A cigarra e a formiga

cigarra e a formiga

Uma das fábulas mais conhecidas no mundo “a cigarra e a formiga”, do original “o gafanhoto e a formiga”, retrata em boa parte como a pandemia do COVID-19 impacta de maneira diferente as pessoas, e em especial como determinadas Autoridades Públicas vêm tratando a questão.

A fábula aponta que a cigarra canta durante o verão, enquanto as formigas trabalhavam para acumular provisões em seu formigueiro. No inverno, desamparada, a cigarra faminta pede-lhes um pouco de grãos que colocaram para secar; perguntada sobre o que fez durante todo o verão, responde que não teve tempo para acumular comidas pois passou o tempo todo cantando.

São inúmeras as leituras atuais desta fábula. Uma lição vai no sentido de que cada família precisa em tempos de plenitude da força de trabalho, “provisionar” reservas para os tempos bicudos. Isso serve para as empresas, notadamente as de menor porte.

No tocante ao comportamento das Autoridades Públicas, felizmente somente parte delas, além de não terem uma gestão voltada a criar “reservas” financeiras e investirem os recursos públicos no que mais atinge a população, e no caso presente, há clara evidência que seria no setor de saúde, ainda enfrentam crises como a atual como se estivem em palanques eleitorais.

As “Autoridades” cigarras “cantam” em busca de holofotes. Assumem comportamentos completamente divorciados da real situação da população. Se não bastasse isso prometerem soluções que não são concretizadas, são insensíveis no tocante ao amparo dos menos favorecidos. Só par exemplificar esta situação, milhões de brasileiros em nível Brasil e milhares em nível local, considerados cidadãos invisíveis ao setor público, precisam de ajuda.

As cigarras são incapazes de oferecer, por exemplo, ajuda para um simples cadastramento para receber auxílio governamental. Permitem que estes estejam em filas, na rua, sem mexer uma palha, como oferecer cadeiras, tendas, entre outros equipamentos para reduzir a dor da espera. Com equipamentos ociosos no setor público, as cigarras não abrem frentes em creches, escolas, igrejas, templos, visando ir ao encontro desta população.

As cigarras exigem uso de máscaras, e agora indicam até multas, mas não mexem uma palha no sentido de oferecer pelo menos orientação de como seria o uso correto destas máscaras.

No aspecto econômico, não divulgam nenhum indicador de desempenho que permita avaliar qual a dimensão da crise em nível local, e mais que isso, como, de maneira planejada, a cidade sairá da crise.

Enquanto as cigarras cantam, as formigas, formadas por micro, pequenos, médios e grandes organizações continuam trabalhando. Também as cigarras formadas por profissionais liberais, por trabalhadores da construção civil continuam firmes na labuta. Formadas ainda pelos heróis da saúde, pelos atendentes de supermercados, das farmácias, das padarias, e de muitas indústrias e o setor primário em especial estão aí, fazendo tripas coração para enfrentarem com dignidade este momento.

Como tudo na vida, cada um colhe o que plantou. Quem planta vento, possivelmente irá colher tempestade.

Cigarras que cantavam antes, cantam agora, mas fiquem tranquilas, as formigas continuarão labutando de sol a sol.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru -ACIB. 🌐 www.reinaldocafeo.com.br

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Coronavírus: é hora de pensar na retomada!

Coronavírus: é hora de pensar na retomada!

Enquanto parte dos políticos e da própria sociedade discutem quando será possível sairmos da quarentena no tocante a prevenção a proliferação do COVID-19, o novo coronavírus, os sábios estão traçando estratégias para a retomada das atividades econômicas.

É hora de revisitar seu planejamento, tanto no campo das empresas, como na vida profissional. Muitos comentem o erro de colocarem as questões da saúde e da economia como excludentes, pelo contrário. Isso serve também para a gestão da coisa pública, em toda as esferas de governo.

Pensando este momento como se fosse uma batalha para vencermos a guerra, a área da saúde estaria na linha de frente, com as armas disponíveis em suas mãos, enquanto outro exército de pessoas deveria estar estabelecendo as estratégias para o momento que a guerra acabar. É o olhar nos feridos, nos que se salvaram e até mesmo naqueles que “morreram” durante o combate. O que fazer neste “day after” deve ser estabelecido e planejado agora! Uma coisa não impede a outra.

Como tudo na vida vivenciamos mais um ciclo econômico. Evidentemente que este momento se apresenta com ímpar e inédito para muitos de nós, mas como qualquer ciclo econômico há o momento de baixa, mas chegará o momento da retomada.

É imperativo revisitar o planejamento estratégico. Em particular nas empresas, a forma de realizar as vendas mudará. Também a gestão de equipe terá outro formato e dimensão. Algumas crenças do passado terão que ser revistas. O uso dos recursos disponíveis deverá ser mais racional sendo necessário responder com clareza e de maneira justificada: qual a relação custo/benefício no uso do dinheiro. Quem adiou em aceitar a realidade do mundo virtual, em todos os setores da empresa, precisará repensar suas crenças.

O gerenciamento de algumas carreiras profissionais passará por revisão também. O pensamento analógico, tradicional, terá que dar espaço ao digital, otimizando o tempo e ampliando o conhecimento. O orçamento familiar passará por revisão e as prioridades deverão ser revisitadas. Ficou escancarado que gerar excedentes é fundamental para suportar com dignidade as adversidades.

As políticas públicas terão que ser revistas. Ficou latente que o setor público trata parte da população como cidadãos invisíveis, inexistentes. Escancarou a fragilidade na gestão dos recursos públicos. Veio mais do que nunca a baila que a prioridade de parte dos que gerenciam o setor público no dia a dia, está longo dos interesses coletivos. Adiam decisões que poderiam gerar mudanças estruturais importantes na gestão da coisa pública.

Aqueles que, em qualquer campo do conhecimento, ficavam presos ao passado, reproduzindo modelos de gestão empresarial e modelagem de suas carreiras e na condução da coisa pública, terão que refletir intimamente o que desejam daqui para frente. Avalio que até mesmo os valores e nossas crenças, serão revisitados.

Nunca esteve tão presente a frase “o sucesso do passado, não garante o sucesso no futuro”. Não adie mais o pensar e agir na direção da retomada da economia.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru -ACIB. 🌐 www.reinaldocafeo.com.br

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Coronavírus: a confirmada crise de liderança

crise de liderança

O termo líder pode ser conceituado como uma pessoa que funciona como guia de um grupo, tendo uma condição essencial: o líder é reconhecido como alguém com capacidade diferenciada dos demais. É alguém que seja capaz de influenciar as pessoas com suas palavras e ações, além de incentivar todos que o cercam e até uma multidão de pessoas a trabalhar na execução de um objetivo comum.

Isto posto, está mais que confirmado: o encaminhamento das questões envolvendo o novo coronavírus constata o que já era perceptível a olhos vistos – o País vive uma crise de liderança. Isso vale para o comportamento para todos os segmentos da sociedade.

No setor público em particular, a ânsia em assumir o protagonismo neste momento ímpar da humanidade e em especial do Brasil, faz com que o comandante esteja presente, portanto, é o cargo e não a pessoa que ocupa o cargo que prevalece, e não seja identificado nenhum traço do líder.

As pessoas, por não enxergarem nestas autoridades a confiança necessária para acreditar no que dizem, tendem a não acatar suas recomendações. Isso fica mais evidente ainda quando a própria Autoridade Pública não segue as recomendações técnicas.

Convivemos com comportamentos distintos no enfrentamento da pandemia do coronavírus: O Presidente da República, mesmo tendo feito em cadeia nacional um pronunciamento mais assertivo, suas atitudes pessoais “desdenham” em parte as recomendações de isolamento social, e na outra ponta Governadores de Estado e Prefeitos Municipais, utilizando-se de seus cargos para um posicionamento quase que 180 graus distantes do que entendemos como equilíbrio neste momento.

O pior de tudo é constatar que parte da população não confia plenamente em nenhum deles, deixando, portanto, o navio chamado Brasil à deriva.

É verdade que os profissionais da área da saúde estão fazendo seu papel, e merecem todos os elogios, mas é certo também que não enxergamos nenhuma liderança com L maiúsculo, alguém  com envergadura de Estadista, que seja capaz de sinalizar um caminho que de um lado conforte a população neste momento agudo, e de outro lado sinalize formas de como sairemos desta mais fortalecidos. O que denominamos de equilíbrio.

No setor privado a coisa é mais fácil porque, ou o comandante aprende no amor ou aprende na dor, senão está fora. No setor público, os cargos eletivos, garantem estabilidade, ou seja, há um mandato a ser cumprido, e não ser líder, não leva a nenhum tipo de penalização.

Sem dúvida alguma é o momento de reflexão, de desenvolvimento do senso crítico, e de observar aqueles que efetivamente podem fazer a diferença, motivando as pessoas, indicando caminhos, sendo, através do exemplo, aquele que faz a diferença, ou seja, o verdadeiro líder.

Como dizem os sábios: precisamos aprender com as crises e no caso atual, que não nasceu no ambiente econômico, e que determinadas decisões e comportamentos podem ser a diferença entre a vida e morte, o aprendizado tem que ser ainda maior.

Infelizmente a falta de lideranças, de Estadistas e de gente preparada nas organizações, nos remete a um reducionismo sem precedentes na história.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru -ACIB. 🌐 www.reinaldocafeo.com.br

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[Artigo] Liderança em tempos de crise: dicas e cuidados de como se posicionar em tempos difíceis – Por Milton Debiasi

A pedido do economista Reinaldo Cafeo, presidente da ACIB, este artigo foi produzido para colaborar com as empresas bauruenses.

Momentos de crise geram muito stress, ansiedade e até depressão, e as causas são o medo, insegurança, indecisões, falta de confiança, falta de atitude, as quais tem efeitos perversos como:

  • Não alcançar seus objetivos, desejos e resultados;
  • Pensamentos negativos;
  • Desequilíbrios emocionais;
  • Dores no corpo: cabeça, estômago, coluna e outras doenças mais sérias.
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[Artigo] Dicas de atividades para a equipe comercial durante a quarentena – Por Wagner Moraes

A pedido do economista Reinaldo Cafeo, presidente da ACIB, este artigo foi produzido para colaborar com as empresas bauruenses.


Neste momento de restrição de atividades em função da pandemia do Corona Vírus, na qual se enquadram a maioria das empresas, algumas de suas áreas podem (e devem) continuar a realizar, se não todas, pelo menos algumas de suas tarefas e/ou aproveitar para “colocar a casa em ordem”. Logicamente tomando todo os cuidados para evitar a proliferação do vírus. Inclusive realizando estás tarefas através do chamado “Home Office”.

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Novo coronavírus: estou me sentindo estranho, e você?

Novo coronavírus: estou me sentindo estranho, e você?

Tudo em torno do novo coronavírus é novidade! A humanidade observou momentos agudos no tocante as pestes e até mesmo guerras mundiais, mas parte da população atual não conviveu com um ambiente tão adverso como este. A comunicação instantânea, as redes sociais, potencializam este momento.

Eu confesso que estou me sentindo estranho. De um lado sabemos que não é momento para pânico, por outro lado, a reação da população e dos agentes econômicos em particular, tem levado a tomada de decisões emergenciais para contornar e enfrentar os problemas sanitários e econômicos.

No ambiente dos negócios a expressão de ordem é “gerenciamento de crise”. O que fazer com baixas vendas e com o crescimento da inadimplência tem tirado o sono dos gestores das organizações. Além dos aspectos de caixa, o ritmo das atividades está diferente. Quem optou por trabalhar a distância observa queda na produtividade. Decisões mais importantes são adiadas. A concretização dos negócios, ou seja, as vendas, são postergadas.

A pressão psicológica é enorme, e se não tivermos equilíbrio emocional, o pânico se instala.

Mas continuo me sentindo estranho. Somos sabedores que as coisas não podem parar, mas a lentidão dos negócios, gera um certo desespero. Em um primeiro momento temos a impressão que chegamos antecipadamente as férias de fim de ano, com aquelas emendas entre o Natal e o Ano Novo, mas a medida que o tempo passa, vem a triste realidade: estamos em março, em pleno intervalo entre o carnaval e a Páscoa, momento que tudo apontava para bons momentos no ambiente  de negócios.

Como Economista refaço diariamente as contas. Vejo a Bolsa subir e descer. O dólar, que eu não acreditava que poderia bater os R$ 5,00, observo oscilar bem acima deste patamar. As exportações estão sendo prejudicadas. O consumo doméstico será afetado.

Falar em investimentos produtivos é imaginar que os empresários têm bola de cristal, portanto, paradeira total. Enfim, somente abrindo os cofres públicos é que teremos algum refresco. Cai por terra todo esforço do ajuste fiscal projetado pela equipe econômica do governo Federal.

Enfim, sei que não é fácil contornar este momento, e se você também está se sentido estranho, angustiado, peço que busque forças sem seu interior, se agarre nos espiritual, e seja firme e coerente na tomada de decisões.

Percebi ao escrever este texto que devo, em vez de me sentir estranho, focar no que é essencial, e sem me descuidar, mas tendo determinação, enfrentar este momento adverso. Afinal não estamos sozinhos nesta luta. Entendo que de angustiado eu devo praticar meu lado estrategista.

Parafraseando Clarice Lispector: “quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado, com certeza vai mais longe”. Vamos juntos enfrentar os desafios que o novo coronavírus está impondo. Vamos deixar o pessimismo de lado. Vale a reflexão.

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O corte da projeção de crescimento

projeção de crescimento

O governo Federal admitiu, através da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia, que a previsão inicial de crescimento econômico brasileiro para este ano foi revisada para baixo: caiu de 2,4% para 2,1%. As projeções constam do boletim fiscal publicado.

Os motivos para esta revisão da projeção de crescimento são conhecidos: desaceleração do crescimento econômico global, fruto do coronavírus, notadamente a dimensão que tomou na China e recentemente a entrada na Europa e Estados Unidos, também a questão recente do petróleo, envolvendo a OPEP (grupo de maiores produtos de petróleo do mundo) e a Rússia, que não chegaram a um acordo sobre a produção a oferta deste produto, derrubando seu preço internacional.

O efeito prático da possível queda no Produto Interno Bruto é que o governo irá arrecadar menos tributos do que foi projetado, as empresas venderão menos, os empregos não serão gerados na magnitude projetada, enfim, a roda da economia girará mais lentamente.

Considerando que ainda não há clareza da real dimensão do efeito, tanto do coronavírus como da crise do petróleo, para evitar novas revisões para baixo da projeção de crescimento, o Brasil precisa fazer sua parte e neste contexto, fazer sua parte é levar em frente as reformas.

Neste sentido é preciso que o Executivo Federal se harmonize com o Legislativo Federal. O próprio Ministro da Economia, Paulo Guedes, encaminhou ofício ao Congresso Nacional clamando para que a pauta econômica seja apreciada e votada com maior velocidade.

As reformas que já estão no Congresso são: autonomia para o Banco Central, a Medida Provisória do Emprego Verde Amarelo, a privatização da Eletrobrás, o Marco Regulatório do Saneamento e o Marco Legal do Setor Elétrico. Tem a inda as Propostas de Emenda a Constituição: Pacto Federativo, Fundos Públicos e Fundo Emergencial.

Não obstante a relevância dos projetos que já estão no Congresso, é imprescindível que as reformas administrativa e a tributária também sejam encaminhadas ao Congresso. Aqui não dá para entender o motivo de tanta morosidade por parte do governo Bolsonaro.

Trabalhar uma pauta positiva de reformas, demonstrando que independentemente do que ocorre no resto do mundo, o Brasil não perdeu o foco no tocante a nova matriz econômica em curso, neutralizará qualquer visão mais pessimista no tocante ao desempenho econômico brasileiro, e deixará os que gostam do quanto pior melhor, sem argumentos.

Crise se combate com trabalho e neste caso com fatos e positivos. Reformas já!

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Refazendo as contas

Refazendo as contas

A aprovação da Reforma da Previdência, que trouxe confiança aos agentes econômicos, aliada a notória melhora do ambiente de negócios, deram o pano de fundo para projeções quanto ao crescimento econômico em 2020 fossem mais otimistas.

Modelos econométricos apontaram para algo próximo a 2,5% de crescimento econômico para este ano. Como este crescimento é acima da inflação, a projeção nominal seria na ordem de 6,0% a 6,5%.

A força do ambiente doméstico puxada pelo crescimento do consumo e dos investimentos produtivos, sustentou o cálculo da projeção de crescimento.

Os eventos de início de ano não foram suficientes para abalar a confiança dos agentes econômicos, contudo, algum impacto começou a ser observado no dia a dia dos negócios. O conflito Estados Unidos com Irã foi o primeiro. Em seguida a morosidade na assinatura do acordo comercial entre Estados Unidos e China.

Concomitantemente houve um certo nervosismo no mercado quando da aprovação do Impeachment de Donald Trump (não aprovado) e internamente o retardamento no andamento das reformas administrativa e tributária.

Neste contexto, revisitar o crescimento econômico brasileiro considerando 0,1 a 0,3 ponto percentual a menos, seria factível, contudo, avaliar a dimensão do impacto do coronavírus, ou melhor a falta de elementos firmes para entender a real dimensão do impacto do coronavírus na economia mundial e em particular a brasileira não é tarefa fácil.

Mesmo com esta constatação é preciso refazer as contas. O mundo todo foi impactado com esta nova doença. A China, segunda economia mais forte do planeta, opera economicamente em dimensões que, cada ponto percentual de queda no crescimento econômico afeta o mercado global quase que como um todo. Na prática, o mundo crescerá menos.

E o Brasil?

Por enquanto são somente cenários. Uma leitura é entender que o ápice do efetivo controle da doença será observado agora no mês de março. Se ocorrer este controle o impacto na economia será maior no primeiro semestre, com recuperação no segundo semestre. Por este prisma é possível que a economia brasileira chegue aos 2% de crescimento.

Por outro lado, se o problema não for equacionado no curto prazo, aí sim as projeções despencarão e teremos mais um ano de baixo crescimento, algo próximo a 1%. Esta segunda projeção poderá ser minimizada com incentivos monetários, como foi a recente a decisão do Banco Central americano. Além disso, a força do consumo doméstico pode ajudar a obter números acima de 1,5%.

Estas incertezas indicam que cada de nós, nos nossos negócios, na nossa profissão, precisa ser ágil, traçar vários cenários e estabelecer estratégias para, a cada sinal do mercado, ser capaz de, rapidamente, mudar de direção. Sem pânico, mas com firmeza.

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O câmbio no Brasil flutua

O câmbio no Brasil flutua

Pois é, o câmbio flutuante, flutua. Brincadeira a parte, muita gente que está sem entender porque a cotação da moeda estrangeira, em especial o dólar, está tão elevada deve considerar em primeira análise que a intenção de optar por um câmbio flutuante, em que o jogo da oferta e procura pela moeda estrangeira define a sua cotação, é deixar o mercado encontrar seu ponto de equilíbrio.

Vale lembrar que mesmo o câmbio sendo flutuante, a Autoridade Monetária, no caso o Banco Central brasileiro, pode e deve intervir neste mercado quando há um desarranjo, o que implica dizer que fortes oscilações tanto para cima como para baixo, em curto espaço de tempo, são motivos mais que suficientes para que o Banco Central interfira no mercado, vendendo ou comprando moeda estrangeira ou títulos cambiais, até que o mercado se estabilize.

Mas afinal o que tem levado o dólar a ter uma cotação elevada? Algumas explicações veem do exterior, é o que denominamos de percepção ou aversão ao risco. Começamos o ano com atritos entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. Depois a demora na assinatura do acordo comercial entre Estados Unidos e China e agora o surto de coronavirus.

Mesmo superando alguns eventos, como o caso do Irã e acordo comercial dos Estados Unidos e China, houve turbulência no mercado, levando os investidores no mundo todo a se protegerem em moeda forte, no caso o dólar. Quando o mercado iria se acalmar veio o coronavírus, indicando abalos no comércio internacional.

A desaceleração da economia chinesa, provoca um efeito dominó, atingindo os mercados mundiais. Países emergentes como o Brasil sofrem mais estes efeitos devido as fragilidades econômicas internas.

No contexto econômico brasileiro, portanto, no ambiente doméstico também há justificativas para elevar a cotação do dólar frente ao Real. A mudança da política monetária, por exemplo, praticando a menor taxa de juros da história, com juros básicos de 4,25% ao ano, torna o Brasil menos atraente para aportes do capital estrangeiro.

A ração foi reduzida para o capital estrangeiro que especula no Brasil. Perderam ganhos nominais e ganhos reais (acima da inflação), posto que, a diferença entre a inflação anual e os juros básicos também é menor da história. Também o saldo da balança comercial brasileira está em queda.

Resumindo: o Brasil convive com um problema de fluxo de capital de estrangeiro. Menor oferta de dólar, mesmo que a demanda não suba, a cotação se eleva. Até mesmo o posicionamento do Ministro da Economia, Paulo Guedes, colocou mais lenha na fogueira, declarando que o Brasil precisa aprender a operar com dólar mais elevado. O mercado fica testando novo piso diariamente.

O alento geral é que já tivemos a preço de hoje um dólar de mais de R$ 7,50 (atualizando por paridade de moedas o dólar de R$ 4,00 de quando Lula foi eleito pela primeira vez), e conseguimos sobreviver. Os riscos efetivos para uma cotação alta estão na contaminação dos preços internos, o que por enquanto não foram sentidos nos índices de inflação já conhecidos.

Diante deste cenário que não venham os intervencionistas de plantão imaginar que devemos praticar o câmbio fixo. Não precisa ir longe para ver que isso não dá certo, é se olhar a economia da Argentina.

Deixemos o câmbio flutuar e intervenhamos quando ocorrerem desarranjos, o resto é excesso de intervencionismo, que não tem mais espaço nos dias de hoje.

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A ética está em desuso?

ética

Vindo do grego ethos que significa caráter, disposição, costume, hábito, é considerada sinônima de moral, a ética está em desuso?

Em tempos de redes sociais em que o chamado fake news corre solto, tendo pessoas tendenciosas e até despreparadas ocupando posições importantes, a impressão é que para defender suas ideias algumas pessoas simplesmente rasgaram a cartilha que norteia o bom comportamento na sociedade.

A falta de ética vem de todos os campos. Do “furo” do Presidente, passando pelos “parasitas” do ministro da Economia, indo até a as bravatas do ex-Presidente e condenado pela Justiça Lula, até pessoas que, para fazerem valer suas ideias, destroem biografias de pessoas públicas e privadas.

O que está acontecendo? Será que aqueles que deixaram a ética de lado, perderam por completo a noção que a vida em sociedade exige respeito, e que em uma democracia é possível praticar o contraditório? Por que estas pessoas não ficam no campo das ideias em vez de ataques pessoais?

Talvez a resposta esteja na falta de conhecimento e baixo repertório. Nestes casos é mais fácil atacar o mensageiro do que discutir o conteúdo da mensagem. O debate fica raso, e neste nível podem surgir aqueles que, por também pensarem de maneira rasa, aplaudem, mas no fundo, praticam um populismo condenável.

Uma sociedade somente será madura e poderá ser chamada de nação, quando o respeito ao próximo estiver acima dos interesses pessoais e de poder. Para que não ocorra total perda de controle, e os abusos terem que ser decididos na justiça, pratiquemos o sendo crítico, e evitemos pessoas não éticas, e até tóxicas.

Para muitos desses vale a velha a frase: “quer conhecer verdadeiramente uma pessoa? Dê-lhe poder”. Isso vale para todos os setores da sociedade. Continuo a indagar: a ética está em desuso? Espero que não.

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