13 de agosto, Dia do Economista: muito a comemorar

13 de agosto, Dia do Economista: muito a comemorar

A profissão de economista foi sancionada em 13 de agosto de 1951 por Getúlio Vargas. Desta maneira todos os anos, no dia 13 de agosto, comemora-se o dia do economista. É uma profissão desafiadora. De um lado exige do profissional desta área a racionalidade, afinal, os modelos econômicos se valem da matemática e estatística.

De outro lado exige capacidade de abstração, principalmente quando se refere a leitura do ambiente econômico. Não obstante estas exigências o que mais emblemático há no exercício desta profissional é busca incansável da justiça social.

Isso é demonstrado quando os economistas contribuem na elaboração das políticas macroeconômicas. Qual o resultado prático em elaborar políticas públicas que garantam o crescimento econômico sustentável ao longo dos anos? Quais os impactos na população quando há efetivo controle da inflação? O que dizer da promoção social quando são criadas condições econômicas para geração de emprego?

Levar o País ao crescimento econômico, com baixa inflação e gerando emprego garante vida digna as pessoas. Há um outro fator mais importante: o quanto faz a diferença aos cidadãos quando modelos econômicos, elaborados ou tendo a contribuição do economista, atingem em cheio a distribuição equitativa da renda!

Mesmo no contexto microeconômico o economista contribui para melhorar as condições de vida das pessoas. Auxiliar os empreendedores na elaboração e prática de Planos de Negócios. Garantir a estrutura de capital necessária para sustentar os negócios. Planejar carreiras profissionais sólidas e ainda indicar caminhos para que as famílias possam gerenciar adequadamente o orçamento familiar. Desenvolver modelos financeiros para que as decisões presentes sejam ótimas ao ponto de garantirem uma velhice com qualidade de vida, vai ao encontro destas premissas.

Enganam-se aqueles que atribuem aos economistas os momentos de retrocesso econômico do País, afinal, por vezes a vontade política dos governantes, modificam os caminhos tecnicamente traçados por estes profissionais, e o resultado nem sempre são aqueles projetados.

Mas insisto: há muito a comemorar e não dúvidas que, dada a dimensão dos desafios que a pandemia no novo coronavírus nos trouxe, será imprescindível utilizar na plenitude o conhecimento dos economistas para reduzir os efeitos sociais e ao mesmo tempo abreviar a retomada da economia.

Economista, comemore, hoje e sempre!

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/

Está mais desafiador sustentar o crescimento

Está mais desafiador sustentar o crescimento

Para fugir do denominado voo da galinha, e galinha não voa, é fundamental que o crescimento econômico brasileiro seja sustentável ao longo do tempo. Os agentes econômicos sentem-se inseguros quando há oscilações na economia, ou seja, a alternância em curto espaço de tempo de crescimento e recessão.

O governo Bolsonaro e, mais especificamente, o seu Ministro da Economia, Paulo Guedes, estabeleceu sua estratégia para dar esta sustentação. Concordem ou não, aceitem ou não, ela existe.

O primeiro passo é garantir equilíbrio nas contas públicas. É evidente que não há condições de zerar a dívida pública, contudo esta dívida deve ser sustentável. Neste contexto, indicadores como juros real e crescimento da economia demonstram o quanto a economia do País é saudável.

O desafio é: como maximizar o bem-estar da sociedade considerando as limitações do orçamento público, mesmo que para isso o déficit fiscal tenha que ser financiado pelas dívidas.

Neste contexto é imperativo que haja superávit primário. Receita menos despesas do setor público, sem contar o serviço da dívida, precisa ser positivo. Aqui há um desafio adicional: se no passado as reformas poderiam indicar o caminho seguro para estabilizar a dívida pública, agora o tamanho do buraco será ainda maior. Podemos ter um déficit primário na casa dos 8% a 10% do PIB, algo próximo a R$ 800 bilhões. Não é pouca coisa.

As variáveis a serem controladas são: receitas menos despesas, os juros reais praticados e o estoque de dívida. A variação da dívida a partir destas variáveis precisa ser zero para considerarmos tecnicamente sustentável. E isso não vai ocorrer.

A reforma da previdência trouxe e continuará impactando positivamente, mas é pouco. A reforma administrativa, tornando o Estado mais leve, passa a ser imperativa. As privatizações precisam criar corpo, a reforma tributária precisa sair do papel, e é fundamental aumentar a produtividade em todos os setores da economia.

O chamado custo Brasil (a ineficiência no uso dos estoques dos fatores de produção) é um grande limitador. O baixo investimento em ciência e tecnologia, impede que a sociedade maximize sua capacidade produtiva. Além disso, o ambiente de negócios é inseguro juridicamente falando, tendo ainda grandes desafios tais como promover o empreendedorismo, introduzir os jovens no mercado de trabalho, entre tantos outros.

Se na virada do ano passado as projeções apontavam um caminho difícil, mas de alguma maneira seguro ali na frente, hoje, não só voltamos à estaca zero, como andamos para trás.

Não perder de vista quais são os alicerces para garantir a sustentação do crescimento da economia já é um primeiro passo.

As incertezas provocadas pela pandemia do novo coronavírus, potencializada pelo conturbado ambiente político, com clara disputa de poder, e ainda tendo o calendário eleitoral pela frente, tudo isso gera dúvidas e variáveis que assombram a mente dos agentes econômicos.

É fundamental que o governo Bolsonaro retome o modelo econômico planejado e sinalize que trilhará um caminho seguro. Voo da galinha, nunca mais. Está mais desafiador sustentar o crescimento econômico brasileiro, mas é preciso superação.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/

A pedidos: vou desenhar

A pedidos: vou desenhar

O primeiro desenho é no contexto macroeconômico. Qualquer pessoa com conhecimento mediano em economia sabe que um dos pontos básicos para sustentar o crescimento econômico vem do controle fiscal.

O desastre da política econômica do PT, notadamente na gestão de Dilma Rousseff, levou o Brasil a gerar déficit primário. A gastança ficou solta. Com uma matriz econômica equivocada, levou o País a observar algo inédito em sua história: dois anos seguidos de tombos acima de 3,5% na economia (recessão na veia).

Com indicadores econômicos e sociais deteriorados, Dilma sai de cena e Temer assumiu o comando do País. Henrique Meirelles foi o comandante da economia e teve que juntar os cacos. Era imperativo limitar os gastos públicos, portanto, introduzir o teto de gastos foi um caminho corretamente adotado, sendo, inclusive pedagógico, sinalizando: basta de gastança sem controle.

Os dois anos de recessão ficaram para trás, e o Brasil e mesmo com crescimento baixo, iniciou redesenho da economia brasileira. O projeto de Meirelles para economia foi interrompido quando houve o vazamento de gravação que comprometeria o então Presidente Temer. Restou levar o País para as novas eleições presidenciais.

Bolsonaro vence as eleições muito menos por seus méritos, muito mais pelo passado do PT, ligado a corrupção que culminou inclusive com a condenação em segunda instância de seu maior líder, o Lula. Qualquer um que tivesse um discurso oposto ao que foi praticado pelo PT teria chances reais de vencer as eleições presidenciais. E isso se concretizou.

Ao escolher Paulo Guedes como ministro da economia Bolsonaro sinalizou a introdução no País de uma nova matriz econômica, mais liberal. Era fundamental continuar o ajuste fiscal a reformar a previdência, que acumulou em 2020 déficit de R$ 318 bilhões (crescimento de 10% sobre 2019), seria um primeiro passo, e isso se concretizou. O crescimento em 2019 foi ainda baixo, mas a projeção para este ano era positiva. Com novas reformas no radar, entre elas a tributária e administrativa, crescer algo entre 2% e 2,5% era factível.

A Bolsa de Valores brasileira refletiu no início de ano este otimismo, operando em sua máxima histórica em termos nominais. A pandemia do novo coronavirus mudou todo o panorama. As reformas foram adiadas e a quarentena prolongada agravou os indicadores econômicos.

Feito este primeiro desenho, vamos ao segundo: o ambiente local. Lembrando quem o resultado macroeconômico depende do desempenho microeconômico. Quem leu atentamente meu artigo “tem hora que é preciso desenhar?” verificou que em momento algum imputei ao executivo municipal responsabilidade pelo agravamento econômico.

O que ponderei e continuo a defender é que o setor privado e a sociedade como um todo acreditaram nas palavras tanto do governador como do prefeito de Bauru, sempre apontando a “ciência” como o pano de fundo para suas decisões. Isso não foi demonstrado. Agora, depois de mais de 120 dias com as atividades paralisadas há mais de 90 dias o fôlego financeiro acabou. Não é nunca foi o pedido do liberou geral, mesmo porque a situação da Covid19 é grave.

A questão é simples: executivo municipal olhe e cuide dos seus, esqueça o governador que em momento algum considerou a realidade do interior de São Paulo, errou, usou a pandemia com fins políticos. Sequer saiu de São Paulo neste período. Interior esquecido.

Com coerência, diálogo, filtrando os pleitos e acima de tudo aberto a críticas, é possível, com responsabilidade, reduzir os impactos econômicos locais. Não resolveremos o problema do País, mas resolveremos os nossos problemas. Só para ilustrar Bauru observou o pior semestre em 4 anos no tocante a geração de emprego: perda acumulada de 1.941 postos de trabalho, com o comércio sendo o mais afetado.

Meu desenho final é: executivo municipal, administre sua cidade, tenha um olhar para os seus. O resto é chororô daqueles que acreditam que o dinheiro público é infinito, ou tem a sua situação financeira resolvida.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/

Tem hora que é preciso desenhar

Tem hora que é preciso desenhar

Vivemos um momento ímpar em nossa existência. A pandemia provocada pelo novo coronavírus, a Covid19, tem forçado cada um de nós a mudar mais do que a rotina, nosso modo de viver.

Mudamos nosso vocabulário diário incluindo palavras e expressões tais como: o novo normal; isolamento social; platô; entre tantas outras.  Além do novo vocabulário também há inúmeras leituras sobre este momento.

Não obstante observarmos que há, o que possa denominar de “curva de aprendizagem”, por ser tudo novo, há momentos em que o óbvio não é visto, portanto, como dizem popularmente “é preciso desenhar”.

No dia 24 de março deste ano foi publicado o primeiro Decreto Estadual instituindo a quarentena nos 645 munícipios do estado de São Paulo, inclusive Bauru. Lá se foram mais de 120 dias. Com epicentro do problema de contaminação na cidade de São Paulo e depois na grande São Paulo, o governador do Estado, João Dória, entendeu que o problema seria do estado como um todo o que não se confirmou.

Tendo necessidade de marcar território, o governador de São Paulo tentou crescer politicamente se opondo a qualquer tipo de posicionamento do Presidente Jair Bolsonaro. Sempre argumentando que a ciência é ditava seus atos, foi incapaz de admitir seus erros. Foi lento nas decisões, foi omisso no aparelhamento do estado no tocante a retaguarda de saúde e simplesmente ignorou, reafirmo ignorou, a realidade do interior de São Paulo. Em momento algum saiu da capital para coordenar ações regionais.

Especificamente em Bauru observamos a verdadeira novela que foi a abertura de 40 leitos no HC – que deveria se chamar Hospital das Clínicas, e na prática HC quer dizer Hospital de Campanha.

O Prefeito Municipal surfou nesta onda. Recém chegado ao PSDB não poderia contrariar aquele que, politicamente, pode lhe dar a legenda para concorrer à reeleição, e evidentemente os recursos necessários, para que o PSDB local finalmente, no voto, chegue ao poder.

Isso tudo posto, o desenho real é seguinte: considerando a deterioração da economia local; considerando a perda 5.720 vagas de trabalhos formais durante nestes últimos três meses; considerando a queda de faturamento em 85% das empresas locais; considerando que o microempreendedor individual passou a ter renda mensal abaixo de um salário mínimo; considerando o crescimento de pessoas miseráveis e aumento do número de moradores de rua;  considerando o crescimento de casos de tentativa de suicídio por conta do isolamento e desesperança, e considerando que ocorreram erros e mais erros na condução por parte do setor público no combate a pandemia é imperativo, eu disse imperativo, que o Executivo Municipal descole do governador e finalmente governe com olhar para os seus.

Não há lei que proíba isso!

O desenho final é: antes de editar qualquer Decreto, antes de editar normas de procedimento, que ao menos tenha a humildade de ouvir aqueles que como ele, lutam pelo bem-estar de Bauru. Ninguém quer o “liberou geral”, o que a sociedade quer é reduzir o impacto do isolamento e de alguma maneira proteger a geração de riqueza da cidade, e evitar o caos social. É pedir muito?

Ficou claro, ou é preciso fazer novo desenho?

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/

Prévia do PIB subiu 1,3%, o que isso significa?

Prévia do PIB subiu 1,3%, o que isso significa?

O Banco Central brasileiro divulgou o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado a prévia do Produto Interno Bruto – PIB, e o resultado apontou alta de 1,3% em maio na comparação com o mês de abril deste ano.

Afinal o que esta alta significa? Resposta objetiva: muito pouco. Primeiramente é preciso entender a base de comparação. Este mesmo indicador observou queda de 9,73% em abril.

Mesmo março não sendo um bom parâmetro, mas se assumirmos aquele mês como base 100, atingimos em abril 90,27 e agora recuperamos 1,3%, atingindo, neste exemplo 91,57, ou seja, no acumulado de dois meses o tombo da economia é de 8,43%.

Ampliando a análise, comparando agora com maio do ano passado, o IBC-Br recuou 14,24%. Neste ano, em cinco meses, o índice acumula queda de 6,08%.

Além de a alta significar pouco, fica evidenciado que o chamado “fundo do poço” da economia brasileira se deu em abril deste ano, mas a retomada é lenta.

Muitas localidades e em especial o interior do estado de São Paulo foram abrigadas a cumprir quarentena desnecessariamente. O governo do estado nivelou todo o estado pela cidade de São Paulo e o preço pago está refletido nestes números.

O lado cheio do copo é que há uma demanda reprimida. Bastou abrir um pouco a economia que os consumidores voltaram as compras. Não é um desempenho uniforme, em todos os setores da economia, mas é um indicativo que, de maneira responsável, é possível, e diria mais, necessária volta gradativa das atividades econômicas.

Não avaliar os números da economia em suas reais dimensões é virar as costas a realidade. Neste contexto é preciso praticar, coisa que não ocorreu até agora, a multidisciplinariedade em toda a sua dimensão, e mais que isso, exigir ações concretas do setor público na retaguarda da saúde, para que as atividades produtivas possam voltar à normalidade.

Vale destacar que a população e o setor privado da economia em especial já deram sua dose de contribuição.

O tombo da economia neste ano deve girar em torno de 6% a 6,5% em termos reais e isso não é pouco. O desemprego e o crescimento da miséria já são realidade.

Analisar com senso crítico o que ocorre na economia, realizando a adequada leitura dos indicadores, é o mínimo que se espera de quem se colocou a serviço da população via processo eleitoral.

Será que entenderam isso ou somente quando a água bater no nariz do orçamento público é que agirão?

Os números estão aí, pratiquem a capacidade analítica e ajam na direção certa.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/

O samba de muitas notas

O samba de muitas notas

Em 30 de abril próximo passado escrevi neste espaço o artigo intitulado: “Autoridades Públicas no combate a Covid19: samba de uma nota só”, alertando a ausência do uso da visão multidisciplinar no combate a pandemia.

Logo em seguida, no dia primeiro de maio, neste mesmo espaço o Prefeito Clodoaldo Gazetta, retrucou meu artigo publicando o seguinte tema: “pandemia de uma nota só: nego a situação ou acho um culpado?”, justificando todas as medidas tomadas pelo Comitê de Crise da Prefeitura, concluindo que estavam no caminho certo.

O tempo passou. O Comitê de Crise da Prefeitura se isolou. Interrompeu o diálogo com as Entidades representativas do setor privado da cidade. Se distanciou do outro importante Poder, o Legislativo municipal. Tentou estabelecer um “pacto” local, contudo, este “pacto” era unilateral. Não abriu espaço para construção conjunta. Não vingou.

O Prefeito optou por envolver as cidades da região. De pacto municipal introduziu o “pacto regional”, também sem a participação de representantes da sociedade. Na prática se submeteu à vontade do governador do Estado João Doria que tratou desiguais como se fossem iguais.

Resultado: os cidadãos, os empresários, enfim, aqueles que viram seus escassos recursos acabarem, cansaram. Isso tudo potencializado pela demora em dotar a cidade com a infraestrutura adequada para enfrentar o pico da doença, que por sinal, viria em maio, depois em junho e agora sabe-se lá quando.

De promessa em promessa e cada vez mais se distanciando da realidade da cidade, a sociedade reagiu: quando um Poder constituído é omisso, não ouve a voz do povo, um outro Poder age. E foi assim que a Câmara Municipal de Bauru agiu. Assumiu seu papel, e diria até protagonismo, e derrubou o veto do Prefeito no tocante ao Projeto de Lei que flexibiliza as atividades comerciais e de serviços.

Com isso teremos uma Lei Municipal para chamar de nossa (se o Prefeito não a promulgar, o Presidente da Câmara já disse que o fará).

Não obstante o setor privado e parte da sociedade atingirem os seus objetivos não é o momento para comemoração. Não há ganhadores com tudo isso.

O Executivo Municipal reagiu de maneira inadequada ao resultado da votação na Câmara, e divulgou um texto, escrito mais com o fígado do que com o cérebro e, com erros de interpretação da nova Lei, foi obrigado a retirar a publicação das redes sociais. Mas isso não impediu a reação da Câmara de Bauru e setores da sociedade, questionando este posicionamento.

Como colocado, não há ganhadores. Todos nós seremos vencedores se escrevermos juntos o “samba de muitas notas”. Isso mesmo.

Se o Executivo Municipal deixar a soberba de lado, e aprender com seus erros, abrirá o diálogo, tanto com a Câmara Municipal, como com as Entidades Representativas do setor privado. Deixando diferenças de lado, definirão modelos, regulamentos, para que, tendo agora uma Lei Municipal, não ficar mais subordinado as decisões questionáveis do governo estadual.

Queremos manter o combate a Covid19, mas não queremos errar mais. Queremos que, passados mais de 100 dias do chamado efeito sanfona (abre e fecha), com protocolos rigorosos, possamos laborar, e ao mesmo ampliar a retaguarda sanitária.

E é simples entender tudo isso: não há e não haverá vacinas no curto prazo, portanto, estratégias compartilhadas podem apontar resultados melhores.

Gestão se faz com estratégias e não com raiva e revanchismo. Que possamos escrever juntos o “samba de muitas notas”, todos ganham.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/

A pandemia e a teoria marginalista

A pandemia e a teoria marginalista

O movimento econômico datado de 1870 introduziu a análise marginalista em contraponto ao entendimento da visão econômica clássica que apontava que os preços dos bens e serviços eram definidos pelo seu custo de produção.

Na visão marginalista os custos de produção são importantes, mas a definição do valor das coisas também depende do nível de satisfação alcançado ao consumir tais bens e serviços. Desta maneira saiu de cena o chamado valor-trabalho e entrou o valor-utilidade.

O que a teoria marginalista tem a ver com a pandemia provocada pelo novo coronavírus, a Covid19? Vamos contextualizar.

O mundo em geral, e mais próximo de nós, o estado de São Paulo e em especial Bauru, implementaram uma primeira etapa que exigiu isolamento e distanciamento social. Todos nós ainda sem sabermos a dimensão do problema, fizemos a nossa parte.

Acreditamos nas Autoridade Públicas notadamente quando indicavam que o isolamento era necessário para que o setor público se preparasse para o pior cenário, à medida que tínhamos e ainda não temos nem remédios eficazes e tampouco vacina. Pouco fizeram.

Depois de mais de 100 dias de isolamento vem ocorrendo o podemos chamar de efeito sanfona, ou seja, um abre e fecha, que ninguém entende. Com decisões sem embasamento científico (se existem não são divulgados) as pessoas passaram a emitir juízo de valor sobre o que vem ocorrendo.

Vejam o caso da cidade de Bauru, que numa quinta-feira foi elogiada pelos representantes do Estado, como exemplo de combate a pandemia, e no dia seguinte na sexta-feira, foi rebaixada para fase vermelha, imponto novo isolamento, mantendo somente as atividades essenciais.

Diante deste cenário o comportamento das pessoas segue em parte a lógica da teoria marginalista. Muitos, sem o senso coletivo, se comportam levando em conta a utilidade que o momento lhes traz. Diria mais, levando em conta seu nível de conforto.

Para quem opera no setor privado e não observou queda na renda e atua a distância, o isolamento social pode continuar. Também boa parte dos trabalhadores que atua no setor público e está no conforto do lar, também é favorável a manter as atividades produtivas fechadas. Isso não acontece com os que dependem do funcionamento próximo ao normal destas atividades.

O Microempreendedor individual tem renda mensal abaixo de um salário mínimo. Os empreendedores dos setores afetados pelo fechamento exigido pelo novo Decreto Municipal compraram estoques, negociaram a volta de seus colaboradores, enfim, gastaram o resíduo financeiro na esperança de alavancarem vendas, e agora, tudo fechado! Não suportam mais.

Independentemente de sua situação: não tenha dúvida – a segunda onda virá, mas não a segunda onda da Covid19, mas sim a segunda onda de quebradeira, afetando mais fortemente os pequenos empreendimentos e agravando o desemprego.

A teoria marginalista nos ensina isso: quem tem conforto financeiro quer o status atual, quem luta pela sobrevivência quer avanços e, antes que alguém rotule estes de serem contrários a saúde pública, saibam que o rigor sanitário é que norteia o dia a dia destas organizações.

Quem não está na linha de frente dos empreendimentos não tem a menor noção da gravidade do problema. É hora de sair da zona de conforto e praticar mais do que nunca o espírito coletivo.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/

Ambiente econômico: Temer 2?

Ambiente econômico: Temer 2?

O dia 17 de maio de 2017 ficou conhecido na história brasileira como “Joesley Day”. Nesta data o impacto na Bolsa de Valores brasileira foi marcante. A notícia de um áudio gravado pelo Joesley Batista, um dos acionistas da companhia JBS, atingiu em direto o então Presidente Michel Temer.

O áudio apontaria para o aval de Temer para compra do silêncio do deputado Eduardo Cunha que, na época, estava preso acusado de integrar a lista de acusados da operação Lava Jato. A gravação faria parte da deleção premiada que permitiria a redução de pena do empresário.

Na daquele dia a Bolsa brasileira caiu 12% com inúmeras interrupções no pregão. O dólar subiu mais de 10% no dia seguinte.

Por que rememorar esta data? É que o Brasil caminhava para recuperação econômica. Depois da desastrosa gestão de Dilma Rousseff, que levou o País a dois anos de recessão, a economia dava sinais de mais vigor, tendo como maestro o Ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Aprovação do teto de gastos e a Reforma da Previdência quase aprovada pelo Congresso indicavam recuperação na confiança dos investidores.

Com a denúncia havia possibilidade de impeachment de Michel Temer, fazendo com que o foco da condução dos rumos do País mudasse completamente. Foi o chamado “salve-se quem puder’, em outras palavras, Temer ajustou a máquina Federal para sua sobrevivência política, abrindo mão por completo, principalmente das Reformas Estruturantes.

Quais as semelhanças daquele episódio com a situação atual do Presidente Jair Bolsonaro? Busca de sustentação política no Congresso Nacional. O Centrão, sempre ele, fez parte da salvação de Temer, e o atual Presidente da República segue o mesmo caminho.

Estão na pauta inquéritos, como o caso Queiroz que se aproxima do filho de Bolsonaro, o Flávio.  Denúncias do ex-Ministro Sérgio Moro, de possível intervenção ilegal na Política Federal, bravatas de Ministros de Estado, entre outras questões, tem gerado animosidade entre os Poderes constituídos.

Há no horizonte inúmeros pedidos de Impedimento do atual Presidente, cuja aceitação   depende da vontade política do Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Na dúvida, é melhor alicerçar uma base política que afaste qualquer ameaça nesta linha.

Obter sustentação política faz parte do jogo de poder, principalmente quando a intenção é aprovar reformas, mas Bolsonaro mudou seu discurso de campanha que apontava por um novo jeito de fazer política, e agora aposta mais em sua sobrevivência política do que na aprovação das Reformas Estruturais que sustentariam o crescimento econômico brasileiro.

A pergunta que não quer calar: os eventos políticos, a necessidade de ter uma base aliada forte para evitar o pior em seu mandato seguirá o mesmo caminho trilhado por Michel Temer após o Joesley Day? O governo federal abrirá mão das reformas priorizando as questões políticas? Teremos um Michel Temer 2?

Sinceramente, espero que a resposta seja não! Se antes da pandemia já seria fundamental não perdemos a chance de dar uma virada na economia brasileira, agora isso se faz ainda mais necessário. A esperança de que as reformas serão retomadas ainda este ano vem da postura do atual Ministro da Economia, Paulo Guedes. É pouco, mas é preciso manter a esperança.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/

Finanças do lar: as lições da pandemia

Finanças do lar: as lições da pandemia

A expressão “novo normal” passou a fazer parte de nosso vocabulário quando fazemos a leitura do enfrentamento e das perspectivas trazidos pela pandemia do novo coronavirus, a Covid-19.

Dentro do “novo normal” há muitas vertentes: a gestão empresarial é uma delas; a convivência em sociedade é outra; a forma como avaliamos as políticas públicas e seus gestores entre neste contexto e evidentemente que a gestão das finanças também deve ser considerada.

Muitas famílias, devido a quarentena, ao isolamento, passaram e estão passando por apertos financeiros. A renda caiu, as despesas nem tanto, e o desequilíbrio do orçamento familiar foi inevitável. Temos aqui a primeira e grande lição: é preciso gerar excedentes financeiros. Isso vale para qualquer nível de renda. Independentemente do quanto a família gera de recursos é preciso gastar menos do que seu ganho mensal. Isso chama-se adequação de padrão de vida.

Quando o comportamento das famílias no tocantes aos seus gastos é incompatível com sua renda, as contas não fecham. Insisto: qualquer que seja a renda familiar, poupar é preciso. Neste particular tenho batido na tecla da regra 50, 15, 35, a qual indica que no máximo metade da renda deve ser gasta em bens essenciais, 15% em prioridades financeiras e 35% com estilo de vida. Quem exagera no estilo de vida, portanto, não estabelecendo padrão de vida compatível com a renda, terá problemas financeiros.

Somente para exemplificar: quem seguiu esta regra nos últimos 12 meses, teria acumulado 1,8 vez sua renda mensal. Se esta família tivesse queda de 30% na renda devido a quarentena, e não estava operando no vermelho, conseguiria suportar 6 meses sem grandes abalos no orçamento familiar.

Mas este tempo de isolamento trouxe outras lições na gestão do dinheiro da família. Descobrimos que gastávamos muito em supérfluos. Muitas famílias estão com redução no valor da fatura do cartão de crédito. Ao priorizar os gastos em bens essenciais, a economia foi sentida. Com menor gasto em bares, lanchonetes, comida fora de casa, viagens, compras de acessórios de beleza, vestuário, entre outros, ficou mais fácil fechar o orçamento familiar.

Além do menor gasto com supérfluos também é preciso rever o comportamento de compras dos bens essenciais. Neste particular substituir marcas e tipos de produtos pelos mais em conta pode trazer economia adicional.

As lições são muitas. Resumindo: adeque seu padrão de vida ao tamanho de sua renda; gere excedentes financeiros; reveja marcas e tipos de produtos e controle todas as despesas. Organização e disciplina são as palavras de ordem.

É fundamental que como cidadãos sejamos capazes de tirar boas lições das adversidades e que mudemos a forma de lidar com dinheiro.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru -ACIB. 🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/

Recuperação econômica: V, U ou W?

Recuperação econômica: V, U ou W?

A pandemia do novo coronavirus, a Covid-19, introduziu um componente desafiador quando a ideia é projetar o que esperar da economia, em especial a brasileira: o elevado nível de incerteza.

Quando as crises econômicas têm como origem o ambiente de negócios, principalmente o setor financeiro, a avaliação de como os agentes econômicos reagirão e quais os caminhos para encurtar o tempo de recuperação ficam mais claros.

Neste momento as incertezas são maiores porque a crise veio do setor da saúde impactando na vida das pessoas, e o que é pior sem solução no tocante a vacina e medicamentos, ao menos no curto prazo. Projetar indicadores neste contexto não é tarefa fácil.

Até agora o que temos certeza é que a economia derreteu. Neste particular quero esclarecer que afirmar isso tem respaldo real. Leio e ouço pessoas com avaliações superficiais mencionando que alguns setores da economia teriam que pagar seu preço pela incompetência de seus gestores. Mencionam que alguns setores reagiram bem a este momento de isolamento, e que os empresários precisariam sentir na pele sua falta de estratégia.

Quem faz este tipo de avaliação não se deu conta que o crescimento do e-commerce, por exemplo, não compensa a queda nas vendas presenciais, e que os mais afetados com a atual paradeira são os empreendedores de pequenos negócios, portanto, são praticamente funcionários de si só.

Isso posto vou arriscar o que podemos esperar utilizando três letras: V, U e W.

No olhar internacional e os primeiros indicadores notadamente vindos dos Estados Unidos deu a impressão de que a recuperação econômica se dará em V. Isso implicaria em concluir que a economia teve forte queda, bateu o fundo do posso, mas é capaz de se reerguer rapidamente.

Outra avaliação é que esta crise será semelhante a letra U, ou seja, a economia cai, atingindo o fundo e recupera lentamente, semelhante a “barriga” deste U.

E outro cenário seria representado pela letra W. Neste caso a economia cai, rapidamente se recupera e tem novo tombo antes de voltar ao campo positivo. Este seria o pior cenário.

Meu entendimento é que, não obstante algumas economias ao redor do mundo terem a capacidade de retomada em V, a realidade brasileira aponta para a recuperação em U. Descarto pelo menos neste momento o W, posto que algumas atividades econômicas voltam a operar aqui no Brasil, trazendo, novo alento ao mercado.

O U se justifica pelas características geográficas, políticas e econômicas do Brasil. A nossa dimensão territorial não permite uniformidade no desempenho econômico. Do lado da política cada dia há um novo fato, tirando o foco das questões econômicas, as quais estão ligadas a necessidade de completar o ciclo de reformas. Resumo: a recuperação econômica virá, mas lentamente, confirmando o U.

Há muitas leituras sobre a economia, mas independentemente do que virá pela frente é certo que teremos meses e diria até anos desafiadores pela frente.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru -ACIB. 🌐 www.reinaldocafeo.com.br

✔ Leia outros artigos como este no blog da ACIB, clicando aqui: https://acib.org.br/blog/