Coronavírus: a confirmada crise de liderança

crise de liderança

O termo líder pode ser conceituado como uma pessoa que funciona como guia de um grupo, tendo uma condição essencial: o líder é reconhecido como alguém com capacidade diferenciada dos demais. É alguém que seja capaz de influenciar as pessoas com suas palavras e ações, além de incentivar todos que o cercam e até uma multidão de pessoas a trabalhar na execução de um objetivo comum.

Isto posto, está mais que confirmado: o encaminhamento das questões envolvendo o novo coronavírus constata o que já era perceptível a olhos vistos – o País vive uma crise de liderança. Isso vale para o comportamento para todos os segmentos da sociedade.

No setor público em particular, a ânsia em assumir o protagonismo neste momento ímpar da humanidade e em especial do Brasil, faz com que o comandante esteja presente, portanto, é o cargo e não a pessoa que ocupa o cargo que prevalece, e não seja identificado nenhum traço do líder.

As pessoas, por não enxergarem nestas autoridades a confiança necessária para acreditar no que dizem, tendem a não acatar suas recomendações. Isso fica mais evidente ainda quando a própria Autoridade Pública não segue as recomendações técnicas.

Convivemos com comportamentos distintos no enfrentamento da pandemia do coronavírus: O Presidente da República, mesmo tendo feito em cadeia nacional um pronunciamento mais assertivo, suas atitudes pessoais “desdenham” em parte as recomendações de isolamento social, e na outra ponta Governadores de Estado e Prefeitos Municipais, utilizando-se de seus cargos para um posicionamento quase que 180 graus distantes do que entendemos como equilíbrio neste momento.

O pior de tudo é constatar que parte da população não confia plenamente em nenhum deles, deixando, portanto, o navio chamado Brasil à deriva.

É verdade que os profissionais da área da saúde estão fazendo seu papel, e merecem todos os elogios, mas é certo também que não enxergamos nenhuma liderança com L maiúsculo, alguém  com envergadura de Estadista, que seja capaz de sinalizar um caminho que de um lado conforte a população neste momento agudo, e de outro lado sinalize formas de como sairemos desta mais fortalecidos. O que denominamos de equilíbrio.

No setor privado a coisa é mais fácil porque, ou o comandante aprende no amor ou aprende na dor, senão está fora. No setor público, os cargos eletivos, garantem estabilidade, ou seja, há um mandato a ser cumprido, e não ser líder, não leva a nenhum tipo de penalização.

Sem dúvida alguma é o momento de reflexão, de desenvolvimento do senso crítico, e de observar aqueles que efetivamente podem fazer a diferença, motivando as pessoas, indicando caminhos, sendo, através do exemplo, aquele que faz a diferença, ou seja, o verdadeiro líder.

Como dizem os sábios: precisamos aprender com as crises e no caso atual, que não nasceu no ambiente econômico, e que determinadas decisões e comportamentos podem ser a diferença entre a vida e morte, o aprendizado tem que ser ainda maior.

Infelizmente a falta de lideranças, de Estadistas e de gente preparada nas organizações, nos remete a um reducionismo sem precedentes na história.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru -ACIB. 🌐 www.reinaldocafeo.com.br

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[Artigo] Liderança em tempos de crise: dicas e cuidados de como se posicionar em tempos difíceis – Por Milton Debiasi

A pedido do economista Reinaldo Cafeo, presidente da ACIB, este artigo foi produzido para colaborar com as empresas bauruenses.

Momentos de crise geram muito stress, ansiedade e até depressão, e as causas são o medo, insegurança, indecisões, falta de confiança, falta de atitude, as quais tem efeitos perversos como:

  • Não alcançar seus objetivos, desejos e resultados;
  • Pensamentos negativos;
  • Desequilíbrios emocionais;
  • Dores no corpo: cabeça, estômago, coluna e outras doenças mais sérias.
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[Artigo] Dicas de atividades para a equipe comercial durante a quarentena – Por Wagner Moraes

A pedido do economista Reinaldo Cafeo, presidente da ACIB, este artigo foi produzido para colaborar com as empresas bauruenses.


Neste momento de restrição de atividades em função da pandemia do Corona Vírus, na qual se enquadram a maioria das empresas, algumas de suas áreas podem (e devem) continuar a realizar, se não todas, pelo menos algumas de suas tarefas e/ou aproveitar para “colocar a casa em ordem”. Logicamente tomando todo os cuidados para evitar a proliferação do vírus. Inclusive realizando estás tarefas através do chamado “Home Office”.

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Novo coronavírus: estou me sentindo estranho, e você?

Novo coronavírus: estou me sentindo estranho, e você?

Tudo em torno do novo coronavírus é novidade! A humanidade observou momentos agudos no tocante as pestes e até mesmo guerras mundiais, mas parte da população atual não conviveu com um ambiente tão adverso como este. A comunicação instantânea, as redes sociais, potencializam este momento.

Eu confesso que estou me sentindo estranho. De um lado sabemos que não é momento para pânico, por outro lado, a reação da população e dos agentes econômicos em particular, tem levado a tomada de decisões emergenciais para contornar e enfrentar os problemas sanitários e econômicos.

No ambiente dos negócios a expressão de ordem é “gerenciamento de crise”. O que fazer com baixas vendas e com o crescimento da inadimplência tem tirado o sono dos gestores das organizações. Além dos aspectos de caixa, o ritmo das atividades está diferente. Quem optou por trabalhar a distância observa queda na produtividade. Decisões mais importantes são adiadas. A concretização dos negócios, ou seja, as vendas, são postergadas.

A pressão psicológica é enorme, e se não tivermos equilíbrio emocional, o pânico se instala.

Mas continuo me sentindo estranho. Somos sabedores que as coisas não podem parar, mas a lentidão dos negócios, gera um certo desespero. Em um primeiro momento temos a impressão que chegamos antecipadamente as férias de fim de ano, com aquelas emendas entre o Natal e o Ano Novo, mas a medida que o tempo passa, vem a triste realidade: estamos em março, em pleno intervalo entre o carnaval e a Páscoa, momento que tudo apontava para bons momentos no ambiente  de negócios.

Como Economista refaço diariamente as contas. Vejo a Bolsa subir e descer. O dólar, que eu não acreditava que poderia bater os R$ 5,00, observo oscilar bem acima deste patamar. As exportações estão sendo prejudicadas. O consumo doméstico será afetado.

Falar em investimentos produtivos é imaginar que os empresários têm bola de cristal, portanto, paradeira total. Enfim, somente abrindo os cofres públicos é que teremos algum refresco. Cai por terra todo esforço do ajuste fiscal projetado pela equipe econômica do governo Federal.

Enfim, sei que não é fácil contornar este momento, e se você também está se sentido estranho, angustiado, peço que busque forças sem seu interior, se agarre nos espiritual, e seja firme e coerente na tomada de decisões.

Percebi ao escrever este texto que devo, em vez de me sentir estranho, focar no que é essencial, e sem me descuidar, mas tendo determinação, enfrentar este momento adverso. Afinal não estamos sozinhos nesta luta. Entendo que de angustiado eu devo praticar meu lado estrategista.

Parafraseando Clarice Lispector: “quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado, com certeza vai mais longe”. Vamos juntos enfrentar os desafios que o novo coronavírus está impondo. Vamos deixar o pessimismo de lado. Vale a reflexão.

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O corte da projeção de crescimento

projeção de crescimento

O governo Federal admitiu, através da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia, que a previsão inicial de crescimento econômico brasileiro para este ano foi revisada para baixo: caiu de 2,4% para 2,1%. As projeções constam do boletim fiscal publicado.

Os motivos para esta revisão da projeção de crescimento são conhecidos: desaceleração do crescimento econômico global, fruto do coronavírus, notadamente a dimensão que tomou na China e recentemente a entrada na Europa e Estados Unidos, também a questão recente do petróleo, envolvendo a OPEP (grupo de maiores produtos de petróleo do mundo) e a Rússia, que não chegaram a um acordo sobre a produção a oferta deste produto, derrubando seu preço internacional.

O efeito prático da possível queda no Produto Interno Bruto é que o governo irá arrecadar menos tributos do que foi projetado, as empresas venderão menos, os empregos não serão gerados na magnitude projetada, enfim, a roda da economia girará mais lentamente.

Considerando que ainda não há clareza da real dimensão do efeito, tanto do coronavírus como da crise do petróleo, para evitar novas revisões para baixo da projeção de crescimento, o Brasil precisa fazer sua parte e neste contexto, fazer sua parte é levar em frente as reformas.

Neste sentido é preciso que o Executivo Federal se harmonize com o Legislativo Federal. O próprio Ministro da Economia, Paulo Guedes, encaminhou ofício ao Congresso Nacional clamando para que a pauta econômica seja apreciada e votada com maior velocidade.

As reformas que já estão no Congresso são: autonomia para o Banco Central, a Medida Provisória do Emprego Verde Amarelo, a privatização da Eletrobrás, o Marco Regulatório do Saneamento e o Marco Legal do Setor Elétrico. Tem a inda as Propostas de Emenda a Constituição: Pacto Federativo, Fundos Públicos e Fundo Emergencial.

Não obstante a relevância dos projetos que já estão no Congresso, é imprescindível que as reformas administrativa e a tributária também sejam encaminhadas ao Congresso. Aqui não dá para entender o motivo de tanta morosidade por parte do governo Bolsonaro.

Trabalhar uma pauta positiva de reformas, demonstrando que independentemente do que ocorre no resto do mundo, o Brasil não perdeu o foco no tocante a nova matriz econômica em curso, neutralizará qualquer visão mais pessimista no tocante ao desempenho econômico brasileiro, e deixará os que gostam do quanto pior melhor, sem argumentos.

Crise se combate com trabalho e neste caso com fatos e positivos. Reformas já!

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Refazendo as contas

Refazendo as contas

A aprovação da Reforma da Previdência, que trouxe confiança aos agentes econômicos, aliada a notória melhora do ambiente de negócios, deram o pano de fundo para projeções quanto ao crescimento econômico em 2020 fossem mais otimistas.

Modelos econométricos apontaram para algo próximo a 2,5% de crescimento econômico para este ano. Como este crescimento é acima da inflação, a projeção nominal seria na ordem de 6,0% a 6,5%.

A força do ambiente doméstico puxada pelo crescimento do consumo e dos investimentos produtivos, sustentou o cálculo da projeção de crescimento.

Os eventos de início de ano não foram suficientes para abalar a confiança dos agentes econômicos, contudo, algum impacto começou a ser observado no dia a dia dos negócios. O conflito Estados Unidos com Irã foi o primeiro. Em seguida a morosidade na assinatura do acordo comercial entre Estados Unidos e China.

Concomitantemente houve um certo nervosismo no mercado quando da aprovação do Impeachment de Donald Trump (não aprovado) e internamente o retardamento no andamento das reformas administrativa e tributária.

Neste contexto, revisitar o crescimento econômico brasileiro considerando 0,1 a 0,3 ponto percentual a menos, seria factível, contudo, avaliar a dimensão do impacto do coronavírus, ou melhor a falta de elementos firmes para entender a real dimensão do impacto do coronavírus na economia mundial e em particular a brasileira não é tarefa fácil.

Mesmo com esta constatação é preciso refazer as contas. O mundo todo foi impactado com esta nova doença. A China, segunda economia mais forte do planeta, opera economicamente em dimensões que, cada ponto percentual de queda no crescimento econômico afeta o mercado global quase que como um todo. Na prática, o mundo crescerá menos.

E o Brasil?

Por enquanto são somente cenários. Uma leitura é entender que o ápice do efetivo controle da doença será observado agora no mês de março. Se ocorrer este controle o impacto na economia será maior no primeiro semestre, com recuperação no segundo semestre. Por este prisma é possível que a economia brasileira chegue aos 2% de crescimento.

Por outro lado, se o problema não for equacionado no curto prazo, aí sim as projeções despencarão e teremos mais um ano de baixo crescimento, algo próximo a 1%. Esta segunda projeção poderá ser minimizada com incentivos monetários, como foi a recente a decisão do Banco Central americano. Além disso, a força do consumo doméstico pode ajudar a obter números acima de 1,5%.

Estas incertezas indicam que cada de nós, nos nossos negócios, na nossa profissão, precisa ser ágil, traçar vários cenários e estabelecer estratégias para, a cada sinal do mercado, ser capaz de, rapidamente, mudar de direção. Sem pânico, mas com firmeza.

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O câmbio no Brasil flutua

O câmbio no Brasil flutua

Pois é, o câmbio flutuante, flutua. Brincadeira a parte, muita gente que está sem entender porque a cotação da moeda estrangeira, em especial o dólar, está tão elevada deve considerar em primeira análise que a intenção de optar por um câmbio flutuante, em que o jogo da oferta e procura pela moeda estrangeira define a sua cotação, é deixar o mercado encontrar seu ponto de equilíbrio.

Vale lembrar que mesmo o câmbio sendo flutuante, a Autoridade Monetária, no caso o Banco Central brasileiro, pode e deve intervir neste mercado quando há um desarranjo, o que implica dizer que fortes oscilações tanto para cima como para baixo, em curto espaço de tempo, são motivos mais que suficientes para que o Banco Central interfira no mercado, vendendo ou comprando moeda estrangeira ou títulos cambiais, até que o mercado se estabilize.

Mas afinal o que tem levado o dólar a ter uma cotação elevada? Algumas explicações veem do exterior, é o que denominamos de percepção ou aversão ao risco. Começamos o ano com atritos entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. Depois a demora na assinatura do acordo comercial entre Estados Unidos e China e agora o surto de coronavirus.

Mesmo superando alguns eventos, como o caso do Irã e acordo comercial dos Estados Unidos e China, houve turbulência no mercado, levando os investidores no mundo todo a se protegerem em moeda forte, no caso o dólar. Quando o mercado iria se acalmar veio o coronavírus, indicando abalos no comércio internacional.

A desaceleração da economia chinesa, provoca um efeito dominó, atingindo os mercados mundiais. Países emergentes como o Brasil sofrem mais estes efeitos devido as fragilidades econômicas internas.

No contexto econômico brasileiro, portanto, no ambiente doméstico também há justificativas para elevar a cotação do dólar frente ao Real. A mudança da política monetária, por exemplo, praticando a menor taxa de juros da história, com juros básicos de 4,25% ao ano, torna o Brasil menos atraente para aportes do capital estrangeiro.

A ração foi reduzida para o capital estrangeiro que especula no Brasil. Perderam ganhos nominais e ganhos reais (acima da inflação), posto que, a diferença entre a inflação anual e os juros básicos também é menor da história. Também o saldo da balança comercial brasileira está em queda.

Resumindo: o Brasil convive com um problema de fluxo de capital de estrangeiro. Menor oferta de dólar, mesmo que a demanda não suba, a cotação se eleva. Até mesmo o posicionamento do Ministro da Economia, Paulo Guedes, colocou mais lenha na fogueira, declarando que o Brasil precisa aprender a operar com dólar mais elevado. O mercado fica testando novo piso diariamente.

O alento geral é que já tivemos a preço de hoje um dólar de mais de R$ 7,50 (atualizando por paridade de moedas o dólar de R$ 4,00 de quando Lula foi eleito pela primeira vez), e conseguimos sobreviver. Os riscos efetivos para uma cotação alta estão na contaminação dos preços internos, o que por enquanto não foram sentidos nos índices de inflação já conhecidos.

Diante deste cenário que não venham os intervencionistas de plantão imaginar que devemos praticar o câmbio fixo. Não precisa ir longe para ver que isso não dá certo, é se olhar a economia da Argentina.

Deixemos o câmbio flutuar e intervenhamos quando ocorrerem desarranjos, o resto é excesso de intervencionismo, que não tem mais espaço nos dias de hoje.

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A ética está em desuso?

ética

Vindo do grego ethos que significa caráter, disposição, costume, hábito, é considerada sinônima de moral, a ética está em desuso?

Em tempos de redes sociais em que o chamado fake news corre solto, tendo pessoas tendenciosas e até despreparadas ocupando posições importantes, a impressão é que para defender suas ideias algumas pessoas simplesmente rasgaram a cartilha que norteia o bom comportamento na sociedade.

A falta de ética vem de todos os campos. Do “furo” do Presidente, passando pelos “parasitas” do ministro da Economia, indo até a as bravatas do ex-Presidente e condenado pela Justiça Lula, até pessoas que, para fazerem valer suas ideias, destroem biografias de pessoas públicas e privadas.

O que está acontecendo? Será que aqueles que deixaram a ética de lado, perderam por completo a noção que a vida em sociedade exige respeito, e que em uma democracia é possível praticar o contraditório? Por que estas pessoas não ficam no campo das ideias em vez de ataques pessoais?

Talvez a resposta esteja na falta de conhecimento e baixo repertório. Nestes casos é mais fácil atacar o mensageiro do que discutir o conteúdo da mensagem. O debate fica raso, e neste nível podem surgir aqueles que, por também pensarem de maneira rasa, aplaudem, mas no fundo, praticam um populismo condenável.

Uma sociedade somente será madura e poderá ser chamada de nação, quando o respeito ao próximo estiver acima dos interesses pessoais e de poder. Para que não ocorra total perda de controle, e os abusos terem que ser decididos na justiça, pratiquemos o sendo crítico, e evitemos pessoas não éticas, e até tóxicas.

Para muitos desses vale a velha a frase: “quer conhecer verdadeiramente uma pessoa? Dê-lhe poder”. Isso vale para todos os setores da sociedade. Continuo a indagar: a ética está em desuso? Espero que não.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru -ACIB. 🌐 www.reinaldocafeo.com.br

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Reformas: não podemos cometer os mesmos erros do passado

Reformas: não podemos cometer os mesmos erros do passado

Foi em 1994, mas quem acompanha o histórico do pensamento econômico brasileiro sabe que o Plano Real para ter sucesso, e teve mesmo que parcialmente, foi alicerçado em três grandes pilares: o ajuste fiscal, a desindexação da economia e as reformas estruturais.

O Fundo Social de Emergência garantiu, à época, os recursos necessários para que o País observasse superávit primário (receitas menos despesas sem computar o pagamento de juros), portanto, foi na linha do ajuste fiscal. Mesmo sendo parcial, sustentou o plano naquela oportunidade.

Com a URV (Unidade Real de Valor) foi atacada a inércia da inflação, e dentro de uma engenharia muito bem pensada, o País realizou a transição de moeda, acabando com a indexação dos preços e salários, chegando na moeda o Real. A inflação efetivamente caiu e ficou comportada de lá para cá, com um outro repique, mas está controlada.

O que ficou para trás? As chamadas reformas estruturais. Estas mesmas que neste momento voltaram à tona, que por sinal, nunca saíram da pauta. Uma primeira e importante reforma já foi aprovada, a previdenciária, mas isso é pouco. Para este ano duas outras reformas são necessárias: as reformas tributária e administrativa.

Não será tarefa fácil levá-las em frente posto que este ano é o País terá eleições municipais e que parte dos congressistas canalizará energia nesta direção. Além disso, são reformas polêmicas, sendo que o próprio governo ainda não deixou claro que deseja.

Mesmo que a realidade seja esta, o governo Bolsonaro não pode cair na tentação de adiar o enfrentamento destes temas. Vale rememorar que o próprio ex-Presidente Fernando Henrique em seu primeiro mandato, perdeu o foco nas reformas quando trabalhou para alterar a Constituição Federal, e conseguiu, no sentido de permitir a reeleição (o que era proibido pela Constituição).

O que está em jogo é sustentação do crescimento econômico brasileiro. Sem um Estado enxuto, eficiente e produtivo, com controle fiscal rigoroso, e ainda com leveza no trato dos tributos para a sociedade e setor produtivo, não haverá esta sustentação. Temos que parar de oscilar o crescimento econômico porque somos incapazes de fornecer a base para que o crescimento seja de longo prazo.

Fica o alerta sobre as reformas estruturais: não podemos cometer os mesmos erros do passado. Foco nelas!

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Você pode não gostar do piloto, mas o avião é bom

Você pode não gostar do piloto, mas o avião é bom

Analisando o ambiente econômico brasileiro e as variáveis macroeconômicas, é possível concluir que o Brasil manterá o crescimento econômico, podendo atingir este ano o dobro do desempenho do ano passado.

Evidentemente que o olhar macroeconômico é geral, como se fosse uma floresta. Nem sempre uma floresta tem somente árvores sadias e por mais exuberante que pareça, nem todos que usufruem da riqueza desta floresta terá os mesmos resultados.

Os agentes econômicos não apuram resultados de maneira uniforme. Um setor pode obter desempenho melhor do que outro e isso não depende de o País estar ou não patinando, é a realidade de quem empreende.

Isso posto, considerando que há muitos críticos em relação a postura e forma de governar do Presidente da República Jair Bolsonaro, o que é possível dizer a estes que possuem esta visão crítica é: você pode não gostar do piloto, mas o avião é bom.

Muitos até falam que não é porque não gosta do piloto que deve desejar que o avião caia. Na prática penso que acima de preferência partidárias e até de ideologias, exceto os que querem o pior para se aproveitarem da miséria alheia, há consenso que se o Pais observar crescimento econômico, tendo controle inflacionário, com responsabilidade fiscal, dentro de um ambiente de negócios favorável, o grosso da população será favorecida.

Ainda não temos os dados consolidados do fechamento do desempenho econômico do ano passado. Temos dados setoriais e a realidade é semelhante a descrita acima: alguns setores da economia foram bem, outros nem tanto, como foi o caso do setor industrial, mesmo ocorrendo distorções, a economia brasileira dá sinais claros que o modelo econômico adotado pelo Ministro Paulo Guedes, com aval do Presidente Bolsonaro, está na direção correta.

Os empresários estão confiantes. O emprego começa a voltar. Os juros estão em queda. Os consumidores começaram a tirar o pé do freio, e desconsiderando influências externas, a mais recente envolvendo o coronavirus (não se sabe o quanto isso mexerá no desempenho da economia mundial), não há porque não acreditar que a economia voltará a crescer.

Isso não quer dizer, insisto, que será uniforme, e tampouco que conseguiremos recuperar o tempo perdido, mas simplesmente negar que algo positivo está no ar, somente porque não tem afeição a quem comanda o País, é praticar um individualismo condenável.

Sabemos que a economia é dinâmica, como colocado, há variáveis incontroláveis que podem sim retardar o crescimento mais vigoroso da economia, mas deixar de realizar uma leitura positiva do ambiente econômico, é viver fora da realidade.

Não precisa gostar do piloto, mas o avião é bom e não torça para que ele caia. A economia indo bem, todos ganhamos.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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