Inflação: cuidado com o canto da sereia

O presidente da ACIB, Reinaldo Cafeo analisa a inflação e a origem dos preços altos em seu artigo inédito no blog da ACIB.

A cobrança no controle inflacionário brasileiro está cada vez mais forte. Até mesmo nos discursos para reduzir a tensão entre Poderes, o tema surge. O contexto é: precisamos focar nos graves problemas do País, deixando de lado as questões políticas, porque a inflação está alta, o desemprego é elevado e a economia precisa voltar a crescer. Isso tudo é verdade.

O que tem incomodado, é o reducionismo da discussão. A classe política, principalmente os opositores ao governo Federal, alardeiam que, por incompetência da equipe econômica comandada pelo ministro da economia, Paulo Guedes, é que há desequilíbrios no mercado. Tenho sido crítico em relação a inércia dos técnicos da área econômica, mas é preciso ampliar a discussão.

Muitos governadores e prefeitos, fecharam a economia para controle da pandemia no novo coronavírus, a covid.19. A tônica era: primeiro a saúde, a economia vemos depois. Não obstante a gravidade sanitária, houve muita precipitação. Aqui no Estado de São Paulo, por exemplo, o governador do Estado, nivelou todas as cidades do interior pelo retrato pandêmico da grande São Paulo. Fechou a economia antes do necessário.

É simples entender o preço que pagamos neste momento: menos ofertantes de produtos e serviços, demanda concentrada em boa parte nos alimentos, os preços nivelaram esta relação. Além disso, o risco Brasil aumentou com as questões fiscais e políticas, a cotação do dólar disparou, aumentando boa parte dos custos de produção.

Quando as coisas começam a voltar ao normal, com as pessoas voltando a ter o consumo no nível anterior a pandemia, a velocidade em adquirir bens e serviços, passou a ser superior a capacidade de as empresas ofertarem os produtos no mercado. Este descompasso está sendo potencializado com um mercado importador com apetite, notadamente em relação as commodities brasileiras.

Em parte, a inflação vem atingindo vários Países. O Brasil acumula alta da inflação de 9,68% em 12 meses. A nossa vizinha Argentina, 51,8%. O Haiti, 17,9%. Outros Países operam em níveis menores, mas estão preocupados com a alta de preços: Estados Unidos têm inflação de 5,3% em 12 meses, o Chile 4,8%, o México 5,59% e o Chile 4,8%.

Por este raciocínio podemos afirmar que boa parte da carestia tem explicação pelo descompasso entre oferta e procura. Muito do que vem ocorrendo é fruto de um período atípico em que os agentes econômicos foram obrigados a mudar o comportamento de consumo, e agora, na volta da normalidade, estão pagando um preço alto.

É evidente que com menos questões políticas impactando o nosso dia a dia as coisas seriam mais fáceis, mas o alerta é: cuidado com a análise rasa e cuidado com o canto da sereia.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Pós-manifestações de 7 de setembro: e agora?

O presidente da ACIB, Reinaldo Cafeo reflete sobre o futuro do país após as manifestações de 7 de setembro. Confira seu artigo inédito no blog da ACIB.

Não obstante toda repercussão política das manifestações do último dia 7 de setembro, dia em que milhões de brasileiros foram as ruas, a pergunta que não quer calar é: e agora?

O mundo real traz desafios distantes de todo este tensionamento político. Mesmo com a população indo as ruas e praticando a democracia em sua plenitude, os problemas econômicos e sociais existem e precisam ser atacados.

O Brasil, segundo o IBGE, tem 32,2 milhões de brasileiros subutilizados. Destes, 14,4 milhões estão desempregados (com crescimento de 1,6 milhão em um ano, devido a pandemia). Os jovens são os mais afetados, com desemprego atingindo 29,5% entre os que têm entre 18 e 24 anos. São 5,6 milhões de desalentados, ou seja, aqueles que jogaram a toalha e não procuram mais uma colocação no mercado de trabalho. Dos 87,8 milhões de pessoas ocupadas no Brasil, 24,8 milhões trabalham por conta própria, o que representando 28,3% deste total.

Este retrato da precariedade do mercado de trabalho, que também impôs perda real na renda média do trabalhador (que ainda perdeu poder de compra devido a alta da inflação), é uma faceta do quanto o País precisa avançar no campo econômico. isso tudo sem falar do crescimento do número de miseráveis.

Aqui está a resposta à pergunta: e agora? Agora é hora de o setor público, o Executivo Federal, reduzir as incertezas. Não há investimento em ambiente de elevado risco. Os agentes econômicos se retraem. Tanto o investidor brasileiro como o investidor estrangeiro adiam suas decisões e aportam seus recursos em mercados mais seguros.

Alguém tem dúvida do potencial econômico do Brasil? Penso que dez entre dez pessoas acreditam neste potencial econômico. Então o que nos faz sempre ter uma economia que se assemelha ao voo de galinha? Exatamente o nível de risco interno. Não parece insano já ter naturalmente um ambiente de negócios com algum risco devido ao Brasil ser um País emergente e ainda potencializarmos este risco com questões políticas, de disputa de poder? A quem interessa este ambiente beligerante?

Sem dúvida o Brasil vive um momento delicado e o que é pior, parece que isso não tem fim. E para ajudar, o ano que vem tem eleições, principalmente a presidencial. Nada de calmaria.

Enquanto tudo isso acontece os indicadores econômicos tendem a piorar, e temas importantes, que poderiam melhorar este ambiente de negócios, como as reformas estruturantes, ficam em segundo plano.

Se a ideia era medir forças, o 7 de setembro já indicou quem a tem, agora seria o momento de retomar os planos que dariam um salto na gestão pública brasileira, tão alardeados durante a última campanha presidencial.

Maldita reeleição que faz com que os políticos pensem mais na próxima eleição do que na próxima geração. Há muito a fazer. No mínimo, espera-se um ambiente de negócios mais previsível. Não é pedir muito.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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É preciso controlar a carestia

É preciso controlar a carestia

O brasileiro conviveu anos a fio com a hiperinflação. Notadamente nos anos de 1980, considerada década perdida na economia, os índices mensais de inflação eram de dois dígitos.

Tivemos pequenos períodos de inflação baixa, logo após os planos econômicos, como o Plano Cruzado 1 e Plano Cruzado 2, Plano Bresser e Plano Verão, planos estes que congelaram os preços da economia, mas sem a consistência necessária, em segundo momento, a inflação voltou a disparar.

Entramos em 1990 com inflação mensal de 84,23%, acumulando em 12 meses 4.853,90% (não se assuste, é isso mesmo). Veio o Plano Collor, com o chamado confisco de dinheiro, reduzindo a liquidez do mercado, que também derrubou a inflação, mas novamente a carestia voltou a assolar o País. Finalmente o Plano Real derrubou efetivamente a inflação no Brasil. Isso foi em 1994.

De lá para cá, tivemos momentos agudos de desequilíbrio de preços no mercado, mas nunca mais tivemos inflação mensal de dois dígitos. Retiramos parte da carestia de cena.

Não obstante o sucesso no controle de preços, o tema volta à baila, preocupando a todos. Evidentemente que não estamos mais falando de inflação de 20, 30, 40% ao mês, e sim de uma preocupação em não deixar a inflação desgarrar da meta fixada pelo Banco Central, ou na pior das hipóteses do limite máximo tolerável. Para este ano a meta é de 3,75% com variação de 1,5 ponto percentual. Assim, estaria dentro da “normalidade” inflação de no máximo 5,25% para o ano fechado. Não é isso que se observa. A inflação oficial está acima dos 8% se olharmos os últimos 12 meses, e as projeções apontam para um nível acima de 7% em 2021.

Este patamar é resultado da média ponderado dos bens e serviços que compõem a inflação, isso quer dizer, que alguns preços sobem mais, outros menos. Aqui reside o problema. Os mais pobres estão sentindo mais fortemente a carestia. Os preços dos alimentos, bebidas, energia, gás de cozinha, entre outros, considerados bens essenciais, vêm pesando fortemente no bolso do trabalhador. Muitos deles operam em dois dígitos, como era no passado. Como exemplos: óleo de soja acumula alta acima de 80% em 12 meses. O arroz subiu mais de 40%. O tomate também 40%. Carne 34% de alta.

Isolando a classe mais pobre da população, que gasta quase a totalidade de sua renda em produtos básicos, a inflação está na casa dos 25% em 12 meses. Perda do poder de compra na veia.

É o problema da média, neste caso, ponderada, que leva em conta o peso de produto no compito geral da inflação.  No caso de média a coisa funciona assim: uma pessoa tem dois carros, a outra pessoa nenhum, na média, cada um tem um carro. Só que um anda a pé e o outro não. Desta maneira podemos afirmar que cada um tem uma inflação para chamar de sua. A pandemia bagunçou o jogo de oferta e procura.

A partir desta constatação fica um indicativo: mesmo operando em níveis baixos para o histórico de inflação no Brasil, não é aceitável, com tantos instrumentos de política macroeconômica, que não consigamos dar um choque de oferta e conter a demanda, fazendo com que os preços da economia se comportem dentro do razoável. Mesmo em economia de mercado, com preços livres, é possível e necessário que ajustes sejam feitos.

Precisamos urgentemente voltar a ter inflação baixa, protegendo o poder de compra dos mais pobres da população.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Economia: quatro meses desafiadores

Economia: quatro meses desafiadores

A condução da economia do País não tem calendário definido, mas entendo que se o governo Bolsonaro pretende ter o que entregar no ano que vem, no campo econômico, aos agentes econômicos, vai ter que correr, à medida que faltam praticamente quatro meses para a virada do ano.

Em 2022 teremos eleições e dificilmente o Congresso Nacional apreciará temas que possam de alguma maneira impactar no dia a dia das pessoas e das empresas, portanto, os assuntos “polêmicos” serão adiados, entre eles reformas estruturantes.

Podemos dividir os principais desafios para da economia brasileira em partes. No curto prazo é preciso conter a inflação. Não tem como adiar ações na direção de desacelerar a escala de preços. Neste particular é preciso utilizar as políticas macroeconômicas em sua plenitude, principalmente a política monetária. Se isso ocorrer teremos a desinflação, tendo como meta fechar o ano que inflação abaixo de 7%. Dado o desequilíbrio de mercado, e a possível inflação de serviços, não será tarefa fácil, mas necessária.

Outro ponto a ser atacado no curto prazo é a desconfiança de que haverá perda de controle fiscal. A equipe econômica comandada pelo ministro Paulo Guedes não pode nem pensar em contabilidade criativa. Tentar driblar o teto de gastos é trazer risco adicional. Duas questões precisam ser equacionadas deixando clara as fontes de financiamento: os pagamentos de precatórios e o novo Bolsa Famílias, batizado de Auxílio Brasil. Aqui a visão técnica terá que prevalecer em detrimento a visão política.

Outro ponto, para sinalizar com a sustentação do crescimento econômico, será necessário avançar no que for possível tanto na reforma administrativa, principalmente ela, como na reforma tributária.

Abrindo perspectivas para que que inflação desacelere, deixando claro o compromisso fiscal, pautando as reformas estruturantes (mesmo que não sejam as ideais) o risco Brasil cairá, com ele haverá menor pressão no câmbio, e a economia aos poucos remota seu ritmo normal, estimulando os investimentos produtivos. Com a roda da economia girando, voltam o emprego e a geração de renda.

Para que tudo isso seja possível a pauta do governo federal, em especial do presidente Jair Bolsonaro, deve mudar. Gastar energia em temas já vencidos, como o voto auditável, querer o impeachment de Ministro da Suprema Corte, focar na pauta de costumes, alimentar discursos populistas (que atendem somente a sua plateia) e manter-se beligerante, em nada contribuirá para que estes próximos quatros meses sejam o divisor de água para o atual governo.

Neste particular os conselheiros de Bolsonaro e em especial dois ministros o da economia, Paulo Guedes, e o da casa civil, Ciro Nogueira, precisam dialogar com o presidente da república, e a partir daí focar no que é essencial para Pais. Fora isso é dar munição para seus opositores e o que pior, não atender os anseios da população que sofre calada com o crescimento da miserabilidade.

Serão quatro meses desafiadores, naturalmente se o governo federal realmente quiser criar bases para colher frutos na economia em 2022. Caso contrário, lamentavelmente, será um desperdício de energia e de capital político.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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13 de agosto: Dia do Economista

13 de agosto, dia do economista

O dia do economista é comemorado no dia 13 de agosto. A profissão foi regulamentada por Getúlio Vargas em 1951.

Entre os vários desafios, a profissão combina a racionalidade e a questão social. O racional vem da otimização na utilização dos recursos escassos, buscando sempre a maximização dos resultados, e na outra vertente vem da busca incansável pela justiça social.

Ao elaborar políticas macroeconômicas, controlando a inflação, com políticas fiscal e monetária equilibradas, criando condições de sustentar o crescimento econômico, reduzindo o desemprego e ainda melhorando os indicadores sociais, a economia como ciência, tendo o economista como executor destas políticas, faz com que toda a sociedade ganhe. Há um outro fator mais importante: o quanto faz a diferença aos cidadãos quando modelos econômicos, elaborados ou tendo a contribuição do economista, atingem em cheio a distribuição equitativa da renda.

Mesmo no contexto microeconômico o economista contribui para melhorar as condições de vida das pessoas. Auxiliar os empreendedores na elaboração e prática de Planos de Negócios. Garantir a estrutura de capital necessária para sustentar os negócios. Planejar carreiras profissionais sólidas e ainda indicar caminhos para que as famílias possam gerenciar adequadamente o orçamento familiar. Desenvolver modelos financeiros para que as decisões presentes sejam ótimas ao ponto de garantirem uma velhice com qualidade de vida, vai ao encontro destas premissas.

Enganam-se aqueles que atribuem aos economistas os momentos de retrocesso econômico do País, afinal, por vezes a vontade política dos governantes, modificam os caminhos tecnicamente traçados por estes profissionais, e o resultado nem sempre são aqueles projetados.

Entendo que há muito a comemorar e não há dúvidas que, dada a dimensão dos desafios que a pandemia da Covid-19 nos trouxe, é imprescindível utilizar na plenitude o conhecimento dos economistas para reduzir os efeitos sociais e ao mesmo tempo criar condições para a retomada econômica vigorosa, com geração de emprego e renda, permitindo que o cidadão tenha vida digna.

Parabéns a todos os Economistas que enxergaram nesta profissão toda a dimensão que ela representa. Salve o dia 13 de agosto, dia do Economista!

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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ACIB: 90 anos

ACIB: 90 anos

A Associação Comercial e Industrial de Bauru (ACIB), completou 90 anos no último dia 2 de agosto. Pode-se afirmar que a sua história se confunde com a história de Bauru, afinal sua fundação se deu quando Bauru completava somente 35 anos.

A liderança de homens e mulheres empreendedores foi a principal marca na atuação da ACIB ao longo destes anos. Pessoas visionárias, que viram no associativismo uma forma de mudar para melhor, o ambiente de negócios.

Muito além de uma disputa entre o capital e trabalho, o desempenho da ACIB sempre foi pautado no sentido de criar condições para quem quer empreender, efetivamente possa fazê-lo em sua plenitude.

Esta história contou com líderes, como seu primeiro presidente – Alcides Moreira, passando por Antonio Garcia, Vicente Savastano, José da Silva Martha, Horário Frederico Pyles, José Ferras Sampaio, Paulino Rafhael, Hecmet Farah, Ibrahim Salim Hadadd, Itacolomy de Carvalho, João Svizero, Ibrhaim Tobias, Cassio Carvalho, Benedito Luis da Silva, Paulo Martinello, Patrícia Rossi e eu que pela terceira vez presido a entidade. Pelos nomes, pelo significado de cada um na história de Bauru, fica evidenciado o quanto a entidade é forte.

Não obstante valorizar a história, ACIB tem se caracterizada pela capacidade de reinventar. Visando representar e prestar serviços refaz periodicamente seu plano estratégico. Atualmente tem como pilares de atuação a inovação e cooperação. Por sinal a inovação permitiu que, mesmo em tempos de pandemia, com isolamento e distanciamento social, a entidade conseguisse apoiar os associados e a comunidade em geral em momentos difíceis e tensos.

As soluções passaram a ser virtuais e com qualidade, posto que já atuava nesta linha, com elevada tecnologia. São exemplos de valorização do empreendedorismo o ACIB Mulher, ACIB Educa, ACIB Negócios, ACIB Orienta e tantas outras importantes iniciativas nesta direção.

A ACIB foi agente ativa no enfrentamento da pandemia. Além de mentorias para os associados e não associados, auxiliando na sobrevivência dos negócios, levando inclusive conhecimento aos empreendedores, teve o olhar social, como sempre foi a tônica da entidade. Iniciativas tais como a constituição de um rol de entidades visando a abertura do Hospital de Clínicas, até posicionamento firme na confecção dos Decretos Municipais, passando por campanhas de conscientização da população, passaram a ser a tônica do dia a dia da entidade.

O evento destaques do ano, considerando o “Oscar” Empresarial Bauruense, que valoriza as empresas e empreendedores que fazem a diferença na cidade, é um sucesso. Evento concorrido com mais 800 pessoas, que chegará em sua edição número 50. O evento Destaques do Ano é inspirador.

ACIB chega aos 90 anos, sendo uma entidade representativa, madura, com sua diretoria atuando nas principais comissões municipais, fazendo a diferença, e se propõe a servir e agregar valor aos associados e a sociedade.

Instituições fortes são capazes de evitar que o populismo domine a política. Em tempos de tanta polarização de tantos extremismos, a ACIB se posiciona politicamente e entende que o associativismo é capaz de transformar a sociedade. É tempo de comemorar e enaltecer a história construída por esta importante Entidade, afinal, 90 anos de atuação ininterrupta é para poucos. Parabéns, ACIB!

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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O candidato “nem, nem”

O candidato “nem, nem”

Entrevistando recentemente o colega economista, Heron do Carmo, que é um dos coordenadores da pesquisa FIPE-USP, ao analisar o cenário econômico e político, ele pinçou esta expressão; “ainda há expectativa que para a sucessão presidencial do ano que vem apareça um candidato nem, nem”.

Conhecemos esta expressão para rotular os jovens que “nem” trabalham e “nem” estudam, e agora é utilizada para indicar que parte da sociedade, e em especial os eleitores, não estão dispostos a votar “nem” em Bolsonaro e “nem” em Lula. É a expectativa, e para muitos, até a esperança, de que um terceiro nome, viável eleitoralmente, uma terceira via, surja e com ele seja criada opção para quem está cansado do extremismo, este verdadeiro “Fla Flu” que se instalou na política brasileira.

Quando fazemos esta leitura a pergunta é se haverá tempo hábil para que uma candidatura alternativa seja viabilizada? E a resposta é: sim inclusive evitaria desgaste ao candidato caso o nome seja lançado com muita antecedência.

Apesar desta expectativa, diria até positiva, o quadro atual de candidatos à sucessão do Presidente Bolsonaro não é animador.

Falta alguém com expressão nacional que tenha postura de Estadista com E maiúsculo, que seja capaz de baixar a temperatura política, e focar nos principais e graves problemas do Brasil.

O ambiente político beligerante interessa somente aqueles que gostam do quanto “pior, melhor”. Focam em pautas fracas, normalmente de costumes, em que o populismo acaba se impondo e falando mais alto.

Parte da sociedade clama por um político (homem ou mulher) que efetivamente tenha um projeto de estado e não de governo. Que foque na sustentação do crescimento econômico, que leve o País ao desenvolvimento econômico.

Que esteja disposto a implementar políticas públicas que sejam capazes de efetivamente trazer vida digna a população. Que, na ponderação, no diálogo, no debate sadio, possam levar o Brasil a um porto seguro. Que seja capaz de harmonizar os Poderes constituídos e que a justiça social seja um mantra.

É sonhar alto? É ter ilusão de que isso pode ser verdadeiro? Ou é algo factível? Isso somente o tempo dirá.

Confesso que ainda não joguei a toalha e que tenho expectativas do “nem” “nem” do bem, aquele que se apresente como um novo, que renova e motiva.

A política como é praticada hoje, é no mínimo cansativa, para não dizer, tóxica. Quem tenhamos mais opções!

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Queda no desemprego será no longo prazo

Queda no desemprego será no longo prazo

Estudo do Banco Mundial confirmou a triste realidade: a queda no desemprego no Brasil se dará no longo prazo.

Antes da pandemia de Covid-19 havia perspectivas que o tempo para derrubar efetivamente o desemprego seria menor, contudo, o isolamento social, as restrições ao comércio, enfim, os efeitos da pandemia deram um tombo na economia brasileira, e a quebradeira, notadamente das micro e pequenas empresas empurrou este tempo para frente.

É fato que a economia brasileira está em recuperação, também é fato que o emprego voltará, entretanto, o crescimento não será uniforme e com isso a volta do emprego não contemplará na mesma proporção todas as regiões e nem todos os setores da economia.

Isso posto podemos dividir a análise do tempo para o desemprego cair em duas partes. A primeira envolve a chamada mão de obra qualificada. Há muitos profissionais com bom currículo, com qualificação elevada, esperando por uma vaga no mercado de trabalho, contudo, estes serão mais rapidamente recolocados neste concorrido mercado.

Evidentemente que a remuneração cairá, mas como há carência de bons profissionais e com os sinais positivos da economia, os mais bem qualificados serão os primeiros a voltar a conseguir colocação nas empresas e organizações.

A segunda parte é mais complicada. Trata-se de profissionais sem qualificação. Já não tinham vida fácil antes da pandemia, agora terão mais dificuldades ainda em conseguir um emprego. Neste particular o estudo do Banco Mundial indica um ciclo que pode durar até nove anos até que a taxa de desemprego efetivamente atinja um patamar aceitável.

Vale destacar que o desemprego no Brasil atinge 14,7% da população economicamente ativa, totalizando praticamente 15 milhões de trabalhadores. Há ainda cerca de 6 milhões de desalentados, aqueles que jogaram a toalha e não buscam mais uma colocação no mercado. Isso tudo sem considerar os subempregados (aqueles que gostariam de trabalhar mais horas do que o fazem atualmente) e os informais. Estamos falando de praticamente 30 milhões de pessoas nestas condições.

Não podemos deixar de considerar que além das questões conjunturais, que estão ligadas ao fraco desempenho econômico, há ainda as questões estruturais. O ambiente de negócios está mudando. Novas profissões surgindo. O nível de exigência no tocante a qualificação e produtividade é maior e a concorrência por uma vaga será muito acirrada.

Diante deste quadro não há mais como adiar a implementação de reformas estruturantes, que criem condições para quem quer empreender, possa efetivamente fazê-lo e mais que isso, que o nível de risco de nova economia seja minimizado para que os investimentos produtivos saiam do papel. Isso daria velocidade na recuperação mais consistente da economia.

O esforço para encurtar o tempo para que o brasileiro possa recuperar seu emprego e ter vida digna deve ser do conjunto da sociedade, mas sem dúvida, o setor público, em todas as esferas, precisa dar o tom.

Estudos técnicos como o do Banco Mundial, precisam vir com ações práticas. É preciso muito mais do que discussões políticas, é preciso agir na direção da sustentação do crescimento econômico brasileiro no longo prazo, afinal o desempregado tem pressa.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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ACIB comemora participação das Associações Comerciais na comissão que discutirá a reforma tributária

ACIB comemora participação na discussão da reforma tributária

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB, economista Reinaldo Cafeo, recebeu com entusiasmo a notícia de que as Associações Comerciais farão parte da comissão que discutirá a proposta de reforma tributária que tramita no Congresso.

A sugestão de formar um grupo de trabalho que irá debater o projeto foi apresentada pelo presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Alfredo Cotait Neto, durante reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, na sexta-feira, dia 16 de julho, em São Paulo. Os participantes terão a missão de analisar e sugerir mudanças no texto da reforma.

Para Cafeo, a ACIB, pela sua experiência e atuação, pode vir a dar uma grande contribuição nessa discussão, o que ele considera de grande importância para Bauru e região. “A reforma tributária é, sim, importante para o país, mas é preciso criar um mecanismo que venha simplificar e trazer maior transparência na cobrança de impostos”, analisa.

O Presidente da ACIB considera que a taxação de dividendos sobre as empresas de lucro presumido, um dos pilares da reforma tributária, precisa ser analisada com extremo cuidado, pois a medida pode afetar o setor produtivo.

Além das Associações Comerciais, que serão representadas pela Facesp, a comissão que discutirá a proposta de reforma tributária será composta por empresários e advogados tributaristas, bem como federações e associações que representam setores como trabalho temporário; higiene, limpeza e conservação; vigilantes; escolas particulares; segurança privada, entre outros. Ao todo, as instituições representam cerca de 12 milhões de trabalhadores e 950 mil empresas.

Prévia do PIB; contração em maio

Prévia do PIB; contração em maio

Surpreendeu a todos o fraco desempenho da economia brasileira no mês de maio: queda de 0,43% em relação ao mês de abril deste ano. Trata-se do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) que é considerado a prévia do Produto Interno Bruto, este calculado pelo IBGE.

Em março o índice também apresentou queda (2%), porém abril já ocorreu recuperação de 0,85%. Parte do mercado projetava desempenho positivo de 1% em maio.

A surpresa vem do fato de vários setores da economia operarem no campo positivo. Por exemplo, a indústria brasileira subiu 1,4% em maio, após três meses de queda. Outro exemplo é o desempenho do varejo, que fechou com ganho de 1,4% também em maio. E até mesmo o setor de serviços apresentou alta de 1,2% no período.

É claro que a metodologia de cálculo do Banco Central é diferente da utilizada pelo IBGE, mas ambos deveriam convergir.

Mesmo trazendo número no campo negativo, ainda é possível manter o otimismo para o desemprenho econômico deste ano. Primeiramente porque a base de comparação é precária. Para quem operou no vermelho o ano passado, crescer este ano é quase obrigação. Segundo porque, mesmo lentamente, a vacinação avança e com ela mais setores da economia são liberados auxiliando na movimentação econômica.

Além dos aspectos internos, as principais economias do mundo estão um passo à frente, com o dia a dia quase voltando a normalidade, em função do nível de vacinação da população, portanto são importantes compradores de produtos brasileiros.

Quem acompanha meus artigos quando tratando do PIB brasileiro, sempre apontei para um crescimento não uniforme, ou seja, há setores da economia indo bem, outros nem tanto, inclusive, com desempenho diferente nas várias regiões do Brasil, bem como, o meu apontamento que o crescimento mais vigoroso se dará no segundo semestre, que acabou de iniciar.

Há muitos desafios pela frente. O desemprego e a informalidade chamam a atenção. A inflação elevada para os padrões atuais, é outra preocupação. Os juros estão em alta. Isso tudo sem falar do quanto o meio empresarial está ferido financeiramente devido aos efeitos da pandemia. Contudo, estes pontos não devem impeditivos para que o Brasil opere este ano no azul, e atinja crescimento econômico acima de 5% no ano fechado.

A cada um dos agentes econômicos resta avaliar o quanto setorialmente foi atingido e alicerçar suas estratégias para tirar proveito desta recuperação.

Distante de estarmos em céu de brigadeiro, contudo, mesmo com marchas e contramarchas, o otimismo (realista) não pode sair de cena.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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