% para este ano. Podem ser projeções muito otimistas, mas não há dúvida que o ambiente de negócios melhorou.

Independentemente de o crescimento do PIB atingir 4% ou 5%, o que está posto é que o segundo semestre promete. É evidente que o desempenho não será uniforme. Com problemas climáticos o setor primário perderá produtividade no segundo semestre. No setor secundário, a indústria de transformação ainda patina, e setores de bens de capital, terão desempenho em menor ritmo. O comércio e serviços também terão comportamento não linear.

O consumidor ainda está ferido financeiramente, portanto, continuará seletivo, contudo, os mais abastados, tirarão o atraso, e movimentarão o mercado de bens supérfluos, e demandarão mais serviços, como os ligados ao turismo e lazer.

Mesmo em ambiente político conturbado, com CPI da Pandemia e discussões sobre as eleições presidenciais do ano que vem, tendo ainda que dar velocidade nas reformas administrativa e tributária, os agentes econômicos apostam no potencial da economia brasileira, em seu mercado consumidor, que combinado com o apetite internacional pelos produtos brasileiros, dão pano de fundo para este otimismo.

Neste contexto é fundamental a equipe econômica do governo Bolsonaro mantenha-se firme nos aspectos técnicos, com rigor fiscal, não permitindo que decisões populistas tomem a cena, gerando um ambiente mais seguro para os negócios.

Ceteris-Paribus (mantendo as variáveis constantes) é possível sim pensar em um desempenho econômico melhor do que o esperado para este ano.  Os números do primeiro trimestre confirmam esta expectativa.  

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Pandemia acelera a “Nova Economia”

Pandemia acelera a “Nova Economia”

Quem se interessa pelo estudo econômico sabe que um dos fundamentos desta ciência é equacionar a questão da escassez de recursos diante de necessidades humanas ilimitadas. Neste contexto é preciso fazer escolhas para maximizar o uso dos recursos.

Quando surgiu a internet foi pinçada a expressão “Nova Economia”. Um dos pilares para rotular com esta expressão seria a inversão no tocante a escassez, à medida que a internet inaugurava a abundância, à medida que seu maior produto é a informação. Nesta mesma linha o avanço tecnológico reforçou esta nova forma de enxergar os conceitos econômicos.

Muitos anos se passaram e a “Velha” e “Nova” economia tiveram altos e baixos neste período. Com a crise sanitária provocada pela pandemia de Covid-19, atingindo em cheio a economia mundial, questões relevantes da “Nova Economia” passaram a ocupar espaço nas percepções e discussões dos agentes econômicos.

Podemos de alguma maneira dizer que envolve transformações na relação entre empresas e consumidores (que faz parte do estudo microeconômico). Houve uma aceleração na evolução nas questões envolvendo o mundo dos negócios.

Palavras como ecossistemas passou a fazer parte deste mundo que envolve empresas tradicionais e as startups de tecnologia. Isso indica uma nova fase de desenvolvimento do País. Estamos falando de inovação, agilidade, todas focadas em gestão, flexibilidade e compromisso com a sustentabilidade.

Tudo isso já vinha criando corpo, mas como colocado, a pandemia serviu para dar velocidade. Atuar na “Nova Economia” é criar demandas que se baseiam na agilidade. Os consumidores modernos têm pressa e está cada vez mais bem informado. É preciso entender e atender suas expectativas.

Outro ponto relevante está ligado as falhas na operação dos negócios. Quem atua no mercado deve admitir rapidamente o erro e buscar soluções com transparência e levar as organizações a reverem seus processos.

Em tempos de home office, é preciso ter um time fortemente engajado com os objetivos das corporações e é imprescindível confiar na equipe de colaboradores. Isso garante segurança na tomada de decisões e na superação das expectativas.

Outro ponto fundamental é ficar atento a transformação do modelo de negócios. É velha questão de que o “sucesso do passado, não garante o sucesso do futuro”. O digital é irreversível. Conexões entre os funcionários, fornecedores, clientes, distribuidores e até mesmo o governo, passam a fazer parte da gestão moderna.

Em resumo, mesmo diante da necessidade de mudanças constantes da estratégia devido as incertezas que a pandemia trouxe e traz no dia a dia, garantir um pensamento de longo prazo, tendo claramente definido seus propósitos, fidelizando seus clientes a estas crenças, com estratégia adequada de divulgação, garantem retornos constantes ao longo do tempo.

A “Nova Economia” vai além do sistema interno da organização. Opera em sistemas abertos que o resultado de dois mais dois vai ao infinito. Definir poucos e bons indicadores de desempenho, ter conhecimento do ciclo de vida do consumidor e destinar parcela importante dos recursos para inovação e capacitação da equipe, são questões presentes que garantirão a sobrevivência dos negócios. A pandemia efetivamente deu velocidade a estas mudanças.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Bauru e seus “puxadinhos”

Bauru e seus “puxadinhos”

A palavra “puxadinho” “aponta para uma prática, bastante disseminada no Brasil, de ampliar uma moradia, adicionando uma construção, como uma extensão, uma edícula ou outra. A formação da palavra com diminutivo “–inho” indica um sentido popular, de realizar algo nos limites entre o permitido e o não permitido”. Eu acrescentaria, fazer algo improvisado.

Ao longo da história de Bauru muitas questões estruturais ficaram pendentes. De governo a governo algumas “heranças” e muitos “esqueletos” retardaram o crescimento sustentado do município.

Como uma verdadeira sanfona importantes temas são pautados, quer por alguma uma denúncia, quer por ação do legislativo local, quer pela necessidade da sociedade.

Um destes temas que possui uma recorrência nunca antes vista, é o DAE. Esta importante autarquia municipal sofre em sua gestão pressão política que criou corpo ao longo dos anos. De um lado os agentes políticos querendo emplacar seus apadrinhados, de outro funcionários de carreira praticando politicagem, tornando a “joia” da coroa algo questionável, ao ponto de ser instalada uma Comissão Especial de Inquérito na Câmara Municipal para analisar a aplicação do Plano Diretor de Águas, contratado a preço de ouro, o qual tornou-se inclusive uma Lei Municipal.

Se houvesse uma pesquisa de satisfação junto à população perguntando sobre dos dois grandes produtos que DAE entrega, ou seja, água e esgoto, certamente o resultado seria: não faz bem nem uma coisa nem outra.

Ainda no contexto do DAE temos a enroscada construção da Estação de Tratamento de Esgoto. Obra com recursos próprios e a fundo perdido, obra que apresentou tantas imperfeiçoes em seu projeto, que ninguém ousa apontar quando se dará a entrega definitiva da mesma. Sequer discutimos o modelo futuro de gestão. É uma vergonha para uma cidade do porte Bauru não tratar seu esgoto. Esta obra é um exemplo emblemático dos puxadinhos da cidade.

A EMDURB é outro esqueleto. A cada virada de governo cria-se a expectativa que ela se reinvente, contudo, mudanças estruturais são adiadas e novamente convivemos com uma empresa deficitária e que tem dificuldades em entregar com qualidade serviços pelos quais foi constituída, como uma boa coleta de lixo, administração do trânsito e realização da manutenção dos cemitérios da cidade, entre outros. Até quando a cidade irá conviver com este modelo de gestão que não atende aos anseios da população?

A COHAB, mesmo atualmente estando em boas mãos, é outra herança indesejada. Com passivo a descoberto (seus ativos são insuficientes para cobrir seus passivos) sem cumprir a finalidade pela qual foi criada, com denúncias de desvios e corrupção sem precedentes na história de Bauru, ainda não teve por parte da administração atual, a transparência necessária para a sociedade bauruense saiba qual será o futuro da companhia.

Além destes “puxadinhos” e “esqueletos” no dia a dia surgem temas tais como o abandono do castra móvel (tudo indica que finalmente voltará a operar), a manutenção dos próprios municipais, ou melhor a falta de manutenção, o projeto de revitalização do centro da cidade, o parque proposto para as proximidades da Nações Norte, e ainda, o futuro da Estação Ferroviária, cujo investimento atinge quase R$ 12 milhões (valor atualizado pela inflação), e que não trouxe  nenhum benefício efetivo para a população. Isso sem mencionar a questão dos precatórios da desapropriação da floresta urbana, entre outras.

Se no passado clamei para que quem fosse governar a cidade atendesse o sonho de um cidadão e eleitor bauruense, resolvendo os graves problemas da cidade, agora grito com todas as minhas forças: Prefeita e equipe da Prefeitura, ainda dá tempo de acabar com os verdadeiros puxadinhos desta cidade, afinal estão com poucos de meses gestão, mas para que isso ocorra, é preciso tornar público em que ponto estamos e em que ponto chegaremos, isto é, com planos de ação. Caso isso não ocorra, corremos o risco de ser mais do mesmo. Deste modelo já estamos cansados.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Juros e inflação

Juros e inflação

Com alta de 0,31% em abril, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), inflação oficial do País, acumula no ano 2,37% e em 12 meses 6,76%. Vale lembrar que o Banco Central fixou como meta 3,75% para este ano e esta não será cumprida.

Apesar de a inflação atual ter característica de inflação de oferta, ou seja, aumentos de custos repassados aos preços, o Banco Central optou por atacar a demanda. Abriu mão da política monetária mais frouxa, iniciando o aperto monetário. A taxa básica de juros está em 3,5% ao ano, saindo de menor marca histórica que era de 2% ao ano. Promoveu duas altas consecutivas. E o Banco Central sinaliza com nova alta na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) que se dará em junho, o que elevará a taxa Selic para 4,25% ao ano.

Apesar de os juros atacarem mais a inflação de demanda do que a inflação de oferta, juros maiores têm alguns efeitos importantes para o controle inflacionário. O primeiro efeito, quando não há outras variáveis influenciando, é aumentar o fluxo de moeda estrangeira no País. Aplicar em papéis do governo fica mais atrativo, principalmente quando o investidor combina taxa de câmbio de entrada e de saída com juros maiores (apesar de ainda perderem para inflação).

No caso do dólar, há ampliação da oferta, derrubando sua cotação. Dólar desvalorizado frente ao Real, menor pressão sobre os custos das empresas, notadamente dos insumos e matérias-primas que de alguma maneira são indexadas a moeda norte-americana.

Juros maiores também atingem o psicológico do consumidor. Quem tem excedentes financeiros, ao constarem que a taxa de juros subiu tendem a adiar o consumo, aplicando seus recursos. Na outra ponta, aquele que usa o crédito para adquirir bens, contando com a renda futura, tendem a se retrair. Ambos os comportamentos tendem a derrubar os preços dos produtos financiáveis, o que podem neutralizar ou reduzir o impacto da alta de preços de bens de consumo imediato, como os alimentos.

Tudo isso tem um preço: menor crescimento econômico. Isso atinge a geração de empregos, mantendo muitos trabalhadores que estão à margem da sociedade, contudo, beneficia a camada mais pobres da população, que é aquela que mais sofre as consequências da carestia. São escolhas, e a meu juízo, correta neste momento. É preciso combater o mau maior, no caso, a inflação.

Fica evidenciado que a tentativa do Banco Central em mudar a política de juros no Brasil teve curta duração e de alguma maneira terá que oferecer daqui para frente a “ração” que o mercado deseja: mais juros na ponta.

Tudo dentro do previsto à medida que, em um País que possui a memória inflacionária, que sempre teve no mercado financeiro sua maior atratividade, em um País que apesar de praticar taxa básica de juros de 2% ao ano, permite, na ponta, juros de mais de 300% para algumas modalidades de empréstimos, não conseguiria impor um novo e desejável modelo de política monetária.

Mesmo acertando a decisão em elevar juros para conter a inflação, está demonstrado que no Brasil na prática a teoria é outra. O Banco Central se rende a esta realidade.

Juros e inflação Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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O que esperar da Reforma Tributária?

O que esperar da Reforma Tributária?

Finalmente a Reforma Tributária entrou na pauta nacional. Há anos este tema é abordado, mas de concreto mesmo, poucos foram os avanços no sentido de atender aos anseios dos agentes econômicos.

O Brasil tem, para seu padrão de renda e contrapartida de serviços públicos, uma carga tributária elevada. Dependendo do período analisado, oscila entre 35% e 38% do Produto Interno Bruto. Países emergentes, portanto, semelhantes ao nosso, praticam carga tributária de até 10 pontos percentuais menor.

Além da elevada carga tributária, o sistema é complexo e injusto. Existem 92 tipos de tributos (impostos, contribuições e taxas). As organizações precisam ter um batalhão de profissionais para atender a Legislação Tributária. Um verdadeiro desperdício de recursos. Isso permite entre outras coisas a prática de elisão fiscal (pagar menos tributos legalmente) e incentiva a sonegação fiscal.

Outro aspecto importante é ausência da chamada justiça tributária. Ao longo do tempo foi muito mais fácil avançar na tributação indireta (impostos indiretos – incidem sobre a produção e consumo) do que na direta (sobre a renda e patrimônio). Os impostos diretos guardam proporcionalidade com a renda ou patrimônio, enquanto os indiretos não.

Para ilustrar esta questão tomemos uma pessoa que ganha um salário mínimo por mês, portanto, R$ 1.100,00. Nesta faixa de renda este contribuinte está isento do imposto de renda na fonte, contudo, como a renda é baixa, e será totalmente gasta em consumo, quando somam-se os tributos incidentes sobre os bens e serviços adquiridos, confrontando com a renda deste cidadão, o peso sobre sua renda será infinitamente superior a alguém com renda 10 a 20 vezes maior.

Diante deste cenário o que é possível esperar da Reforma Tributária? Considerando que será difícil atender a todos os anseios, afinal, as esferas federal, estadual e municipal não querem perder arrecadação, e que o setor privado da economia deseja menor carga tributária e que o cidadão quer pagar menos e acessar serviços públicos de qualidade, a resposta à pergunta é: não devemos esperar a reforma ideal e sim a reforma possível.

O primeiro e importante passo é a simplificação do sistema tributário. Reduzir drasticamente o número de tributos eliminando o peso do controle burocrático para apurar os tributos. O segundo passo seria reduzir a participação relativa dos impostos indiretos, ampliando a participação dos impostos diretos no total da carga tributária vigente. E não menos importante é focar em entender as concessões tributárias oferecidas ao longo do tempo, ou seja, levantar tecnicamente custo/benefício dos programas de isenção e incentivos tributários, os quais beneficiam certos setores da economia.

Dentro do cenário possível, confesso que estou cético quanto a redução da carga tributária, mas espero que efetivamente a Reforma Tributária simplifique o sistema e traga justiça tributária.

Por último penso que uma Reforma, com tantos atores e interesses, deve ser um projeto de Estado e não de Governo, de tal maneira que periodicamente possamos migrar de um modelo para o outro, tendo como pano de fundo, a redução do Custo Brasil, aumento de produtividade, e redução drástica da sonegação. Insisto, tendo sempre a finalidade, a prática da justiça tributária.

Considerando a classe política e jogo de interesses, tenho muitas dúvidas se chegaremos lá.

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Auxílio emergencial chega tarde e com baixo efeito na economia 

É inegável que qualquer que seja o valor a ser destinado as pessoas que estão sem renda é bem-vindo, porém, o novo auxílio emergencial além de chegar tarde, terá baixo efeito na economia.

Chega tarde porque o Congresso Nacional não priorizou a votação do Orçamento da União para 2021. Mesmo votado neste ano, portanto, com atraso, o Orçamento ainda não foi sancionado devido as tentativas de “pedaladas” por parte dos Congressistas e agora busca-se uma costura política para que o Executivo Federal não cometa crime de responsabilidade.

Entre vários problemas no Orçamento estão a redução de verbas obrigatórias, excesso de recursos destinados às emendas dos parlamentares e o risco do não cumprimento do limite de teto de gastos. É um Orçamento “maquiado”. Estamos no mês de abril sem ter um Orçamento do ano aprovado. Inacreditável!

Mas voltemos ao auxílio emergencial. É evidente que muitos não imaginavam que nesta fase do ano teríamos o crescimento elevado nos casos e mortes de covid-19. Também não imaginávamos que depois de tudo que o País passou o fechamento das atividades econômicas fosse um dos poucos caminhos a ser adotado pelos governantes.

Empreendedores com queda no faturamento, trabalhadores sem emprego, são parte de uma triste realidade que tem levado milhões de brasileiros a miséria. O auxílio emergencial chega para mais de 45 milhões de brasileiros, mas estes estão endividados, com baixa qualidade em sua alimentação, tendo que conviver com a carestia que se instalou no País.

Serão R$ 44 bilhões injetados na economia em 4 meses. Este valor representa cerca de 14% do total pago com auxílio emergencial o ano passado, que totalizou cerca de R$ 300 bilhões e ajudou em muito na recuperação da economia no segundo semestre do ano passado. Observem que a magnitude do auxílio não deve mexer muito com a economia. De um lado, a demora na liberação dos recursos pega famílias tendo que honrar compromissos que ficaram para trás, como água, luz e outros compromissos básicos, e de outro lado, não haverá excedentes que tragam impacto significativo na economia.

Talvez, reforço, talvez, a combinação deste auxílio com eventuais antecipações no pagamento do décimo terceiro salário aos aposentados e pensionistas, mais outras decisões que antecipem pagamentos na área social, possam de alguma maneira criar um volume de recursos capaz de trazer um alento aos agentes econômicos.

Podemos manter a projeção de crescimento econômico para este ano, mas devemos contar muito mais com a velocidade de vacinação e um olhar diferente dos governantes quanto as decisões em fechar tudo, do que com a chegada destes recursos na economia.

Pelo andar da carruagem teremos um primeiro semestre com desempenho abaixo do desejável, e um segundo semestre que pode tirar o atraso. Aos agentes econômicos resta estabelecer estratégias que permita sobreviver até lá.

Como sempre o setor público caminha a passos de tartaruga, contrastando com a urgência na solução dos graves problemas econômicos e sociais do País.

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Como era esperado renda dos idosos despenca

Como era esperado renda dos idosos despenca

Não seria necessário ser especialista em economia e finanças para projetar o estrago que a pandemia faria com a camada mais pobre da população em especial aos idosos.

Políticos que tentaram surfar como heróis no combate a pandemia erraram feio em suas estratégias, e sem um ordenamento de ações que evitassem que atingíssemos o caos na saúde, realidade da maior parte dos estados brasileiros, em especial o estado de São Paulo que não para de bater recorde de casos e mortes (e de falta de leitos), juntamente com um Ministério da Saúde omisso, a miséria chegou.

Façamos um recorte nos idosos brasileiros. Estudo divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que durante a pandemia de covid-19, houve diminuição de renda em quase metade dos domicílios de idosos, principalmente nos mais pobres.

Além do aspecto financeiro, a pesquisa ainda aponta o aumento de sentimentos relacionados à solidão e tristeza, sobretudo entre as mulheres. A coleta de dados foi eletrônica, cujo questionário foi preenchido por 9.173 pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, entre abril e maio de 2020.

Os resultados chamam a atenção. A pesquisa mostrou que 50,5% dos idosos trabalhavam antes da pandemia, dos quais 42,1% sem vínculo empregatício. No período considerado pela pesquisa foi registrada queda na renda em 47,1% dos domicílios, e o que é mais grave, 23,6% relataram forte redução e até mesmo ausência de renda.

No recorde daqueles que trabalhavam sem carteira assinada, a queda na renda ocorreu em 79,8% dos lares e a ausência de renda atingiu 53,3%. Aqui chama a atenção que somente 12% dos pesquisado apontaram que receberam algum auxílio governamental.

É importante destacar que muitos idosos sustentam sozinhos suas famílias, por vezes, abrigam em suas casas seus netos, portanto, reduzir a renda de um idoso é atingir outros membros da família.

Se não bastasse a questão econômica, a pesquisa aponta que dos 87,8% do total que seguiram um isolamento social de maneira intensa, tiveram aumento na sensação de tristeza ou depressão.

Sem dúvida a pandemia atingiu muito forte todos nós, mas também não há dúvidas que as famílias mais carentes estão sofrendo muito mais. Por este prisma, conclui-se que as Autoridades Públicas pouco ou quase nada entenderam do comportamento da população e insistem em politizar suas decisões, deixando de atacar as causas dos problemas. Depois de um ano de pandemia continuam tomando decisões erradas. Todos perdem.

Está evidenciado que é um equívoco do político que insiste em usar o tamanho de sua régua para definir isolamentos, distanciamentos e até lockdowns e ainda por cima não ter nenhuma empatia com os mais pobres, que precisam de assistência na saúde, mas não podem ter sua renda precarizada.

Enquanto alguns praticam o isolamento “gourmet” o grosso da população caminha a passos largos para a miséria, e o que é pior, tristes e deprimidos. Uma história triste de um Estado que deveria ser referência para o resto do País, mas é o recordista em cometer erros na condução da pandemia. Os resultados desta má condução estão nas estatísticas de casos e mortes, só não vê quem não quer.

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