Estabeleça a condição ceteris paribus

Entenda o que é a condição ceteris paribus

A condição ceteris paribus é usada na economia para fazer uma análise de mercado levando em conta a influência de um fator sobre outro, sem que as demais variáveis sofram alterações, como por exemplo, poder afirmar que o preço de um produto sobe a demanda por este produto cai, sem que nenhuma outra variável, além do preço e quantidade do produto, interfira.

Qual é a ideia para sua reflexão? Vamos focar em seu negócio, na sua profissão, enfim, em quem opera o mercado de bens e serviços. 

O ambiente internacional está conturbado. De impeachment de Trump, a guerra comercial, passando pelo conflito Estados Unidos e Irã, até o perigo de pandemia do vírus corona, interferem nos negócios. Isso sem falar das crises dos Países vizinhos.

A Bolsa de Valores é abalada, a cotação das ações sobe, em seguida caem, o dólar tem seu preço elevado, depois se estabiliza, enfim, indicam comportamento sem nenhum tipo de tendência. 

Neste momento precisamos nos concentrar em nossos negócios. Mentalize o seguinte: vamos em frente “ceteris paribus”. Darei foco no negócio e na minha profissão “ceteris paribus”.

O ambiente de negócios está favorável. Inflação controlada, juros em queda, confiança dos agentes econômicos em alta, tudo isso levando a projeções de crescimento econômico acima de 2% em termos reais e algo próximo a 6% em termos nominais.

Estabelecer a condição ceteris paribus não é abstrair, não é deixar de considerar o que acontece no Brasil e no mundo, mas sim focar no que mais importante pode impactar sua vida profissional, quer como empreendedor, quer como funcionário das organizações.

Para ilustrar tomemos como exemplo a Bolsa de Valores. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira é composta por uma carteira teórica que pode chegar a 71 ativos. Não é nada, diante da magnitude do mercado brasileiro. E tem mais um detalhe: as três principais ações que compõem o Ibovespa representam mais de 20% do total do índice. Uma queda ou alta na Bolsa pode ser um termômetro do ambiente econômico, mas não é conclusiva em si.

Resumindo: aposte em seu negócio e na sua carreira. Estabeleça estratégias adequadas. Gaste tempo e energia na capacitação profissional. Tenha por perto gente competente e otimista e estabeleça metas e indicadores, avaliando o desempenho permanentemente.

Os fracos esmorecem com o noticiário econômico, os fortes abstraem conscientemente o que ocorre neste mesmo noticiário, e fazem sua empresa e sua carreira crescerem.

Em seus negócios e em sua carreira use sempre a condição ceteris paribus. Vale a pena abstrair: os resultados virão. 

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Continue apostando no crescimento econômico

Continue apostando no crescimento econômico

Passados os primeiros dias de 2020 é possível manter a previsão de que a economia brasileira deve crescer acima de 2% neste ano e este crescimento se dará pelo incremento do consumo das famílias e pelo aumento nos investimentos produtivos.

Esta constatação é alicerçada em algumas premissas importantes. A primeira é que dentro da matriz macroeconômica que define o Produto Interno Bruto (a geração de riquezas do País) pelo lado da demanda, a variável consumo das famílias que pesa dois terços do valor total tem potencial de crescimento, inclusive com elevação da confiança do consumidor.

Diferentemente do estímulo ao consumo implementado no governo do PT, na gestão de Dilma Rousseff, em que o estímulo foi artificial, ou seja, sem controle inflacionário e sem sustentação técnica, atualmente a coisa é mais consistente.

A inflação, apesar do recente repique, está baixa. A taxa de juros básica está no menor patamar da história e ainda a taxa real de juros (juros acima da inflação) também é menor já praticada no País.

Em outras palavras, o crédito está mais barato pela formação dos juros no mercado e não por decisão política. Como o consumo é puxado pela renda e crédito, é consistente a análise que o consumo das famílias ajudará no crescimento econômico. Lembrando que juros menores desestimulam a poupança e estimulam as compras a prazo. Além disso o emprego começa a voltar.

A outra importante variável, que passados os primeiros dias de 2020 também se confirma como indutora do crescimento econômico, são os investimentos produtivos.

O País, depois de muitos anos oferecendo aos rentistas excelente retorno financeiro (bastava aplicar o dinheiro no mercado financeiro), convive com uma nova realidade: ganhos maiores virão do setor produtivo.

Quando, por exemplo, são canalizados recursos para o mercado acionário, é a aposta no setor produtivo. O investidor confia nas empresas e que estas darão retorno. Mas o movimento que trará reflexo positivo no mercado de bens e serviços, é a destinação de recursos para as empresas diretamente.

Neste contexto investir, por exemplo, em imóveis, portanto investimentos na construção civil, passa a ser prioridade. Aqui o indicativo é que os investimentos em vários setores, e não somente na construção civil, saiam das gavetas e os projetos de aquisição e expansão sejam implementados.

Evidentemente que nem todos sentirão os resultados positivos na mesma magnitude e ao mesmo tempo. Empresas que operam o setor externo conviverão com oscilações.

O próprio mercado de trabalho tem um longo caminho até que o emprego formal chegue no grosso da população, isso sem falar na continuidade em levar em frente as necessárias reformas do Estado, entre elas a administrativa e tributária.

Se há alguns dias a aposta era positiva, de lá para cá pouca coisa mudou, e por mais céticos que alguns agentes econômicos sejam, quem opera o mercado em seu dia a dia já sentiu o bom ritmo da economia.

Agora é esperar que os agentes políticos não atrapalhem ou retardam a necessária recuperação econômica. Se depender dos agentes econômicos, os empreendedores, os trabalhos, enfim, aqueles que efetivamente constroem a riqueza deste País, o crescimento econômico será realidade nesse ano, confirmando as previsões iniciais.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Não perca o foco e contenha a ansiedade

Artigo de Reinaldo Cafeo sobre ansiedade

Não sei se está acontecendo com você, mas passados os festejos de fim de ano, as atividades voltaram a todo vapor.

O risco que todos nós corremos é o de perder foco naquilo que projetamos como metas para este ano ou querer realizar tudo de uma única vez. Se fizer assim, o resultado não será o esperado.

É fundamental traçar poucas, mas importantes metas. Para obter os resultados esperados é preciso ir por etapas. Uma casa não ficará pronta se não tiver bom alicerce. Não adianta inverter a lógica que não dará certo.

Afinal o que você pretende realizar em 2020? Isso vale tanto para sua atuação profissional, como do ponto de vista pessoal. Quem não estabelece metas, fica perdido, sem saber ao certo para onde ir. Seja racional e sincero em seus propósitos.

O outro fator a controlar é ansiedade. Por vezes atropelamos o processo, e trocamos etapas, o que resulta ou em retrabalho, ou em algo inacabado.

Tudo isso tem que ser trabalhado dentro da velocidade adequada, o que não é tarefa fácil, afinal, em uma sociedade de consumo como a nossa, por vezes o meio nos impõe um ritmo que não somos capazes de nos adaptar.

O ambiente econômico está favorável. Os recentes conflitos externos abalaram em parte a confiança dos agentes econômicos, mas tudo indica que será de curta duração.

O Brasil tem tudo para crescer economicamente. Não será um desempenho que tire todo o atraso dos últimos de recessão e baixo crescimento econômico, mas é possível que dobremos o desempenho se comparado ao ano passado.

Isso exigirá de todos nós capacidade de mudar estratégias rapidamente, dando maior ou menor velocidade, dependendo dos resultados alcançados e da sinalização do mercado em que atuamos.

Isso poderá refletir de forma positiva em sua vida pessoal. Mais riqueza gerada, maior a possibilidade em criar valor e evidentemente melhorar sua qualidade de vida.

Por sinal, se tem algo que precisamos nos policiar, e até fazer parte de nossas metas, é priorizar a qualidade de vida em nosso dia a dia. De que vale o acúmulo de riqueza, sem que possamos, com saúde, usufruir disso? De que vale tudo isso se não praticarmos o senso coletivo?

Insisto: não deixe que a rotina tire seu foco e tenha senso crítico suficiente para conter sua ansiedade.

Com bons propósitos, controle emocional e determinação os resultados virão.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Projetando o desempenho econômico de 2020

Desempenho econômico de 2020

Passadas as festas de fim de ano é hora de projetar o possível desempenho da economia brasileira para 2020. Para estabelecer bases para as projeções vamos avaliar o que nos espera utilizando a matriz macroeconômicas, neste caso, analisaremos o Produto Interno Bruto pelo lado da demanda.

Antes das projeções, vale considerar que os dados mais recentes no tocante à performance da economia brasileira são positivos, e os vários indicadores macroeconômicos alicerçam projeções mais otimistas para 2020.

Entre os bons indicadores destacamos: a inflação controlada, os juros baixos, o efeito fiscal da Reforma da Previdência, as medidas de liberdade econômica, a geração de emprego, entre outros. Isso tudo criou o que podemos denominar de um bom ambiente de negócios.

Vamos as projeções. Quando avaliamos a matriz macroeconômica pelo lado da demanda, ela leva em conta a somatória do consumo das famílias, dos investimentos produtivos, dos gastos do governo, e ainda o volume de exportações subtraindo deste volume as importações (o saldo da balança comercial).

O consumo das famílias é movido por duas variáveis: renda e crédito. Aos poucos o emprego vem voltando, mas ainda são milhões de brasileiros desempregados. Porém, a queda na taxa de juros têm impactado o comportamento dos consumidores em dois aspectos: o primeiro deles é a menor atratividade na aplicação financeira conservadoras e, portanto, as pessoas com excedentes financeiros podem optar por consumir, o segundo aspecto são os consumidores que, não possuindo excedentes financeiros, demandam crédito e, uma vez que a taxa de juros é menor, podem antecipar as compras via crediário, notadamente adquirindo bens duráveis.

Então a variável consumo deve ser muito importante para gerar crescimento da economia, sendo que esta variável representa dois terços do PIB. Os investimentos produtivos também estão voltando. Os últimos números de 2019 foram muito positivos e esse olhar fora do mercado financeiro também vai ser importante para isso.

O que vem acontecendo?

Com menor remuneração das aplicações financeiras conservadoras, a opção por investir em imóveis passou a ser atrativa, tanto que o crescimento do setor da construção civil pode chegar a 3% ano que vem. Abre-se espaço também para os recursos disponíveis sejam canalizados para o setor produtivo, investindo em empresas, na ampliação da planta física, na aquisição de equipamentos e até na busca por franquias.

Então é possível que nós tenhamos uma retomada da economia também via variável investimento. Quanto aos “gastos do governo” a expectativa é menor, à medida que o governo vai continuar tentando segurar os gastos públicos. Já as exportações não estão no volume que o País necessita, e ainda Brasil possui pauta de exportação fraca, porque é muito centrada em commodities, e mesmo com o acordo comercial entre China e Estados Unidos, é possível projetar saldo comercial positivo.  

Em resumo: serão três grandes variáveis puxando o crescimento no ano que vem – o consumo das famílias, os investimentos produtivos, e o saldo líquido da balança comercial. Com isso é possível um crescimento na ordem de 2,2% a 2,5% acima da inflação, ou seja, crescimento real. O crescimento nominal (sem descontar a inflação projetada para 2020) será próximo de 6% para o ano que vem.  

Evidentemente que para consolidar estas projeções e obter o alicerce necessário para sustentar o crescimento e o País não enfrentar nenhum revés, pelo menos duas reformas têm que ser iniciadas no próximo ano: a reforma administrativa, tornando o Estado um pouco mais leve, mais enxuto, e a reforma tributária, para que efetivamente o Brasil saia dessa complexidade que é o sistema tributário. Isso sem contar que ocorram menos pressões internacionais.

Enfim, 2020 será um ano de recuperação e é possível ser otimista quanto desempenho econômico. Vale destacar que o País está distante de recuperar todo o tempo perdido, mas será um ano positivo, projetando crescimento econômico em praticamente o dobro do desempenho econômico de 2019.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Passou o Natal: vamos refletir sobre 2020?

Reflexão sobre 2020

O tão esperado Natal ficou para trás e agora é de focar o ano de 2020. Sem dúvida este ambiente de fim de ano é uma mistura de ansiedade, descanso, realizações e reflexões.

Fiquemos no campo das reflexões. A sociedade de consumo em que estamos inseridos nos força a pedalar para não deixar a bicicleta cair. Poucos possuem habilidades para mantê-la em pé, parada, por muito tempo.

O pedalar aqui, se não for bem entendido, pode indicar que somos forçados a andar sem parar.

No mundo dos negócios em particular, se não tomarmos os devidos cuidados, seremos induzidos a cada vez mais correr atrás dos resultados, tendo como objetivo ampliar as posses, imaginando melhoria na qualidade de vida, porém, corremos o risco de sequer usufruir dos bens conquistados.

A reflexão principal é: quais são os motivadores que trabalharei para ter um 2020 melhor? Quais indicadores que pretendo estabelecer para que o resultado final seja a combinação de criação de valor e aumento na qualidade de vida?

No âmbito da economia é possível prever um ano melhor, projetando pelo menos o dobro do desempenho de 2019. Isso por si só não será suficiente se não soubermos exatamente aonde queremos chegar.

Afinal o que efetivamente queremos? Será que seremos capazes de harmonizar o trabalho, a família, os amigos e espiritual?

Na prática é preciso dosar a velocidade das coisas. Focar nas metas profissionais é fundamental, garantindo bons retornos financeiros, mas isso deve vir acompanhado de um olhar prioritário para a família e amigos.

O espiritual fornecerá a força e equilíbrio necessários para fortalecer nossa caminhada.

Não são tarefas fáceis e o caminho mais comum é prometer, prometer, e quando vem a rotina, esmorecer. Este comportamento é para os fracos.

Por sinal o calendário é sábio: todos os anos nos preparamos para o novo ano, sempre buscando renovar nossas expectativas e propósitos.

Trace poucas, mas importantes metas. Compartilhe com seus familiares suas intenções. Estabeleça uma rotina em que seja possível garantir um mínimo de qualidade de vida.

Optando por acumular riqueza, que este acúmulo tenha limites, e que, dentro do senso coletivo, tenha tempo para promover o bem-estar da comunidade em que vive.

Considerando que o racional nos remete a fixação de metas econômicas e financeiras, que ao menos o emocional nos traga para realidade, que indica vida harmoniosa em família, com os amigos, sempre com o importante tempero do espiritual.

O Natal passou, mas o a mensagem que ele nos trouxe não pode ser em vão. Vale refletir sobre seus propósitos em 2020!

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Economia: a floresta e suas árvores

Economia: artigo de Reinaldo Cafeo

Um dos grandes desafios de quem analisa a conjuntura econômica brasileira é se fazer entender no tocante aos números do desempenho econômico.

Tomemos como exemplo o momento econômico brasileiro. Inflação baixa e controlada; taxa de juros no menor patamar histórico; Produto Interno Bruto apresentando crescimento; desemprego em queda; confiança tanto do empresário como do consumidor em alta.

Tudo isso não seriam motivos suficientes para que todos tirassem proveito deste bom ambiente econômico? A resposta é: depende.

A inflação está baixa, mas alguns produtos que compõem o índice apresentam expressiva elevação de preços. Certamente os consumidores que consomem carne estão duvidando da baixa inflação. Isso vale também para quem precisa abastecer seu veículo, os combustíveis estão com preços majorados.

Considerando que a inflação é uma média ponderada de preços, e que envolve praticamente tudo que consumimos, o fato de alguns preços não subirem e até terem queda, fazem com que o resultado seja menor do que as altas isoladas de alguns produtos.

O mesmo raciocínio vale para o desempenho da economia. Quem ainda está desempregado, quem tem pouca qualificação profissional, enfim, normalmente os mais pobres, demoram a usufruir do bom momento da economia.

Para estes, as coisas continuam ruins. Já os operadores do mercado imobiliário, os que trabalham em áreas cujas vendas estão bem acima do normal, comemoram esta nova fase da economia.

Quem viajou para exterior certamente sentiu na pele a alta do dólar (agora houve uma trégua), mas quem não tirou os pés do Brasil talvez nem saiba qual é a cotação atual da moeda estrangeira.

Juros em queda afetam os investidores. Já para quem precisa de crédito, não sentiu tanto este impacto. Quem por exemplo, usa o rotativo do cartão crédito teve pouco alívio. Já empresas com bom balanço captam atualmente recursos no mercado a uma taxa de juros bastante convidativa.

Em resumo: o desempenho econômico não atinge a todos linearmente. Alguns sentem o reflexo positivo quase que imediatamente, outros terão que esperar longos meses para que isso ocorra.

Isso tudo não invalida a análise econômica, à medida que o desempenho macroeconômico, dos agregados econômicos, pode ser bom, já alguns setores da economia e empresas individualmente, ou seja, o desempenho microeconômico, nem sempre será positivo. Em outras palavras: as vezes a floresta (a macroeconomia) pode ser vistosa, mas algumas árvores (a microeconomia) podem estar doentes.

E é desta maneira que devemos entender a conjuntura econômica: nem todos colherão os mesmos frutos e tampouco na mesma quantidade, por isso, cuidado com as análises superficiais e voltas somente para o seu ambiente de negócios.

Vale ampliar o seu campo de visão para entender essas dimensões da economia brasileira.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Economia: crescer sustentadamente

Economia: crescer sustentadamente

Toda vez que a economia brasileira é analisada é praticamente impossível não passar pela expressão “voo da galinha”. A expressão pinçada pelo saudoso Economista Roberto Campos, retrata o desempenho econômico brasileiro ao longo dos anos, que ora indica crescimento, mas sem sustentação, cai em seguida e o País passa a conviver com este sobe e desce na geração de riquezas.

O fim deste ciclo virá quando os fundamentos econômicos estiverem alicerçados. Isso passa necessariamente pela capacidade de o Estado brasileiro criar condições para que o ambiente de negócios seja favorável.

Do ponto de vista dos Entes públicos o equilíbrio fiscal e a geração de excedentes financeiros para alocar recursos em investimentos, são fundamentais para que o setor privado seja estimulado a também investir na economia brasileira. Isso gera ainda atratividade no tocante ao capital estrangeiro.

A destinação dos recursos de investimentos tem ser na direção da eliminação dos gargalos existentes.

Modal de transportes, portos modernizados, aeroportos capazes de atender a demanda, energia, saneamento, entre tantos outros entraves ao desenvolvido do Brasil. Isso sem falar na necessária diminuição do tamanho do Estado brasileiro, sendo as privatizações um grande caminho para que isso seja colocado em prática.

Na outra ponta, é preciso gerar segurança jurídica, e isso passa para um Judiciário mais previsível, que respeita os contratos, garantindo liberdade econômica.

Para ilustrar: de que adianta a economia voltar a crescer se no longo prazo não há como escoar a produção, gerar energia, distribuir a riqueza até atingir o público consumidor? De que adianta a economia crescer se os contratos não são cumpridos, e a burocracia domina no dia a dia das organizações.

Além destes aspectos, promover somente a Reforma da Previdência é pouco. No curto prazo, ao menos as Reformas Administrativa e Tributária precisam ser focadas. Nos médio e longo prazos, as Reformas Política e do Judiciário são inevitáveis.

Considerando a forma com que a equipe econômica do governo Bolsonaro vem conduzindo os destinos da economia brasileira, abre-se uma janela de esperança, posto que, mesmo com todas as dificuldades na articulação política para avançar nos principais pontos aqui elencados, há um norte a ser seguido.

Em resumo: é preferível crescer menos, mas crescer sempre, em vez de tentar alçar voos mais altos que não se sustentam. Se deixarem levar em frente o projeto econômico desenhado pela atual equipe econômica, isso pode ser realidade.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Economia brasileira em crescimento

Economia brasileira em crescimento

A economia brasileira apresentou crescimento no terceiro trimestre deste ano. Dados do IBGE apontam para um avanço de 0,6% se comparados ao segundo trimestre também deste ano.

Em relação ao mesmo período do ano passado o crescimento atingiu 1,2%, sendo a décima primeira alta consecutiva.

Se analisarmos o desempenho pelo lado da oferta, os três grandes setores da economia cresceram: setor primário apresentou resultado de + 1,3%; o setor secundário + 0,8% e o setor terciário + 0,4%.

Pelo lado da demanda o desempenho foi o seguinte: consumo das famílias apresentou crescimento de 0,8%; gastos do governo (-) 0,4%; investimentos + 2%; exportações caíram 2,8% e as importações cresceram 2,9%.

Alguns pontos merecem destaque. O primeiro deles é o crescimento dos investimentos. É a segunda alta seguida, mesmo tendo ficado abaixo dos 3% do período anterior.

A sustentação do crescimento no longo prazo vem por esta variável. Com queda nas taxas de juros e injeção de recursos via FGTS o consumidor está mais confiante, o desempenho de +0,8% no consumo das famílias é o melhor resultado desde o terceiro trimestre de 2018.

O setor industrial apresentou a maior alta desde o quarto trimestre de 2017 (+0,8%) com destaque para a indústria extrativa, que cresceu 12%, o que compensou o baixo desempenho da indústria de transformação que apresentou queda de 1% no período. O setor da construção civil, forte geradora de empregos, cresceu 1,3%.

Do lado negativo tem-se a queda nas exportações, cujas justificativas são a desaceleração global e mais especificamente a recessão na Argentina. No tocante aos gastos do governo, a queda de -0,4% reflete o contingenciamento de recursos promovido pelo governo Federal.

Dados mais recentes, já refletindo o último trimestre do ano, também indicam crescimento, o que permite projetar elevação do Produto Interno Bruto acima de 1% para este ano. Todos se recordam que estes números já foram de 2,5%, com quedas sucessivas até atingir 0,8% e agora apontando para este patamar.

Tudo isso cria um ambiente favorável para o que vem. É possível esperar crescimento acima de 2%, de maneira sustentada, o que é bom. A Reforma da Previdência foi importante, e se o governo não errar a mão nas reformas administrativa e tributária, podemos projetar dias melhores.

O ano de 2020 será desafiador em termos de calendário devido às eleições municipais, por isso é fundamental que haja boa articulação do governo Federal com os membros do Congresso Nacional, caso contrário as coisas param.

De qualquer maneira, quando o emprego voltar para valer, aí sim, teremos deixado para trás o desastre do desempenho econômico dos últimos anos. A curva atual da economia brasileira é ascendente e isso é bom.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industria de Bauru – ACIB.

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Décimo terceiro: muita calma nesta hora

Décimo terceiro: muita calma nesta hora

Boa parte dos trabalhadores brasileiros receberá renda extra, o décimo terceiro salário. Como todo dinheiro recebido é preciso ter muita calma nesta hora.

Ter calma para decidir o destino do dinheiro não é sinônimo de frustrar expectativas, mas está mais que comprovado que lidar com dinheiro tem mais componente emocional do que racional.

Gerenciar este recurso extra é na prática a essência da ciência econômica: administrar a escassez, remetendo aos problemas fundamentais da economia, isto é, quando as necessidades são ilimitadas e os recursos são escassez é preciso fazer escolhas.

O trabalhador pode escolher consumir. É uma escolha, e se for esta opção mesmo assim tem que ser prudente. Alguns produtos típicos desta época assumem valores iniciais acima dos preços praticados durante o ano. Pesquisar é preciso.

Mesmo considerando que consumir toda renda extra é uma opção do trabalhador, não seria aceitável, “torrar” o dinheiro em consumo tendo alguma pendência financeira. Neste particular destaco três delas: dívida vencida, uso do limite do cheque especial e o uso do rotativo do cartão de crédito.

Utilizar o décimo terceiro para consumo deixando dívida em aberto, que é corrigida com juros elevados e ainda tendo a incidência de multa, não faz muito sentido. O mesmo raciocínio serve para o cheque especial e rotativo do cartão de crédito. São modalidades caras para simplesmente deixar de liquidá-las. Estamos falando de juros acima de 10% ao mês. Fora de qualquer propósito.

Outro ponto a ser considerado pelo consumidor é a necessidade de criar um colchão de recursos, via poupança. Algum dinheiro, no caso ao menos 15% do valor recebido, deveria ser canalizado para investimento financeiro. Dependendo do valor e prazo não precisa necessariamente aplicar na caderneta de poupança. Há opções mais rentáveis no mercado, como títulos do governo e fundos e investimentos.

Aqui vale a velha lembrança dos compromissos inevitáveis de início de ano, portanto, reservar algum dinheiro para isso é necessário.

Resumindo: é inevitável destinar parte do décimo terceiro para o consumo, afinal, festejar o fim de ano faz parte de nossa vida. Isso vale também para os gastos em viagens de férias. Mesmo assim, o racional indica que dívidas pendentes devem ser liquidadas, e na mesma linha, fazer um esforço para investir ao menos parte do dinheiro recebido.

Quando as necessidades são ilimitadas e os recursos são escassos, o que faz a diferença é a capacidade de fazer as melhores escolhas. Pratique isso!

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Juros em queda: foco no lado real da economia

Juros | Opinião de Reinaldo Cafeo

O atual governo, em especial o Banco Central brasileiro, tem introduzido na economia brasileira uma política monetária mais frouxa.

Tendo como pano de fundo o controle efetivo da inflação os juros nominais estão em queda livre. Em novembro de 2016, portanto, há três anos a taxa básica era de 14% ao ano. Atualmente é de 5% ao ano, com projeção de queda para 4,5% ao ano.

Além da queda na taxa nominal, observa-se queda na taxa real de juros. A taxa de juros acima da inflação que já foi superior a 3,5% ao ano, aponta para algo próximo a 1% ao ano.

Este movimento nos juros tem forçado a mudança de comportamento dos investidores. Aplicar na caderneta de poupança que rende atualmente 0,29% ao mês não cobrirá sequer a inflação. As demais aplicações em renda fixa, as mais conservadoras, renderão 0,40% ao mês, quando muito 0,48% ao mês, sendo que na maioria destas aplicações haverá a incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital. Isso tudo indica que para obter maiores ganhos, o investidor terá que correr algum risco.

Entre arriscar em ações e outros opções de renda variável, muitos investidores passaram a considerar o lado real da economia como alternativa para rentabilizar mais seu dinheiro.

De um lado cresce o apetite por imóveis. Obter 0,5% de rendimento ao mês em aluguel de imóvel passou a ser atrativo. Se este rendimento for acompanhado da valorização do imóvel, haverá uma combinação perfeita.

Além dos imóveis, muitos investidores analisam investir em empresas. Neste caso, preferem as franquias, posto que estas tendem a indicar menos risco ao capital investido, afinal, o empreendedor pagará pelo know how do franqueador. Uma boa franquia vem acompanhada de um plano de negócios, com definição clara da estrutura administrativa, financeira, jurídica, contábil, de processos, de suprimentos e de vendas. Tanto o prazo de retorno como a taxa de retorno são indicadores prévios que permitem avaliar o nível de risco assumido.

Esta mudança de comportamento dos investidores é muito positiva para o País. Os ganhos financeiros, no lado monetário da economia, sempre foram privilegiados no Brasil. O lado real da economia, por apresentar maiores riscos, foi priorizado por poucos empreendedores.

Como o Brasil está em reconstrução há ainda muito a fazer, principalmente no tocante a sustentação do crescimento econômico e na segurança jurídica, mas não há dúvida que o olhar dos investidores já não é o mesmo, ou seja, ganhos nos mercados financeiro e de capitais, e os projetos dos empreendedores, podem sair do papel.

O desejo é que, o movimento que vem ocorrendo agora seja mais do que uma alternativa ao mercado financeiro, seja uma tendência de longa duração.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB