Economia brasileira em crescimento

Economia brasileira em crescimento

A economia brasileira apresentou crescimento no terceiro trimestre deste ano. Dados do IBGE apontam para um avanço de 0,6% se comparados ao segundo trimestre também deste ano.

Em relação ao mesmo período do ano passado o crescimento atingiu 1,2%, sendo a décima primeira alta consecutiva.

Se analisarmos o desempenho pelo lado da oferta, os três grandes setores da economia cresceram: setor primário apresentou resultado de + 1,3%; o setor secundário + 0,8% e o setor terciário + 0,4%.

Pelo lado da demanda o desempenho foi o seguinte: consumo das famílias apresentou crescimento de 0,8%; gastos do governo (-) 0,4%; investimentos + 2%; exportações caíram 2,8% e as importações cresceram 2,9%.

Alguns pontos merecem destaque. O primeiro deles é o crescimento dos investimentos. É a segunda alta seguida, mesmo tendo ficado abaixo dos 3% do período anterior.

A sustentação do crescimento no longo prazo vem por esta variável. Com queda nas taxas de juros e injeção de recursos via FGTS o consumidor está mais confiante, o desempenho de +0,8% no consumo das famílias é o melhor resultado desde o terceiro trimestre de 2018.

O setor industrial apresentou a maior alta desde o quarto trimestre de 2017 (+0,8%) com destaque para a indústria extrativa, que cresceu 12%, o que compensou o baixo desempenho da indústria de transformação que apresentou queda de 1% no período. O setor da construção civil, forte geradora de empregos, cresceu 1,3%.

Do lado negativo tem-se a queda nas exportações, cujas justificativas são a desaceleração global e mais especificamente a recessão na Argentina. No tocante aos gastos do governo, a queda de -0,4% reflete o contingenciamento de recursos promovido pelo governo Federal.

Dados mais recentes, já refletindo o último trimestre do ano, também indicam crescimento, o que permite projetar elevação do Produto Interno Bruto acima de 1% para este ano. Todos se recordam que estes números já foram de 2,5%, com quedas sucessivas até atingir 0,8% e agora apontando para este patamar.

Tudo isso cria um ambiente favorável para o que vem. É possível esperar crescimento acima de 2%, de maneira sustentada, o que é bom. A Reforma da Previdência foi importante, e se o governo não errar a mão nas reformas administrativa e tributária, podemos projetar dias melhores.

O ano de 2020 será desafiador em termos de calendário devido às eleições municipais, por isso é fundamental que haja boa articulação do governo Federal com os membros do Congresso Nacional, caso contrário as coisas param.

De qualquer maneira, quando o emprego voltar para valer, aí sim, teremos deixado para trás o desastre do desempenho econômico dos últimos anos. A curva atual da economia brasileira é ascendente e isso é bom.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industria de Bauru – ACIB.

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Décimo terceiro: muita calma nesta hora

Décimo terceiro: muita calma nesta hora

Boa parte dos trabalhadores brasileiros receberá renda extra, o décimo terceiro salário. Como todo dinheiro recebido é preciso ter muita calma nesta hora.

Ter calma para decidir o destino do dinheiro não é sinônimo de frustrar expectativas, mas está mais que comprovado que lidar com dinheiro tem mais componente emocional do que racional.

Gerenciar este recurso extra é na prática a essência da ciência econômica: administrar a escassez, remetendo aos problemas fundamentais da economia, isto é, quando as necessidades são ilimitadas e os recursos são escassez é preciso fazer escolhas.

O trabalhador pode escolher consumir. É uma escolha, e se for esta opção mesmo assim tem que ser prudente. Alguns produtos típicos desta época assumem valores iniciais acima dos preços praticados durante o ano. Pesquisar é preciso.

Mesmo considerando que consumir toda renda extra é uma opção do trabalhador, não seria aceitável, “torrar” o dinheiro em consumo tendo alguma pendência financeira. Neste particular destaco três delas: dívida vencida, uso do limite do cheque especial e o uso do rotativo do cartão de crédito.

Utilizar o décimo terceiro para consumo deixando dívida em aberto, que é corrigida com juros elevados e ainda tendo a incidência de multa, não faz muito sentido. O mesmo raciocínio serve para o cheque especial e rotativo do cartão de crédito. São modalidades caras para simplesmente deixar de liquidá-las. Estamos falando de juros acima de 10% ao mês. Fora de qualquer propósito.

Outro ponto a ser considerado pelo consumidor é a necessidade de criar um colchão de recursos, via poupança. Algum dinheiro, no caso ao menos 15% do valor recebido, deveria ser canalizado para investimento financeiro. Dependendo do valor e prazo não precisa necessariamente aplicar na caderneta de poupança. Há opções mais rentáveis no mercado, como títulos do governo e fundos e investimentos.

Aqui vale a velha lembrança dos compromissos inevitáveis de início de ano, portanto, reservar algum dinheiro para isso é necessário.

Resumindo: é inevitável destinar parte do décimo terceiro para o consumo, afinal, festejar o fim de ano faz parte de nossa vida. Isso vale também para os gastos em viagens de férias. Mesmo assim, o racional indica que dívidas pendentes devem ser liquidadas, e na mesma linha, fazer um esforço para investir ao menos parte do dinheiro recebido.

Quando as necessidades são ilimitadas e os recursos são escassos, o que faz a diferença é a capacidade de fazer as melhores escolhas. Pratique isso!

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB

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Juros em queda: foco no lado real da economia

Juros | Opinião de Reinaldo Cafeo

O atual governo, em especial o Banco Central brasileiro, tem introduzido na economia brasileira uma política monetária mais frouxa.

Tendo como pano de fundo o controle efetivo da inflação os juros nominais estão em queda livre. Em novembro de 2016, portanto, há três anos a taxa básica era de 14% ao ano. Atualmente é de 5% ao ano, com projeção de queda para 4,5% ao ano.

Além da queda na taxa nominal, observa-se queda na taxa real de juros. A taxa de juros acima da inflação que já foi superior a 3,5% ao ano, aponta para algo próximo a 1% ao ano.

Este movimento nos juros tem forçado a mudança de comportamento dos investidores. Aplicar na caderneta de poupança que rende atualmente 0,29% ao mês não cobrirá sequer a inflação. As demais aplicações em renda fixa, as mais conservadoras, renderão 0,40% ao mês, quando muito 0,48% ao mês, sendo que na maioria destas aplicações haverá a incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital. Isso tudo indica que para obter maiores ganhos, o investidor terá que correr algum risco.

Entre arriscar em ações e outros opções de renda variável, muitos investidores passaram a considerar o lado real da economia como alternativa para rentabilizar mais seu dinheiro.

De um lado cresce o apetite por imóveis. Obter 0,5% de rendimento ao mês em aluguel de imóvel passou a ser atrativo. Se este rendimento for acompanhado da valorização do imóvel, haverá uma combinação perfeita.

Além dos imóveis, muitos investidores analisam investir em empresas. Neste caso, preferem as franquias, posto que estas tendem a indicar menos risco ao capital investido, afinal, o empreendedor pagará pelo know how do franqueador. Uma boa franquia vem acompanhada de um plano de negócios, com definição clara da estrutura administrativa, financeira, jurídica, contábil, de processos, de suprimentos e de vendas. Tanto o prazo de retorno como a taxa de retorno são indicadores prévios que permitem avaliar o nível de risco assumido.

Esta mudança de comportamento dos investidores é muito positiva para o País. Os ganhos financeiros, no lado monetário da economia, sempre foram privilegiados no Brasil. O lado real da economia, por apresentar maiores riscos, foi priorizado por poucos empreendedores.

Como o Brasil está em reconstrução há ainda muito a fazer, principalmente no tocante a sustentação do crescimento econômico e na segurança jurídica, mas não há dúvida que o olhar dos investidores já não é o mesmo, ou seja, ganhos nos mercados financeiro e de capitais, e os projetos dos empreendedores, podem sair do papel.

O desejo é que, o movimento que vem ocorrendo agora seja mais do que uma alternativa ao mercado financeiro, seja uma tendência de longa duração.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB

Programa Emprego Verde e Amarelo

Programa Verde e Amarelo

O governo Federal lançou, via Medida Provisória, o Programa Emprego Verde e Amarelo. Tendo como panos de fundo o desemprego, o crescimento da informalidade e ainda a desigualdade de renda, o programa visa oportunizar o primeiro emprego aos jovens brasileiros de 18 a 29 anos.

Ao limitar o nível de renda em 1,5 salário mínimo, reduzir de 20% para zero a alíquota patronal do INSS, derrubar o FGTS de 8% para 2%, bem como reduzir a multa por dispensa sem justa causa de 40% do FGTS para 20%, o governo espera que com menores encargos as empresas se sintam estimuladas a oferecer este primeiro emprego.

Vale destacar que esta condição tem prazo de validade: dois anos, depois disso o trabalhador terá os direitos atuais.

Ao longo dos anos foi incorporada uma série de benefícios aos trabalhadores, que se transformou em limitador do emprego. Estudos apontam, dependendo do setor analisado, que cada funcionário contratado por R$ 1.000,00 custa o dobro deste valor para a empresa. O funcionário leva pouco e o empreendedor gasta muito.

Neste contexto vem sempre a discussão: abrir mão dos benefícios ou não? É evidente que o meio sindical que representa os trabalhadores não aceita que haja mudanças no formato atual, e se pudessem ampliariam os benefícios, por outro lado, o empreendedor ao colocar todos os custos na ponta do lápis conclui que deve ter menos colaboradores do que efetivamente desejava.

É tema polêmico, mas precisa ser enfrentado. Quando comparamos o custo da mão obra brasileira e sua produtividade, com outros Países, os mais desenvolvidos, fica evidente que algo está errado no Brasil.

O chamado custo Brasil tira competitividade de nossos produtos e ainda gera travas na geração mais firme de emprego.

O Programa Emprego Verde Amarelo flexibiliza em parte esta situação. Não será a solução do desemprego, mas pode ser considerado um avanço. Certamente haverá e já vem tendo questionamentos quanto ao sua legalidade, notadamente ao diferenciar a idade na contratação e tratar temas importantes como as alíquotas do FGTS via Medida Provisória, mas é fato que o modelo atual se esgotou.

Em sociedade moderna não estar aberto ao novo é no mínimo não querer aceitar a realidade das coisas.

Como disse Paulo Guedes, Ministro da Economia, “os liberais não são revolucionários, são evolucionários”, portanto, se efetivamente o Brasil quiser implantar uma nova matriz econômica, o enfrentamento de questões estruturais como os encargos trabalhistas, se faz necessário.

Que os jovens possam ter seu primeiro emprego: o Programa Emprego Verde e Amarelo é um passo importante para isso.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

Pelo fim do voo de galinha

Pelo fim do voo de galinha - Artigo de Reinaldo Cafeo

O Brasil observa um período de reformas estruturais. A aprovação da reforma da previdência, que conterá a escalada do déficit nas contas públicas, foi um primeiro e importe passo. Não obstante ser uma das maiores reformas já aprovada no Brasil ela isoladamente não sustentará o crescimento econômico.

A equipe econômica, comandada pelo Economista Paulo Guedes sabe disso, e apresentou uma série de propostas para na direção de garantir a sustentação aqui mencionada.

Mesmo ficando de fora duas importantes reformas, a administrativa e a tributária (serão apresentadas em breve), o pacto federativo, a emergência fiscal e a revisão da vinculação de receitas, são importantes instrumentos para colocar o País em um patamar econômico mais elevado.

São Propostas de Emenda Parlamentar (PECs) que, uma vez aprovadas no Congresso Nacional, aliviarão o peso do Estado na economia.

De um lado o pacto federativo visa fortalecer o papel dos Estados e Municípios, garantindo recursos orçamentários, sem a burocracia hoje existente, de outro lado a implantação de gatilhos automáticos de contenção de gastos públicos, prevista na emergência fiscal, garantirá ao longo do tempo que em tempos de crise haja contenção dos gastos públicos.

Tem ainda a busca por mais autonomia na destinação dos recursos públicos, garantindo que as políticas públicas estejam mais próximas das necessidades do cidadão.

Evidentemente que o Congresso irá questionar alguns pontos, suprir uns e acrescentar outros, mas se efetivamente o Brasil quer abandonar o chamado voo da galinha (e galinha não voa) o caminho a ser trilhado é este.

Quando as reformas administrativa e tributária forem apresentadas, haverá uma consolidação das propostas. Isso sem falar do processo de privatização.

É desejável um Estado mais enxuto, com mais produtividade. É desejável um sistema tributário justo e simples e é desejável um setor privado forte.

Mesmo com negociações com o Congresso Nacional, legítimas em um País democrático, é bom saber que o governo Bolsonaro, mesmo com muitos erros, não perdeu a mão no tocante ao modelo econômico que preconizou implantar no Brasil.

Aos poucos a sustentação econômica virá, e com ela, a geração de riqueza, e a queda no nível de desemprego.

É preciso paciência, mas tudo aponta para um caminho seguro.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

Percebo otimismo no ar, e você?

Percebo otimismo no ar, e você?

Quem opera no mundo real, este que gera riquezas e empregos, começa a observar certo otimismo no ar. Alguns agentes econômicos estão tirando o pé do freio e começam a acelerar. Não é ainda velocidade de cruzeiro, mas estão acelerando.

Do ponto de vista econômico e particularmente analisando ambiente doméstico, é possível sim projetar dias melhores.

Uma das maiores reformas já vistas no País foi levada a efeito em menos de 10 meses do Mandato do Bolsonaro, a Reforma Previdenciária. Com ela a perspectiva de que o ajuste fiscal será realidade, o que tem provocado, entre outras questões, queda no chamado risco Brasil. As agências que analisam o nível de risco dos Países começam a enxergar no Brasil um bom prognóstico para economia.

Além da Reforma da Previdência a taxa de juros está em queda. Praticamos atualmente o menor patamar de juros básicos de nossa história, com queda inclusive na taxa real de juros (acima da inflação).

No sentido do estímulo do consumo, além da queda dos juros, o cadastro positivo é outra realidade próxima. As medidas para ampliar a liberdade econômica ajudam. Também a injeção dos recursos do FGTS, PIS/PASEP e ainda a chegada do décimo terceiro salário, são motivos suficientes para que a principal variável que faz o Produto Interno Bruto crescer, isto é, o consumo das famílias, seja potencializado.

Os desafios para que os agentes econômicos chegassem com algum vigor nesta fase da economia não foram poucos. Por sinal, muita gente “quebrou” neste período. Quem sobreviveu, fez a lição de casa, o fazer mais com menos, chega agora com alicerces para tirar proveito de um novo ciclo que pode estar inaugurando na economia.

Mesmo considerando as “barbeiragens” do executivo e pautas desnecessárias que somente levam o desgaste do governo Federal, o otimismo percebido pode se traduzir em maiores vendas e com elas recuperação das margens de lucro.

Não é para gastar por conta e tampouco imaginar que o crescimento econômico será exponencial, mas que o ambiente de negócios mudou, para melhor, não há dúvida.

Considerando que atuar no mundo dos negócios não é para corredores de curta distância e sim para maratonistas, quem treinou com afinco, e está com bom folego agora chegará lá. Caso você tenha esmorecido, ainda há tempo para tirar o tempo perdido, mas corra, não adie mais.

Salvo uma catástrofe, é possível sim apostar em dias melhores. Há um otimismo no ar.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

Reforma da Previdência aprovada: e agora?

Reforma da Previdência

Pela magnitude e abrangência sem dúvida alguma a Reforma da Previdência foi uma das mais importantes decisões dos últimos tempos. Ao longo dos anos foram apenas “remendos” que forçaram uma mexida mais profunda agora.

Com a economia prevista para os próximos anos, é possível, coloquei, é possível, buscar o equilíbrio nas contas públicas, e tirar da frente o temor da explosiva relação dívida/produto interno bruto.

Não obstante esta aprovação representar um divisor de águas na política fiscal brasileira é certo que a obra não está totalmente concluída. A pergunta é: e agora? As reformas estruturantes precisam continuar na pauta do setor público.

Uma reforma inevitável é a tributária. Com um setor público que tributa demais e gasta sem qualidade, em um sistema complexo, não é possível imaginar que a economia brasileira será sustentada ao longo dos anos.

Considerando todos os interesses sobre o tema, é difícil projetar a reforma “perfeita”, mas terá que ser a possível neste momento, principalmente, se conseguirem simplificar o sistema tributário e aliviarem o peso dos tributos sobre a produção e consumo, mesmo que isso implique em tributação em outras fontes, principalmente sobre a renda e patrimônio dos mais ricos do País.

A reforma administrativa é outro importante tema. Mexer somente nos tributos é pouco. É preciso redesenhar carreiras no setor público, alinhando remuneração e forma de atuar com o que é praticado pelo setor privado. É preciso ter um Estado mais enxuto e com produtividade.

O pacto federativo é outro tema relevante. Neste caso a ideia é repassar mais recursos aos estados e municípios mudando o formato atual de repartição dos recursos públicos. Na mesma direção se faz necessário desvincular e desindexar o Orçamento Público.

Há outras importantes demandas como as privatizações e investimentos em infraestrutura, que poderão a partir de agora ganhar velocidade.

O que está em jogo é a volta do crescimento da economia, mas não somente crescer, mas crescer de maneira sustentada, para que o emprego volte, a renda cresça e seja mais bem distribuída, isso tudo com inflação controlada.

O primeiro e importante passo foi dado: a Reforma da Previdência já é realidade. Agora é não perder o foco e trabalhar para que a estrutura do País seja mais bem alicerçada.

Há muito a ser feito, mas o caminho está aberto.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB

A alarmante desigualdade de renda

desigualdade de renda

A desigualdade de renda no País alcançou patamar não antes observado. Os dados são de 2018, os mais recentes divulgados pelo Instituto de Geografia e Estatísticas (IBGE).

A situação de renda no Brasil é a seguinte: quase 104 milhões de brasileiros, portanto, a metade mais pobre da população vivia com apenas R$ 413 mensais, considerando todas as fontes de renda.

Na outra ponta somente 2,1 milhões de pessoas (1% mais ricos) tinham renda média de R$ 16.297 por pessoa. Isso indica que pequena parcela da população brasileira recebe cerca de 40 vezes mais que a metade da base da pirâmide.

Além desta distorção, chama a atenção o fato de 10,4 milhões de pessoas, o equivalente a 5% da população, sobreviveram, isso mesmo, sobreviverem com apenas R$ 51 mensais, em média. Quando a análise é ampliada para os 30% mais pobres, isto é, 60,4 milhões de pessoas, a renda média per capita sobe apenas para R$ 269.

O índice de Gini, que mede concentração ou descontração de renda (quanto mais perto de zero menos concentrada a renda, quanto mais perto de 1, mas concentrada a renda) subiu de 0,538 em 2017 para 0,545 em 2018, sendo o patamar elevado nos últimos anos. Comprovação que efetivamente a desigualdade de renda no Brasil é alarmante.

Resumo: os mais pobres ficaram mais pobres, os mais ricos ficaram mais ricos.

Estes números deveriam ser estampados em letras garrafais em todas as esferas do setor público, e principalmente aos políticos que insistem em lutar pelo seu curral eleitoral e não priorizam as reformas estruturantes necessárias para retomar e sustentar o crescimento econômico do País.

Também estes números devem servir de alerta para aqueles que ainda acreditam em modelos econômicos populistas, sem compromisso com austeridade fiscal, que foram utilizados a exaustão nos governos recentes, que levaram a dois anos de recessão e a dois anos e meio de baixo crescimento, jogando milhões de brasileiros na fila do desemprego e na miséria.

Considerando que a matriz macroeconômica indica que é preciso manter a inflação controlada, criar condições para o País crescer, com isso gerar emprego e ainda estabelecer distribuição justa de renda, fica evidenciado que os desafios atuais são de tamanha grandeza que cada dia que passa o abismo social fica mais evidente.

A todos os agentes econômicos, sejam eles do setor público ou privado: uma nação é construída com justiça social, constatar a desigualdade de renda e a sociedade em seu todo, e o setor público em particular, não agirem na direção da reversão deste quadro é praticar um individualismo que não nos levará a lugar algum.

Precisamos nos indignar com a distorção de renda do Brasil e propor ações que promovem a justiça social. É o mínimo a fazer.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB

Taxa de juros abaixo de 5% ao ano: será?

Taxa de juros abaixo de 5% ao ano: será?

Não estamos falando da taxa de juros para o tomador de empréstimos, mas sim da taxa básica de juros, conhecida como taxa Selic: será que em dezembro atingirá menos do que 5% ao ano?

Resposta: é possível. Para entender melhor podemos avaliar que há uma mudança em curso. O Brasil sempre ofereceu a “ração” que o mercado desejava e praticava uma das maiores taxas de juros real (juros acima da inflação) do mundo. O prêmio pelo risco de aplicar recursos em títulos públicos, portanto, financiar o Estado brasileiro era elevado.

Os juros reais sempre foram convidativos oscilando entre 3,5% a 5,0% ao ano. A queda mais recente dos juros fez com a taxa básica fosse fixada em 5,5% ao ano. A taxa real gira em torno de 2,0% ao ano posto que a projeção da inflação aponta para algo próximo a 3,5% ao ano. Observem a queda.

A sinalização da Autoridade Monetária, ou seja, o pensamento do Banco Central brasileiro, indica que a taxa real pode atingir 1% ao ano. Se isso for verdadeiro, juros abaixo de 5% ao ano seriam possíveis.

Esta política monetária mais frouxa estaria alinhada com a prática mundial, que em alguns Países, visando estimular o consumo, operam com taxas reais baixas e em alguns casos, negativas.

Mesmo com esta constatação é importante alertar para alguns riscos. Os fundamentos econômicos do Brasil ainda são frágeis. As reformas estruturantes não foram implementadas em sua magnitude. Temos um bom encaminhamento da reforma da previdência, mas as demais, principalmente a tributária, sequer foram apresentadas.

As incertezas quanto ao alicerce da economia brasileira, podem ser sentidas com o nervosismo no câmbio. Com a crise argentina, mais os embates comerciais entre China e Estados Unidos, somados ao fraco desempenho dos Países que compõem a União Europeia, o nervosismo tomou conta dos investidores e um dólar que poderia operar abaixo de R$ 4,00 tem se mantido acima deste patamar.

Dólar alto, sinônimo de inflação importada e fuga de capital estrangeiro. Ambos podem ser inibidores deste afrouxamento na política monetária por parte da Autoridade Monetária.

Mesmo com todas estas observações, está evidenciado que a atual equipe do Banco Central é mais ousada do que as anteriores e é possível, sim, projetar menor patamar de juros no Brasil.

Se isso for verdadeiro restará cobrar, diria exigir, menor taxa de juros para o tomador de crédito no mercado. Um longo caminho, mas que precisa ser trilhado.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

Reforma Tributária: expectativas distintas

Reforma Tributária

Que o Brasil precisa realizar as chamadas reformas estruturais não há dúvida. A Reforma da Previdência caminha para aprovação no Senado Federal e a bola da vez é a Reforma Tributária.

De inicio vale destacar que a Reforma Tributária pretendida pelo setor público não é necessariamente a mesma almejada pelo setor privado, portanto, as expectativas são distintas.

Comecemos com a carga tributária. O setor privado sempre baterá na tecla de que é preciso reduzir a participação dos tributos na economia. Atualmente na casa dos 35% do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil figura entre os 15 Países no mundo que mais cobram tributos da população.

O Estado brasileiro, inchado, não consegue operar sem este volume de recursos. Esta relação sobre o PIB somente cairá com forte crescimento econômico, o que está descartado no curto e médio prazos.

Aqui o primeiro problema: a expectativa da sociedade é pela redução da carga tributária e a necessidade do Estado em todas as suas esferas é pelo aumento da arrecadação.

Outro aspecto que pode apresentar divergência é a incidência dos tributos. O Brasil optou por ter maior participação no bolo da arrecadação nos chamados impostos indiretos. Com uma legislação complexa, tributar o consumo, passou a ser o caminho mais fácil e rápido para aumentar a arrecadação. Isso faz com que o Brasil seja um dos Países que menos cobra impostos diretos, aqueles que incidem sobre a renda.

Os brasileiros de alta renda pagam, em média, 32% a menos de impostos do que as pessoas de alta renda que compõem o G7 (grupo de nações mais ricas do mundo). Vale lembrar que o imposto direto, sobre a renda, é progressivo, portanto, mais justo do que os indiretos.

Considerando que os impostos incidem sobre o consumo, renda e patrimônio, então em que há convergência entre o setor público e privado?

Um aspecto comum é a necessidade de simplificar o sistema. Apesar do lobby de alguns setores da sociedade, que faturam alto no “quanto mais complexo melhor”, é sem dúvida alguma um ponto de convergência a simplificação do sistema.

Outro aspecto que apresenta convergência, mas com mais resistência, é a necessidade de deslocar a carga tributária do consumo, para renda e patrimônio. Tema complicado de atacar, pois atinge em cheio aqueles que são os principais financiadores das campanhas políticas: os ricos.

Então o que fazer? O resumo da ópera é a seguinte: baixemos a expectativa de uma reforma que reduza o volume de recursos subtraídos do setor privado e apostemos na simplificação e na justiça tributária. Se atingirmos parte destes propósitos, já será bem melhor do que temos hoje.

Reinaldo Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.