Pratique duas questões-chaves: protocolo e adaptação

Protocolo

Os efeitos positivos e negativos da pandemia do Covid19 serão sentidos ao longo do tempo. Todas as ciências, desde a saúde, passando pela economia, transitando pela sociologia, chegando à psicologia, entre outras, estão tentando explicar o que representa para todos nós e para todos os setores da sociedade este momento ímpar da humanidade.

Neste contexto, depois de interagir com inúmeros profissionais, principalmente neste novo momento das “lives”, indico duas questões chaves que podem ser utilizadas tanto na família, na empresa, enfim, na sociedade como um todo, são elas: protocolo e adaptação.

Está evidente que o mundo não voltará a ser o que era antes da pandemia. As relações entre pessoas e o mundo dos negócios mudarão. Se isso é verdadeiro, tudo indica que quem for capaz de mais rapidamente de estabelece protocolos que preservem e previnam a saúde e ainda se adaptar ao que estão denominando de “novo normal” conseguirão resultados mais rapidamente.

No curto prazo a retomada das atividades, tanto sociais como no mundo dos negócios, se dará a partir de um rigoroso protocolo de convivência. Posto que estamos ainda longe de uma solução definitiva no tocante a prevenção e combate ao Covid19, e que as coisas não voltarão ao normal, quem for capaz de demonstrar a sociedade como um todo que segue rigorosamente um protocolo que mitigue riscos à saúde, certamente terá a empatia das pessoas. Pensando no mundo nos negócios pergunto: o que levaria você e sua família a saírem de casa para ir até um restaurante, tendo o risco em contrair o Covid19? Certamente um dos principais pontos será o quanto você se sentirá seguro do ponto de vista sanitário, para consumir naquele ambiente. Isso se aplica em todos setores de nossa vida. Assim, estruturar um protocolo e divulgar de maneira clara o rigor de sua construção, atrairão pessoas.

Pensando em médio prazo, principalmente para quem é empreendedor a outra questão chave está ligada à sua capacidade de adaptação. Isso vai na linha de entender o comportamento deste “novo” consumidor. Com renda achatada, focando seu orçamento para os bens considerados essenciais, a equipe comercial, e em especial a equipe de vendas, terá um desafio adicional em despertar novamente o desejo deste consumidor. A estrutura da empresa terá que se adaptar, em todas as áreas, a este novo momento.

Os profissionais, liberais ou não, também precisarão se adaptar a este novo mercado. As carreiras, os resultados esperados, enfim, aquilo que cada de um de nós projetou como realização profissional, precisarão ser revistos, adaptados e ajustados as novas formas de desenvolver a carreira. Isso garantirá sobrevivência no mercado.

O indicativo é que aproveitemos nosso tempo, que está de alguma maneira reduzido pela queda no nível da atividade econômica, e até mesmo pela quarentena (pelo menos para parte da população), e nos preparemos para estas duas novas questões: sermos rigorosos nos protocolos, e sermos capazes de nos adaptar a este novo momento.

Não adie mais refletir e colocar em prática estas questões.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru -ACIB. 🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/

Efeito COVID-19 nas contas públicas

Efeito COVID-19

Ninguém sabe ao certo a dimensão do efeito da COVID-19 nas contas públicas. Com a atividade econômica em compasso de espera não há geração de riqueza, e consequentemente ocorre perda na arrecadação tributária.

O Estado, em todas suas esferas, exerce papel na atividade financeira visando obter receitas, gerenciar receitas e utilizar as receitas.

Antes mesmo da pandemia provocada pelo novo coronavírus, era questionável a competência dos Entes Púbicos em exercer na plenitude este papel. Mesmo com a lei de responsabilidade fiscal, muitos políticos eleitos para os cargos no executivo, não foram capazes de gerenciar e utilizar as receitas com competência. São sim muito ferozes na obtenção das receitas (vide a elevada carga tributária no Brasil, que chega a 35% do Produto Interno Bruto).

Isso se comprova na alocação duvidosa dos recursos. Se efetivamente tivessem se concentrado na utilização dos recursos públicos na direção correta, principalmente na segurança, educação e principalmente na saúde, o quadro atual seria outro.

No caso específico da saúde, se os investimentos públicos fossem aplicados na direção de prover as cidades com uma infraestrutura mínima no tocante a leitos hospitalares, em especial em leitos devidamente equipados, a paradeira atual das atividades produtivas e isolamento das pessoas poderiam ser evitados ou no mínimo reduzidos.

Além de exercerem inadequadamente o papel pleno da atividade financeira, o que se vê atualmente é nada ser divulgado na direção de como as contas fecharão daqui para frente. Neste contexto só há uma certeza: as receitas cairão, mas a armadilha dos custos fixos do setor púbico, muitos deles sem possibilidade de redução no curto prazo, colocarão os municípios em colapso financeiro.

Nem mesmo os recursos advindos do governo Federal e Estadual para socorro emergencial serão capazes de reduzir o impacto desta queda de arrecadação ao longo do tempo.

Em nível local é imperativo, e não há mais como adiar, a apresentação de um plano de contingenciamento de gastos. As diversas Secretarias Municipais precisam indicar a revisão de seus orçamentos. Isso vale para o DAE, Emdurb e até mesmo para a falida COHAB.

O que está em jogo não é o curto prazo, mas sim a capacidade de gestor público indicar cenários também nos médio e longo prazos.

Não fazendo algo nesta direção o estrago será enorme e alguns custos dispendidos agora não terão volta. Administrar o setor público municipal e suas contas em especial, imaginando que algum milagre ocorrerá e que tudo caminha na normalidade é desconhecer por completo o devastador impacto financeiro que o setor privado vem enfrentado. Não haverá imposto gerado!

A COVID-19 trará impactos profundos na arrecadação tributária, que somente com análise detalhada dos gastos públicos, cortando na própria carne, é que agiremos com responsabilidade fiscal.

Fica aqui o alerta: até quando o município vai esperar para apresentar o plano de redução de gastos públicos?

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru -ACIB. 🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/

A cigarra e a formiga

cigarra e a formiga

Uma das fábulas mais conhecidas no mundo “a cigarra e a formiga”, do original “o gafanhoto e a formiga”, retrata em boa parte como a pandemia do COVID-19 impacta de maneira diferente as pessoas, e em especial como determinadas Autoridades Públicas vêm tratando a questão.

A fábula aponta que a cigarra canta durante o verão, enquanto as formigas trabalhavam para acumular provisões em seu formigueiro. No inverno, desamparada, a cigarra faminta pede-lhes um pouco de grãos que colocaram para secar; perguntada sobre o que fez durante todo o verão, responde que não teve tempo para acumular comidas pois passou o tempo todo cantando.

São inúmeras as leituras atuais desta fábula. Uma lição vai no sentido de que cada família precisa em tempos de plenitude da força de trabalho, “provisionar” reservas para os tempos bicudos. Isso serve para as empresas, notadamente as de menor porte.

No tocante ao comportamento das Autoridades Públicas, felizmente somente parte delas, além de não terem uma gestão voltada a criar “reservas” financeiras e investirem os recursos públicos no que mais atinge a população, e no caso presente, há clara evidência que seria no setor de saúde, ainda enfrentam crises como a atual como se estivem em palanques eleitorais.

As “Autoridades” cigarras “cantam” em busca de holofotes. Assumem comportamentos completamente divorciados da real situação da população. Se não bastasse isso prometerem soluções que não são concretizadas, são insensíveis no tocante ao amparo dos menos favorecidos. Só par exemplificar esta situação, milhões de brasileiros em nível Brasil e milhares em nível local, considerados cidadãos invisíveis ao setor público, precisam de ajuda.

As cigarras são incapazes de oferecer, por exemplo, ajuda para um simples cadastramento para receber auxílio governamental. Permitem que estes estejam em filas, na rua, sem mexer uma palha, como oferecer cadeiras, tendas, entre outros equipamentos para reduzir a dor da espera. Com equipamentos ociosos no setor público, as cigarras não abrem frentes em creches, escolas, igrejas, templos, visando ir ao encontro desta população.

As cigarras exigem uso de máscaras, e agora indicam até multas, mas não mexem uma palha no sentido de oferecer pelo menos orientação de como seria o uso correto destas máscaras.

No aspecto econômico, não divulgam nenhum indicador de desempenho que permita avaliar qual a dimensão da crise em nível local, e mais que isso, como, de maneira planejada, a cidade sairá da crise.

Enquanto as cigarras cantam, as formigas, formadas por micro, pequenos, médios e grandes organizações continuam trabalhando. Também as cigarras formadas por profissionais liberais, por trabalhadores da construção civil continuam firmes na labuta. Formadas ainda pelos heróis da saúde, pelos atendentes de supermercados, das farmácias, das padarias, e de muitas indústrias e o setor primário em especial estão aí, fazendo tripas coração para enfrentarem com dignidade este momento.

Como tudo na vida, cada um colhe o que plantou. Quem planta vento, possivelmente irá colher tempestade.

Cigarras que cantavam antes, cantam agora, mas fiquem tranquilas, as formigas continuarão labutando de sol a sol.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru -ACIB. 🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/

Coronavírus: é hora de pensar na retomada!

Coronavírus: é hora de pensar na retomada!

Enquanto parte dos políticos e da própria sociedade discutem quando será possível sairmos da quarentena no tocante a prevenção a proliferação do COVID-19, o novo coronavírus, os sábios estão traçando estratégias para a retomada das atividades econômicas.

É hora de revisitar seu planejamento, tanto no campo das empresas, como na vida profissional. Muitos comentem o erro de colocarem as questões da saúde e da economia como excludentes, pelo contrário. Isso serve também para a gestão da coisa pública, em toda as esferas de governo.

Pensando este momento como se fosse uma batalha para vencermos a guerra, a área da saúde estaria na linha de frente, com as armas disponíveis em suas mãos, enquanto outro exército de pessoas deveria estar estabelecendo as estratégias para o momento que a guerra acabar. É o olhar nos feridos, nos que se salvaram e até mesmo naqueles que “morreram” durante o combate. O que fazer neste “day after” deve ser estabelecido e planejado agora! Uma coisa não impede a outra.

Como tudo na vida vivenciamos mais um ciclo econômico. Evidentemente que este momento se apresenta com ímpar e inédito para muitos de nós, mas como qualquer ciclo econômico há o momento de baixa, mas chegará o momento da retomada.

É imperativo revisitar o planejamento estratégico. Em particular nas empresas, a forma de realizar as vendas mudará. Também a gestão de equipe terá outro formato e dimensão. Algumas crenças do passado terão que ser revistas. O uso dos recursos disponíveis deverá ser mais racional sendo necessário responder com clareza e de maneira justificada: qual a relação custo/benefício no uso do dinheiro. Quem adiou em aceitar a realidade do mundo virtual, em todos os setores da empresa, precisará repensar suas crenças.

O gerenciamento de algumas carreiras profissionais passará por revisão também. O pensamento analógico, tradicional, terá que dar espaço ao digital, otimizando o tempo e ampliando o conhecimento. O orçamento familiar passará por revisão e as prioridades deverão ser revisitadas. Ficou escancarado que gerar excedentes é fundamental para suportar com dignidade as adversidades.

As políticas públicas terão que ser revistas. Ficou latente que o setor público trata parte da população como cidadãos invisíveis, inexistentes. Escancarou a fragilidade na gestão dos recursos públicos. Veio mais do que nunca a baila que a prioridade de parte dos que gerenciam o setor público no dia a dia, está longo dos interesses coletivos. Adiam decisões que poderiam gerar mudanças estruturais importantes na gestão da coisa pública.

Aqueles que, em qualquer campo do conhecimento, ficavam presos ao passado, reproduzindo modelos de gestão empresarial e modelagem de suas carreiras e na condução da coisa pública, terão que refletir intimamente o que desejam daqui para frente. Avalio que até mesmo os valores e nossas crenças, serão revisitados.

Nunca esteve tão presente a frase “o sucesso do passado, não garante o sucesso no futuro”. Não adie mais o pensar e agir na direção da retomada da economia.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru -ACIB. 🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/

Coronavírus: a confirmada crise de liderança

crise de liderança

O termo líder pode ser conceituado como uma pessoa que funciona como guia de um grupo, tendo uma condição essencial: o líder é reconhecido como alguém com capacidade diferenciada dos demais. É alguém que seja capaz de influenciar as pessoas com suas palavras e ações, além de incentivar todos que o cercam e até uma multidão de pessoas a trabalhar na execução de um objetivo comum.

Isto posto, está mais que confirmado: o encaminhamento das questões envolvendo o novo coronavírus constata o que já era perceptível a olhos vistos – o País vive uma crise de liderança. Isso vale para o comportamento para todos os segmentos da sociedade.

No setor público em particular, a ânsia em assumir o protagonismo neste momento ímpar da humanidade e em especial do Brasil, faz com que o comandante esteja presente, portanto, é o cargo e não a pessoa que ocupa o cargo que prevalece, e não seja identificado nenhum traço do líder.

As pessoas, por não enxergarem nestas autoridades a confiança necessária para acreditar no que dizem, tendem a não acatar suas recomendações. Isso fica mais evidente ainda quando a própria Autoridade Pública não segue as recomendações técnicas.

Convivemos com comportamentos distintos no enfrentamento da pandemia do coronavírus: O Presidente da República, mesmo tendo feito em cadeia nacional um pronunciamento mais assertivo, suas atitudes pessoais “desdenham” em parte as recomendações de isolamento social, e na outra ponta Governadores de Estado e Prefeitos Municipais, utilizando-se de seus cargos para um posicionamento quase que 180 graus distantes do que entendemos como equilíbrio neste momento.

O pior de tudo é constatar que parte da população não confia plenamente em nenhum deles, deixando, portanto, o navio chamado Brasil à deriva.

É verdade que os profissionais da área da saúde estão fazendo seu papel, e merecem todos os elogios, mas é certo também que não enxergamos nenhuma liderança com L maiúsculo, alguém  com envergadura de Estadista, que seja capaz de sinalizar um caminho que de um lado conforte a população neste momento agudo, e de outro lado sinalize formas de como sairemos desta mais fortalecidos. O que denominamos de equilíbrio.

No setor privado a coisa é mais fácil porque, ou o comandante aprende no amor ou aprende na dor, senão está fora. No setor público, os cargos eletivos, garantem estabilidade, ou seja, há um mandato a ser cumprido, e não ser líder, não leva a nenhum tipo de penalização.

Sem dúvida alguma é o momento de reflexão, de desenvolvimento do senso crítico, e de observar aqueles que efetivamente podem fazer a diferença, motivando as pessoas, indicando caminhos, sendo, através do exemplo, aquele que faz a diferença, ou seja, o verdadeiro líder.

Como dizem os sábios: precisamos aprender com as crises e no caso atual, que não nasceu no ambiente econômico, e que determinadas decisões e comportamentos podem ser a diferença entre a vida e morte, o aprendizado tem que ser ainda maior.

Infelizmente a falta de lideranças, de Estadistas e de gente preparada nas organizações, nos remete a um reducionismo sem precedentes na história.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru -ACIB. 🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/

[Artigo] Liderança em tempos de crise: dicas e cuidados de como se posicionar em tempos difíceis – Por Milton Debiasi

A pedido do economista Reinaldo Cafeo, presidente da ACIB, este artigo foi produzido para colaborar com as empresas bauruenses.

Momentos de crise geram muito stress, ansiedade e até depressão, e as causas são o medo, insegurança, indecisões, falta de confiança, falta de atitude, as quais tem efeitos perversos como:

  • Não alcançar seus objetivos, desejos e resultados;
  • Pensamentos negativos;
  • Desequilíbrios emocionais;
  • Dores no corpo: cabeça, estômago, coluna e outras doenças mais sérias.
Continue lendo “[Artigo] Liderança em tempos de crise: dicas e cuidados de como se posicionar em tempos difíceis – Por Milton Debiasi”

[Artigo] Dicas de atividades para a equipe comercial durante a quarentena – Por Wagner Moraes

A pedido do economista Reinaldo Cafeo, presidente da ACIB, este artigo foi produzido para colaborar com as empresas bauruenses.


Neste momento de restrição de atividades em função da pandemia do Corona Vírus, na qual se enquadram a maioria das empresas, algumas de suas áreas podem (e devem) continuar a realizar, se não todas, pelo menos algumas de suas tarefas e/ou aproveitar para “colocar a casa em ordem”. Logicamente tomando todo os cuidados para evitar a proliferação do vírus. Inclusive realizando estás tarefas através do chamado “Home Office”.

Continue lendo “[Artigo] Dicas de atividades para a equipe comercial durante a quarentena – Por Wagner Moraes”

Novo coronavírus: estou me sentindo estranho, e você?

Novo coronavírus: estou me sentindo estranho, e você?

Tudo em torno do novo coronavírus é novidade! A humanidade observou momentos agudos no tocante as pestes e até mesmo guerras mundiais, mas parte da população atual não conviveu com um ambiente tão adverso como este. A comunicação instantânea, as redes sociais, potencializam este momento.

Eu confesso que estou me sentindo estranho. De um lado sabemos que não é momento para pânico, por outro lado, a reação da população e dos agentes econômicos em particular, tem levado a tomada de decisões emergenciais para contornar e enfrentar os problemas sanitários e econômicos.

No ambiente dos negócios a expressão de ordem é “gerenciamento de crise”. O que fazer com baixas vendas e com o crescimento da inadimplência tem tirado o sono dos gestores das organizações. Além dos aspectos de caixa, o ritmo das atividades está diferente. Quem optou por trabalhar a distância observa queda na produtividade. Decisões mais importantes são adiadas. A concretização dos negócios, ou seja, as vendas, são postergadas.

A pressão psicológica é enorme, e se não tivermos equilíbrio emocional, o pânico se instala.

Mas continuo me sentindo estranho. Somos sabedores que as coisas não podem parar, mas a lentidão dos negócios, gera um certo desespero. Em um primeiro momento temos a impressão que chegamos antecipadamente as férias de fim de ano, com aquelas emendas entre o Natal e o Ano Novo, mas a medida que o tempo passa, vem a triste realidade: estamos em março, em pleno intervalo entre o carnaval e a Páscoa, momento que tudo apontava para bons momentos no ambiente  de negócios.

Como Economista refaço diariamente as contas. Vejo a Bolsa subir e descer. O dólar, que eu não acreditava que poderia bater os R$ 5,00, observo oscilar bem acima deste patamar. As exportações estão sendo prejudicadas. O consumo doméstico será afetado.

Falar em investimentos produtivos é imaginar que os empresários têm bola de cristal, portanto, paradeira total. Enfim, somente abrindo os cofres públicos é que teremos algum refresco. Cai por terra todo esforço do ajuste fiscal projetado pela equipe econômica do governo Federal.

Enfim, sei que não é fácil contornar este momento, e se você também está se sentido estranho, angustiado, peço que busque forças sem seu interior, se agarre nos espiritual, e seja firme e coerente na tomada de decisões.

Percebi ao escrever este texto que devo, em vez de me sentir estranho, focar no que é essencial, e sem me descuidar, mas tendo determinação, enfrentar este momento adverso. Afinal não estamos sozinhos nesta luta. Entendo que de angustiado eu devo praticar meu lado estrategista.

Parafraseando Clarice Lispector: “quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado, com certeza vai mais longe”. Vamos juntos enfrentar os desafios que o novo coronavírus está impondo. Vamos deixar o pessimismo de lado. Vale a reflexão.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru -ACIB. 🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/

O corte da projeção de crescimento

projeção de crescimento

O governo Federal admitiu, através da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia, que a previsão inicial de crescimento econômico brasileiro para este ano foi revisada para baixo: caiu de 2,4% para 2,1%. As projeções constam do boletim fiscal publicado.

Os motivos para esta revisão da projeção de crescimento são conhecidos: desaceleração do crescimento econômico global, fruto do coronavírus, notadamente a dimensão que tomou na China e recentemente a entrada na Europa e Estados Unidos, também a questão recente do petróleo, envolvendo a OPEP (grupo de maiores produtos de petróleo do mundo) e a Rússia, que não chegaram a um acordo sobre a produção a oferta deste produto, derrubando seu preço internacional.

O efeito prático da possível queda no Produto Interno Bruto é que o governo irá arrecadar menos tributos do que foi projetado, as empresas venderão menos, os empregos não serão gerados na magnitude projetada, enfim, a roda da economia girará mais lentamente.

Considerando que ainda não há clareza da real dimensão do efeito, tanto do coronavírus como da crise do petróleo, para evitar novas revisões para baixo da projeção de crescimento, o Brasil precisa fazer sua parte e neste contexto, fazer sua parte é levar em frente as reformas.

Neste sentido é preciso que o Executivo Federal se harmonize com o Legislativo Federal. O próprio Ministro da Economia, Paulo Guedes, encaminhou ofício ao Congresso Nacional clamando para que a pauta econômica seja apreciada e votada com maior velocidade.

As reformas que já estão no Congresso são: autonomia para o Banco Central, a Medida Provisória do Emprego Verde Amarelo, a privatização da Eletrobrás, o Marco Regulatório do Saneamento e o Marco Legal do Setor Elétrico. Tem a inda as Propostas de Emenda a Constituição: Pacto Federativo, Fundos Públicos e Fundo Emergencial.

Não obstante a relevância dos projetos que já estão no Congresso, é imprescindível que as reformas administrativa e a tributária também sejam encaminhadas ao Congresso. Aqui não dá para entender o motivo de tanta morosidade por parte do governo Bolsonaro.

Trabalhar uma pauta positiva de reformas, demonstrando que independentemente do que ocorre no resto do mundo, o Brasil não perdeu o foco no tocante a nova matriz econômica em curso, neutralizará qualquer visão mais pessimista no tocante ao desempenho econômico brasileiro, e deixará os que gostam do quanto pior melhor, sem argumentos.

Crise se combate com trabalho e neste caso com fatos e positivos. Reformas já!

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru -ACIB. 🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/

Refazendo as contas

Refazendo as contas

A aprovação da Reforma da Previdência, que trouxe confiança aos agentes econômicos, aliada a notória melhora do ambiente de negócios, deram o pano de fundo para projeções quanto ao crescimento econômico em 2020 fossem mais otimistas.

Modelos econométricos apontaram para algo próximo a 2,5% de crescimento econômico para este ano. Como este crescimento é acima da inflação, a projeção nominal seria na ordem de 6,0% a 6,5%.

A força do ambiente doméstico puxada pelo crescimento do consumo e dos investimentos produtivos, sustentou o cálculo da projeção de crescimento.

Os eventos de início de ano não foram suficientes para abalar a confiança dos agentes econômicos, contudo, algum impacto começou a ser observado no dia a dia dos negócios. O conflito Estados Unidos com Irã foi o primeiro. Em seguida a morosidade na assinatura do acordo comercial entre Estados Unidos e China.

Concomitantemente houve um certo nervosismo no mercado quando da aprovação do Impeachment de Donald Trump (não aprovado) e internamente o retardamento no andamento das reformas administrativa e tributária.

Neste contexto, revisitar o crescimento econômico brasileiro considerando 0,1 a 0,3 ponto percentual a menos, seria factível, contudo, avaliar a dimensão do impacto do coronavírus, ou melhor a falta de elementos firmes para entender a real dimensão do impacto do coronavírus na economia mundial e em particular a brasileira não é tarefa fácil.

Mesmo com esta constatação é preciso refazer as contas. O mundo todo foi impactado com esta nova doença. A China, segunda economia mais forte do planeta, opera economicamente em dimensões que, cada ponto percentual de queda no crescimento econômico afeta o mercado global quase que como um todo. Na prática, o mundo crescerá menos.

E o Brasil?

Por enquanto são somente cenários. Uma leitura é entender que o ápice do efetivo controle da doença será observado agora no mês de março. Se ocorrer este controle o impacto na economia será maior no primeiro semestre, com recuperação no segundo semestre. Por este prisma é possível que a economia brasileira chegue aos 2% de crescimento.

Por outro lado, se o problema não for equacionado no curto prazo, aí sim as projeções despencarão e teremos mais um ano de baixo crescimento, algo próximo a 1%. Esta segunda projeção poderá ser minimizada com incentivos monetários, como foi a recente a decisão do Banco Central americano. Além disso, a força do consumo doméstico pode ajudar a obter números acima de 1,5%.

Estas incertezas indicam que cada de nós, nos nossos negócios, na nossa profissão, precisa ser ágil, traçar vários cenários e estabelecer estratégias para, a cada sinal do mercado, ser capaz de, rapidamente, mudar de direção. Sem pânico, mas com firmeza.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru -ACIB. 🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/