Programa Emprego Verde e Amarelo

Programa Verde e Amarelo

O governo Federal lançou, via Medida Provisória, o Programa Emprego Verde e Amarelo. Tendo como panos de fundo o desemprego, o crescimento da informalidade e ainda a desigualdade de renda, o programa visa oportunizar o primeiro emprego aos jovens brasileiros de 18 a 29 anos.

Ao limitar o nível de renda em 1,5 salário mínimo, reduzir de 20% para zero a alíquota patronal do INSS, derrubar o FGTS de 8% para 2%, bem como reduzir a multa por dispensa sem justa causa de 40% do FGTS para 20%, o governo espera que com menores encargos as empresas se sintam estimuladas a oferecer este primeiro emprego.

Vale destacar que esta condição tem prazo de validade: dois anos, depois disso o trabalhador terá os direitos atuais.

Ao longo dos anos foi incorporada uma série de benefícios aos trabalhadores, que se transformou em limitador do emprego. Estudos apontam, dependendo do setor analisado, que cada funcionário contratado por R$ 1.000,00 custa o dobro deste valor para a empresa. O funcionário leva pouco e o empreendedor gasta muito.

Neste contexto vem sempre a discussão: abrir mão dos benefícios ou não? É evidente que o meio sindical que representa os trabalhadores não aceita que haja mudanças no formato atual, e se pudessem ampliariam os benefícios, por outro lado, o empreendedor ao colocar todos os custos na ponta do lápis conclui que deve ter menos colaboradores do que efetivamente desejava.

É tema polêmico, mas precisa ser enfrentado. Quando comparamos o custo da mão obra brasileira e sua produtividade, com outros Países, os mais desenvolvidos, fica evidente que algo está errado no Brasil.

O chamado custo Brasil tira competitividade de nossos produtos e ainda gera travas na geração mais firme de emprego.

O Programa Emprego Verde Amarelo flexibiliza em parte esta situação. Não será a solução do desemprego, mas pode ser considerado um avanço. Certamente haverá e já vem tendo questionamentos quanto ao sua legalidade, notadamente ao diferenciar a idade na contratação e tratar temas importantes como as alíquotas do FGTS via Medida Provisória, mas é fato que o modelo atual se esgotou.

Em sociedade moderna não estar aberto ao novo é no mínimo não querer aceitar a realidade das coisas.

Como disse Paulo Guedes, Ministro da Economia, “os liberais não são revolucionários, são evolucionários”, portanto, se efetivamente o Brasil quiser implantar uma nova matriz econômica, o enfrentamento de questões estruturais como os encargos trabalhistas, se faz necessário.

Que os jovens possam ter seu primeiro emprego: o Programa Emprego Verde e Amarelo é um passo importante para isso.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

Pelo fim do voo de galinha

Pelo fim do voo de galinha - Artigo de Reinaldo Cafeo

O Brasil observa um período de reformas estruturais. A aprovação da reforma da previdência, que conterá a escalada do déficit nas contas públicas, foi um primeiro e importe passo. Não obstante ser uma das maiores reformas já aprovada no Brasil ela isoladamente não sustentará o crescimento econômico.

A equipe econômica, comandada pelo Economista Paulo Guedes sabe disso, e apresentou uma série de propostas para na direção de garantir a sustentação aqui mencionada.

Mesmo ficando de fora duas importantes reformas, a administrativa e a tributária (serão apresentadas em breve), o pacto federativo, a emergência fiscal e a revisão da vinculação de receitas, são importantes instrumentos para colocar o País em um patamar econômico mais elevado.

São Propostas de Emenda Parlamentar (PECs) que, uma vez aprovadas no Congresso Nacional, aliviarão o peso do Estado na economia.

De um lado o pacto federativo visa fortalecer o papel dos Estados e Municípios, garantindo recursos orçamentários, sem a burocracia hoje existente, de outro lado a implantação de gatilhos automáticos de contenção de gastos públicos, prevista na emergência fiscal, garantirá ao longo do tempo que em tempos de crise haja contenção dos gastos públicos.

Tem ainda a busca por mais autonomia na destinação dos recursos públicos, garantindo que as políticas públicas estejam mais próximas das necessidades do cidadão.

Evidentemente que o Congresso irá questionar alguns pontos, suprir uns e acrescentar outros, mas se efetivamente o Brasil quer abandonar o chamado voo da galinha (e galinha não voa) o caminho a ser trilhado é este.

Quando as reformas administrativa e tributária forem apresentadas, haverá uma consolidação das propostas. Isso sem falar do processo de privatização.

É desejável um Estado mais enxuto, com mais produtividade. É desejável um sistema tributário justo e simples e é desejável um setor privado forte.

Mesmo com negociações com o Congresso Nacional, legítimas em um País democrático, é bom saber que o governo Bolsonaro, mesmo com muitos erros, não perdeu a mão no tocante ao modelo econômico que preconizou implantar no Brasil.

Aos poucos a sustentação econômica virá, e com ela, a geração de riqueza, e a queda no nível de desemprego.

É preciso paciência, mas tudo aponta para um caminho seguro.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

Percebo otimismo no ar, e você?

Percebo otimismo no ar, e você?

Quem opera no mundo real, este que gera riquezas e empregos, começa a observar certo otimismo no ar. Alguns agentes econômicos estão tirando o pé do freio e começam a acelerar. Não é ainda velocidade de cruzeiro, mas estão acelerando.

Do ponto de vista econômico e particularmente analisando ambiente doméstico, é possível sim projetar dias melhores.

Uma das maiores reformas já vistas no País foi levada a efeito em menos de 10 meses do Mandato do Bolsonaro, a Reforma Previdenciária. Com ela a perspectiva de que o ajuste fiscal será realidade, o que tem provocado, entre outras questões, queda no chamado risco Brasil. As agências que analisam o nível de risco dos Países começam a enxergar no Brasil um bom prognóstico para economia.

Além da Reforma da Previdência a taxa de juros está em queda. Praticamos atualmente o menor patamar de juros básicos de nossa história, com queda inclusive na taxa real de juros (acima da inflação).

No sentido do estímulo do consumo, além da queda dos juros, o cadastro positivo é outra realidade próxima. As medidas para ampliar a liberdade econômica ajudam. Também a injeção dos recursos do FGTS, PIS/PASEP e ainda a chegada do décimo terceiro salário, são motivos suficientes para que a principal variável que faz o Produto Interno Bruto crescer, isto é, o consumo das famílias, seja potencializado.

Os desafios para que os agentes econômicos chegassem com algum vigor nesta fase da economia não foram poucos. Por sinal, muita gente “quebrou” neste período. Quem sobreviveu, fez a lição de casa, o fazer mais com menos, chega agora com alicerces para tirar proveito de um novo ciclo que pode estar inaugurando na economia.

Mesmo considerando as “barbeiragens” do executivo e pautas desnecessárias que somente levam o desgaste do governo Federal, o otimismo percebido pode se traduzir em maiores vendas e com elas recuperação das margens de lucro.

Não é para gastar por conta e tampouco imaginar que o crescimento econômico será exponencial, mas que o ambiente de negócios mudou, para melhor, não há dúvida.

Considerando que atuar no mundo dos negócios não é para corredores de curta distância e sim para maratonistas, quem treinou com afinco, e está com bom folego agora chegará lá. Caso você tenha esmorecido, ainda há tempo para tirar o tempo perdido, mas corra, não adie mais.

Salvo uma catástrofe, é possível sim apostar em dias melhores. Há um otimismo no ar.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

Reforma da Previdência aprovada: e agora?

Reforma da Previdência

Pela magnitude e abrangência sem dúvida alguma a Reforma da Previdência foi uma das mais importantes decisões dos últimos tempos. Ao longo dos anos foram apenas “remendos” que forçaram uma mexida mais profunda agora.

Com a economia prevista para os próximos anos, é possível, coloquei, é possível, buscar o equilíbrio nas contas públicas, e tirar da frente o temor da explosiva relação dívida/produto interno bruto.

Não obstante esta aprovação representar um divisor de águas na política fiscal brasileira é certo que a obra não está totalmente concluída. A pergunta é: e agora? As reformas estruturantes precisam continuar na pauta do setor público.

Uma reforma inevitável é a tributária. Com um setor público que tributa demais e gasta sem qualidade, em um sistema complexo, não é possível imaginar que a economia brasileira será sustentada ao longo dos anos.

Considerando todos os interesses sobre o tema, é difícil projetar a reforma “perfeita”, mas terá que ser a possível neste momento, principalmente, se conseguirem simplificar o sistema tributário e aliviarem o peso dos tributos sobre a produção e consumo, mesmo que isso implique em tributação em outras fontes, principalmente sobre a renda e patrimônio dos mais ricos do País.

A reforma administrativa é outro importante tema. Mexer somente nos tributos é pouco. É preciso redesenhar carreiras no setor público, alinhando remuneração e forma de atuar com o que é praticado pelo setor privado. É preciso ter um Estado mais enxuto e com produtividade.

O pacto federativo é outro tema relevante. Neste caso a ideia é repassar mais recursos aos estados e municípios mudando o formato atual de repartição dos recursos públicos. Na mesma direção se faz necessário desvincular e desindexar o Orçamento Público.

Há outras importantes demandas como as privatizações e investimentos em infraestrutura, que poderão a partir de agora ganhar velocidade.

O que está em jogo é a volta do crescimento da economia, mas não somente crescer, mas crescer de maneira sustentada, para que o emprego volte, a renda cresça e seja mais bem distribuída, isso tudo com inflação controlada.

O primeiro e importante passo foi dado: a Reforma da Previdência já é realidade. Agora é não perder o foco e trabalhar para que a estrutura do País seja mais bem alicerçada.

Há muito a ser feito, mas o caminho está aberto.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB

A alarmante desigualdade de renda

desigualdade de renda

A desigualdade de renda no País alcançou patamar não antes observado. Os dados são de 2018, os mais recentes divulgados pelo Instituto de Geografia e Estatísticas (IBGE).

A situação de renda no Brasil é a seguinte: quase 104 milhões de brasileiros, portanto, a metade mais pobre da população vivia com apenas R$ 413 mensais, considerando todas as fontes de renda.

Na outra ponta somente 2,1 milhões de pessoas (1% mais ricos) tinham renda média de R$ 16.297 por pessoa. Isso indica que pequena parcela da população brasileira recebe cerca de 40 vezes mais que a metade da base da pirâmide.

Além desta distorção, chama a atenção o fato de 10,4 milhões de pessoas, o equivalente a 5% da população, sobreviveram, isso mesmo, sobreviverem com apenas R$ 51 mensais, em média. Quando a análise é ampliada para os 30% mais pobres, isto é, 60,4 milhões de pessoas, a renda média per capita sobe apenas para R$ 269.

O índice de Gini, que mede concentração ou descontração de renda (quanto mais perto de zero menos concentrada a renda, quanto mais perto de 1, mas concentrada a renda) subiu de 0,538 em 2017 para 0,545 em 2018, sendo o patamar elevado nos últimos anos. Comprovação que efetivamente a desigualdade de renda no Brasil é alarmante.

Resumo: os mais pobres ficaram mais pobres, os mais ricos ficaram mais ricos.

Estes números deveriam ser estampados em letras garrafais em todas as esferas do setor público, e principalmente aos políticos que insistem em lutar pelo seu curral eleitoral e não priorizam as reformas estruturantes necessárias para retomar e sustentar o crescimento econômico do País.

Também estes números devem servir de alerta para aqueles que ainda acreditam em modelos econômicos populistas, sem compromisso com austeridade fiscal, que foram utilizados a exaustão nos governos recentes, que levaram a dois anos de recessão e a dois anos e meio de baixo crescimento, jogando milhões de brasileiros na fila do desemprego e na miséria.

Considerando que a matriz macroeconômica indica que é preciso manter a inflação controlada, criar condições para o País crescer, com isso gerar emprego e ainda estabelecer distribuição justa de renda, fica evidenciado que os desafios atuais são de tamanha grandeza que cada dia que passa o abismo social fica mais evidente.

A todos os agentes econômicos, sejam eles do setor público ou privado: uma nação é construída com justiça social, constatar a desigualdade de renda e a sociedade em seu todo, e o setor público em particular, não agirem na direção da reversão deste quadro é praticar um individualismo que não nos levará a lugar algum.

Precisamos nos indignar com a distorção de renda do Brasil e propor ações que promovem a justiça social. É o mínimo a fazer.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB

Taxa de juros abaixo de 5% ao ano: será?

Taxa de juros abaixo de 5% ao ano: será?

Não estamos falando da taxa de juros para o tomador de empréstimos, mas sim da taxa básica de juros, conhecida como taxa Selic: será que em dezembro atingirá menos do que 5% ao ano?

Resposta: é possível. Para entender melhor podemos avaliar que há uma mudança em curso. O Brasil sempre ofereceu a “ração” que o mercado desejava e praticava uma das maiores taxas de juros real (juros acima da inflação) do mundo. O prêmio pelo risco de aplicar recursos em títulos públicos, portanto, financiar o Estado brasileiro era elevado.

Os juros reais sempre foram convidativos oscilando entre 3,5% a 5,0% ao ano. A queda mais recente dos juros fez com a taxa básica fosse fixada em 5,5% ao ano. A taxa real gira em torno de 2,0% ao ano posto que a projeção da inflação aponta para algo próximo a 3,5% ao ano. Observem a queda.

A sinalização da Autoridade Monetária, ou seja, o pensamento do Banco Central brasileiro, indica que a taxa real pode atingir 1% ao ano. Se isso for verdadeiro, juros abaixo de 5% ao ano seriam possíveis.

Esta política monetária mais frouxa estaria alinhada com a prática mundial, que em alguns Países, visando estimular o consumo, operam com taxas reais baixas e em alguns casos, negativas.

Mesmo com esta constatação é importante alertar para alguns riscos. Os fundamentos econômicos do Brasil ainda são frágeis. As reformas estruturantes não foram implementadas em sua magnitude. Temos um bom encaminhamento da reforma da previdência, mas as demais, principalmente a tributária, sequer foram apresentadas.

As incertezas quanto ao alicerce da economia brasileira, podem ser sentidas com o nervosismo no câmbio. Com a crise argentina, mais os embates comerciais entre China e Estados Unidos, somados ao fraco desempenho dos Países que compõem a União Europeia, o nervosismo tomou conta dos investidores e um dólar que poderia operar abaixo de R$ 4,00 tem se mantido acima deste patamar.

Dólar alto, sinônimo de inflação importada e fuga de capital estrangeiro. Ambos podem ser inibidores deste afrouxamento na política monetária por parte da Autoridade Monetária.

Mesmo com todas estas observações, está evidenciado que a atual equipe do Banco Central é mais ousada do que as anteriores e é possível, sim, projetar menor patamar de juros no Brasil.

Se isso for verdadeiro restará cobrar, diria exigir, menor taxa de juros para o tomador de crédito no mercado. Um longo caminho, mas que precisa ser trilhado.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

Reforma Tributária: expectativas distintas

Reforma Tributária

Que o Brasil precisa realizar as chamadas reformas estruturais não há dúvida. A Reforma da Previdência caminha para aprovação no Senado Federal e a bola da vez é a Reforma Tributária.

De inicio vale destacar que a Reforma Tributária pretendida pelo setor público não é necessariamente a mesma almejada pelo setor privado, portanto, as expectativas são distintas.

Comecemos com a carga tributária. O setor privado sempre baterá na tecla de que é preciso reduzir a participação dos tributos na economia. Atualmente na casa dos 35% do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil figura entre os 15 Países no mundo que mais cobram tributos da população.

O Estado brasileiro, inchado, não consegue operar sem este volume de recursos. Esta relação sobre o PIB somente cairá com forte crescimento econômico, o que está descartado no curto e médio prazos.

Aqui o primeiro problema: a expectativa da sociedade é pela redução da carga tributária e a necessidade do Estado em todas as suas esferas é pelo aumento da arrecadação.

Outro aspecto que pode apresentar divergência é a incidência dos tributos. O Brasil optou por ter maior participação no bolo da arrecadação nos chamados impostos indiretos. Com uma legislação complexa, tributar o consumo, passou a ser o caminho mais fácil e rápido para aumentar a arrecadação. Isso faz com que o Brasil seja um dos Países que menos cobra impostos diretos, aqueles que incidem sobre a renda.

Os brasileiros de alta renda pagam, em média, 32% a menos de impostos do que as pessoas de alta renda que compõem o G7 (grupo de nações mais ricas do mundo). Vale lembrar que o imposto direto, sobre a renda, é progressivo, portanto, mais justo do que os indiretos.

Considerando que os impostos incidem sobre o consumo, renda e patrimônio, então em que há convergência entre o setor público e privado?

Um aspecto comum é a necessidade de simplificar o sistema. Apesar do lobby de alguns setores da sociedade, que faturam alto no “quanto mais complexo melhor”, é sem dúvida alguma um ponto de convergência a simplificação do sistema.

Outro aspecto que apresenta convergência, mas com mais resistência, é a necessidade de deslocar a carga tributária do consumo, para renda e patrimônio. Tema complicado de atacar, pois atinge em cheio aqueles que são os principais financiadores das campanhas políticas: os ricos.

Então o que fazer? O resumo da ópera é a seguinte: baixemos a expectativa de uma reforma que reduza o volume de recursos subtraídos do setor privado e apostemos na simplificação e na justiça tributária. Se atingirmos parte destes propósitos, já será bem melhor do que temos hoje.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

Os prós e contras do Imposto sobre Transações Financeiras

Reinaldo Cafeo analisa o Imposto sobre Transações Financeiras

Com novo nome a equipe econômica do governo Bolsonaro sinaliza com a criação do ITF – Imposto sobre Transações Financeiras, que no passado denominava CPMF. Mesmo sendo um projeto ficou evidente que a estratégia foi colocar o “bode na sala” e observar a reação da sociedade.

Pelo divulgado a ideia é tributar em 0,4% as transações financeiras sendo dividido em 0,2% para quem paga (saída de dinheiro da conta corrente) e 0,2% para quem recebe os recursos (entrada de dinheiro na conta corrente).

Afinal quais seriam os prós e contras se esta proposta fosse aprovada? Do lado positivo sem dúvida é um tributo de fácil controle e arrecadação. Debita das contas dos usuários do sistema bancário e a transferência dos recursos para os cofres públicos é rápida e sem inadimplência.

Também tributa a informalidade, desde que o dinheiro, mesmo sendo “por fora” passe pela conta corrente. Outro aspecto importante é que mesmo que as empresas repassem este custo para os preços dos produtos, o impacto no preço final seria pequeno.

Por outro lado há vários aspectos negativos na introdução deste tributo. O primeiro e diria o mais importante é que ele é regressivo. Ninguém gosta de pagar impostos, mas se pensarmos em justiça tributária os impostos progressivos, em que quem ganha mais paga mais, são mais justos. Os impostos regressivos como os que incidem sobre o consumo não avaliam a renda das pessoas. Como este custo será repassado pelas empresas aos preços finais (mesmo com pequeno impacto) os pobres sentirão mais no bolso do que os ricos.

Outro possível efeito negativo será o aumento do dinheiro e até mesmo dos cheques em circulação. Será um tal de repassar dinheiro vivo e pagar contas com cheque de terceiros. Andaremos para trás no tocante ao uso da tecnologia para segurança das pessoas.

Pelas declarações do governo este imposto não seria mais um imposto e sim algo que substituiria outros impostos, notadamente os que incidem sobre a folha de salários e sobre o consumo. Neste aspecto é também positivo.

O que está posto é que a sede em arrecadar do governo chegou ao limite. Há um esgotamento dos impostos sobre consumo, patrimônio e renda. O Brasil tributa muito o consumo e não ataca como deveria, por exemplo, as grandes fortunas.

E então? Avalio que os malefícios para a sociedade são maiores do que os benefícios, mesmo com a sinalização de redução no patamar de outros tributos. Com o avanço tecnológico é possível, coloquei é possível, que sejam desenvolvidos aplicativos que retire do sistema bancário os pagamentos realizados no formato atual. Se isso ocorrer, cai à arrecadação e fatalmente as alíquotas futuras seriam maiores para compensar esta perda. E sem dúvida o que pega mesmo é o fato de ser regressivo.

Há caminhos para simplificar e reformar o sistema tributário atual, sem necessariamente introduzir este novo tributo. A sociedade deve ficar vigilante para evitar que a conta da ineficiência do Estado e sua falta de capacidade em articular uma reforma tributário justa, seja paga por todos nós.

No balanço de prós e contras, ao meu juízo, o contra fala mais alto.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

Destaques do Ano: destacando Bauru

Destaques do Ano

O evento Destaques do Ano, da Associação Comercial de Bauru – ACIB, entidade que tenho orgulho em presidir, pelas manifestações e pela repercussão foi, sem dúvida alguma, um sucesso.

Muito além de ser uma festa grandiosa (e é) tem sido um evento para celebrar. O que é celebrado? O orgulho de viver em Bauru.

Ao homenagear empresários, personalidade e profissional que são bem-sucedidos e conhecer suas trajetórias de sucesso, passamos e entender a dimensão do que significa ajudar a construir esta cidade.

Por vezes a rotina faz com que nosso olhar se torne vicioso. Vamos de casa para o trabalho, de casa para a escola e não enxergamos a dimensão que é esta cidade.

Muitas vezes focamos em suas deficiências e o que é pior, jogamos no chão a nossa autoestima confundindo questões de gestão com potencial econômico da cidade.

Por vezes o jogo político nos cega e isso passa ser um impeditivo para avaliarmos o enorme potencial existente e ainda o quanto a matriz econômica da cidade é rica.

Há milhares de empresas e empresários, há profissionais, há organizações, cooperativos, enfim empreendedores, que fazem a diferença, criando, o que podemos denominar de diferenciais competitivos.

Quando esses atores se reúnem em um único ambiente, como foi o caso do evento Destaques do Ano e suas realizações tornam-se públicas, materializa-se o que até então era imperceptível: Bauru é gigante!

Há muito a ser feito. A visão estratégia, de longo prazo, precisa ser urgentemente colocada em prática. Há gargalos na infraestrutura da cidade. Há setores importantes que necessitam de um choque de gestão. Há enfim, limitações, que precisam ser equacionadas.

Se um copo com água pela metade tem dois lados, o lado cheio e o lado vazio, dar ênfase somente ao lado vazio, focando as limitações e deficiências da cidade, não agrega nada. O olhar deve ser para o lado cheio do copo, evidentemente que não pode ser um olhar cego, mas sim no sentido de mantermos o chamado otimismo realista.

A dimensão do que se observou no evento da Associação Comercial é um estímulo para sermos otimistas, indicando que a cidade está no caminho certo, contudo, realista, nos trazendo para a realidade de que há muito a ser feito.

Se efetivamente amamos a nossa Bauru, não há dúvida que estimular a melhoria da nossa autoestima é o único caminho a ser trilhado.

Você que empreende em sua profissão, em seu negócio, atuando nas organizações, no setor público, enfim, onde estiver, saiba que sua atuação e trajetória profissional, podem fazer e fazem toda diferença na construção de uma cidade com qualidade de vida.

Os Destaques do Ano da ACIB é, na prática, um Destaque a Bauru. Valorizemos nossa cidade e elevemos nossa autoestima. Todos nós merecemos.

Reinaldo Cafeo é presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

Crise na Argentina serve de alerta

Crise na Argentina serve de Alerta

O peronismo novamente deu as caras na Argentina. As primárias do último domingo apontaram vitória, com folga, do opositor a Maurício Macri (atual presidente) o Alberto Fernández, que tem como candidata a vice-presidente, Cristina Kirchner.

Os mercados mais próximos a Argentina, incluindo o Brasil, entraram em pânico no dia seguinte ao resultado, refletindo o nervosismo e receio da volta de um governo populista ligado ao peronismo.

Na prática Macri perdeu a autoridade. A situação ficou crítica. Poucos apostam que ele consiga reverter a situação até as eleições oficiais deste ano.

No do ponto de vista econômico o peso argentino desvalorizou, o risco-país disparou para mais de 1.700 pontos, lembrando que o risco zero tem base 100, tendo inflação perto aos 50% ao ano, com desemprego e miséria em alta.

Macri não conseguiu apoio politico para implementar seu pensamento liberal. Empresário e empreendedor o atual presidente da Argentina é questionado e deu espaço para a esquerda crescer.

Mesmo que esse quadro mude até as eleições (como colocado, poucas chances) é certo que o ocorrido na Argentina serve de alerta ao governo Bolsonaro.

Aqui no Brasil foram 14 anos do governo do PT. Bolsonaro foi eleito exatamente porque conseguiu se colocar como alternativa a esquerda. A eleição foi marcada pelo “nós e eles” ou mais popularmente pela “Fla x Flu”.

O alerta é: caso Bolsonaro erre a mão na condução do País, principalmente nas questões econômicas, ali na frente, pagará um preço elevado e a população tenderá a rever sua posição, abrindo espaço para a oposição ao governo atual crescer.

É imperativo que as reformas avancem. É imperativo que a economia volte a crescer. É imperativo que a inflação seja mantida baixa e controlada. É imperativo que o emprego volte. É imperativo que reduzamos a miséria. É imperativo criar e manter um ambiente de negócios favorável. Somente assim a economia brasileira se sustentará. Não é possível que não tenhamos maturidade econômica suficiente para evitar que uma projeção de mudança ideológica de um País vizinho abale os indicadores econômicos locais.

Mais do que discursar contra ao avanço do peronismo na Argentina o presidente Bolsonaro deve canalizar esforços e energia para que o Brasil dê um salto econômico ao ponto de tornar-se menos vulnerável as crises internacionais.

Que o ocorrido na Argente sirva de alerta ao presidente Bolsonaro: foco nas reformas e na sustentação econômica.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.