Taxa básica de juros em alta

Taxa básica de juros

Como era esperado, o Banco Central promoveu a primeira alta na taxa básica de juros no Brasil, depois de 6 anos. A taxa Selic, como é conhecida, saltou de 2% ao ano para 2,75% ao ano. Vale destacar que o mercado projetava alta máxima de 0,5 ponto percentual.

A ata do Comitê de Política Monetária indica que além da alta da reunião passada, na próxima reunião, em maio, poderá ocorrer nova elevação de 0,75 ponto percentual, elevando a taxa básica para 3,5% ao ano.

As incertezas tanto no campo fiscal, como na cotação do dólar e ainda pressão direta sobre preços, são os argumentos para elevar os juros no Brasil.

Na prática o Brasil até que tentou afrouxar a política monetária, mas a dinâmica da economia brasileira não dá trégua. A taxa básica em 2% ao ano com inflação acima de 5% ao ano, portanto operando com taxa de juros real negativa, gerou desequilíbrios em vários mercados entre eles o de bens e serviços além do mercando cambial. Em um mercado concentrado como é o brasileiro, tendo uma nova onda de casos e mortes por Covid-19, o afrouxamento da política monetária não traz efeitos positivos aos agentes econômicos.

A carestia na ponta é realidade. O cidadão comum, além de perder renda ainda vem perdendo poder aquisitivo. Os preços dos produtos básicos não param de subir e o que se observa é a precarização do consumo das famílias.

Evidentemente que juros mais altos inibe crescimento econômico mais acentuado, também torna mais caro o crédito, prejudicando os agentes deficitários, contudo, o mundo econômico é feito de escolhas. Há que se combater o pior para o grosso da população, e por este prisma segurar a escalada dos preços, ou seja, controlar a inflação passa a ser a prioridade.

Vale destacar que a inflação prejudica sempre mais fortemente os mais pobres. Sem condições de proteger seu poder aquisitivo, entregam cada vez mais recursos para consumir a mesma quantidade de produtos. O resultado é a substituição de bens normais por bens inferiores, passando longe dos bens supérfluos. Como colocado, o consumo é precarizado.

A constatação é que essa deve ser a dinâmica deste ano: juros mais altos, inflação pressionada operando acima da meta fixada de 3,75%, e a Autoridade Monetária agindo no sentido de garantir que o ano que vem a meta, que foi fixada em 3,5%, seja efetivamente cumprida, e para tanto, estabilizar os preços em 2021, passa ser a prioridade.

Como a Ciência Econômica lida com escassez e criou instrumentos de política macroeconômica para que os agentes econômicos façam suas escolhas, fica claro que a escolha da Autoridade Monetária já está em curso: taxa básica de juros seguirá em alta, mesmo que comprometa o crescimento econômico.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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É preciso eliminar os desequilíbrios econômicos

É preciso eliminar os desequilíbrios econômicos

É desejável que a economia de um País opere em equilíbrio. Quando este equilíbrio não é atingido é preciso utilizar na plenitude os instrumentos de política macroeconômica.

A pandemia de Covid-19 “bagunçou” a economia. Ofertantes e demandantes de produtos e serviços não conseguem encontrar o ponto que atenda os anseios de ambos. No ano passado a paradeira geral de alguns setores se contrastou com a retomada de outros.

O isolamento social, o auxílio emergencial, a desova dos estoques, a falta de reposição de produtos, o câmbio e tantos outros fatores geraram problemas sérios na economia brasileira.

Mesmo considerando todos os estudos (clássicos, neoclássicos, keynesiano, entre outros) de como uma economia pode operar em equilíbrio, o certo é que os vários “mercados” estão nivelados por baixo.

Um deles é mercado de trabalho, que mesmo com o bom e surpreendente resultado de janeiro em que o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) apontou geração líquida de 260.535 empregos, o desemprego e a informalidade estão na altura. Com isso o salário médio não passa dos R$ 1.700,00 mensais, o que indica a precarização do trabalho.

O outro mercado é o de bens e serviços. Observem a inflação. Ocorre alta nos preços, provocada tanto pelo lado da oferta como pelo lado da demanda.

O aumento nos preços veio, quer pela insuficiência de oferta bem como pela alta de custos (principal pelo efeito do dólar) e isso foi potencializado pelo aumento de demanda. Combinação perversa, preços médios nas alturas para o padrão atual de inflação brasileira.

O mercado cambial é outro que opera em níveis acima do razoável. Mesmo com câmbio flutuante, portanto, o equilíbrio é encontrado entre ofertantes e demandantes da moeda estrangeira, a leitura é que hoje a cotação do dólar está pelo menos 10% acima do que poderia ser considerado adequado.

Outro mercado que busca seu novo patamar de equilíbrio, é o monetário, confirmada pela necessária elevação na taxa de juros.

A tudo isso inclua-se o componente político, com possível nova polarização entre a direita e a esquerda, aí chegamos na situação perfeita para gerar cada vez mais incertezas, elevando o risco em investir no País.

A equipe econômica comandada pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, precisa utilizar na todos os instrumentos que a ciência econômica já consagrou, para sinalizar aos agentes econômicos que há um caminho a ser trilhado e que os desequilíbrios de curto prazo, serão equacionados.

O que está em jogo é a retomada firme do crescimento econômico, sendo que a pandemia e a falta de velocidade na vacinação da população não concorrem neste momento. É hora de agir na direção que indique a sustentação da economia no longo prazo.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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EDITAL DE CONVOCAÇÃO

edital

REUNIÃO ORDINÁRIA DO CONSELHO DELIBERATIVO

ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DE BAURU

Ficam convocados os componentes do Conselho Deliberativo da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB, em conformidade com o artigo 21, item II, letra a, de seu Estatuto, para reunião ordinária a ser realizada na sede social da entidade, Rua Bandeirantes 8-78, Centro, nesta cidade de Bauru, Estado de São Paulo, no dia 19 de março de 2021, às 8 horas, em primeira chamada e não havendo quórum regimental, em segunda chamada trinta minutos depois.

Pauta, conforme o artigo 21, Item II, letra a, a saber:

“Apreciação das demonstrações financeiras referente ao exercício anterior e, análise das contas da Diretoria”

Contamos com a presença de todos os Conselheiros.

Bauru-SP, 11 de março de 2021.

Benedito Luiz da Silva

Presidente do Conselho Deliberativo

O dinheiro público e os populistas

O dinheiro público e os populistas

Muita gente ficou sem entender a reação do “mercado” depois da decisão que tornou o ex-presidente Lula elegível (pelo menos por ora). A bolsa brasileira caiu, o dólar subiu, enfim, no dia da decisão do Ministro Fachin do Supremo, as coisas fugiram a normalidade.

Evidentemente que o “mercado” reage irracionalmente no momento que recebe a notícia e nos dias seguintes, já assimilando o que ocorreu, tende a gradativamente voltar à normalidade.

Quero aqui chamar a atenção para o pano de fundo desta reação que não afeta somente os grandes operadores do mercado e sim a maior parte dos agentes econômicos: o populismo.

Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT), sempre foi um político habilidoso, comunica diretamente com seu eleitor, e promete entregar ao seu público o que o povo mais simples deseja: promessa de resolver todos os problemas principalmente utilizando o dinheiro público.

Com viés estatizante, Lula e seus seguidores querem maior participação do Estado na economia. Ele até se rendeu em determinado momento de sua gestão ao neoliberalismo, mas agora, mais velho, mais empoderado, querendo efetivamente ser um contraponto à direita de Bolsonaro, tende, eu disse tende, a colocar as mangas de fora e, se eleito, colocar em prática sua ideologia e seu conceito de poder. Será mais Estado e menos o setor privado. Populismo puro.

Bolsonaro está sendo testado no poder. Casou com a pauta liberal de Paulo Guedes, mas em sua trajetória política sempre defendeu pautas do nicho que o elegeu para vários mandatos como Deputado, e ganhou notoriedade e até as eleições presidenciais por ser um contra o PT, consequentemente contra o Lula. Estava no lugar certo na hora certa e se valeu da falta de liderança dos demais candidatos à presidência. Foi eleito Presidente da República. É também um populista. Isso ficou evidente quando inicialmente até negava a necessidade de pagar o auxílio emergencial aos mais carentes que sofreram duramente os reflexos da pandemia, e depois, surfou no crescimento de sua popularidade, fazendo com que os idolatrados do passado via Bolsa Família, agora demonstrassem elevada admiração a quem passaram a chamar de mito. Isso sem falar da pauta de costumes.

Ambos apresentam riscos a condução da política econômica brasileira. No caso do Bolsonaro isso está ligado a tentação de abrir os cofres para se contrapor a um eventual crescimento da candidatura de Lula.  O Petista, pelo seu histórico, e pelo empoderamento que poderá ter se for novamente eleito para ser Presidente do País, tenderá a trabalhar para um novo rumo ao sistema econômico vigente, mais voltado ao socialismo. Nos dois casos perdem todos.

Os mais necessitados podem até ter algum tipo de alívio no curto prazo, mas caso ocorram aventuras fiscais, perderão muito no médio e longo prazo devido ao desequilíbrio da economia, gerando incertezas de toda ordem, com possibilidade de descontrole inflacionário, necessidade de elevar a taxa de juros, convivendo com câmbio nervoso e o crescimento econômico sustentável será mais uma vez adiado. Consequências sociais no horizonte.

Sem dúvida o País vive um momento delicado, e o que é pior, com insegurança jurídica que somente retarda o equacionamento dos graves problemas do País. Se novamente tivermos um embate entre Lulistas e Bolsonaristas, o chamado Fla-Flu, espera-se que surja alguma liderança, que seja uma alternativa para fugirmos do populismo. Não será tarefa fácil à medida que pautas reformistas dificilmente elegem políticos, mas não é possível aceitar passivamente aventuras políticas.

Apesar desta leitura ainda há esperança no ar: uma delas é a mudança no entendimento na Suprema Corte no tocante ao a decisão de Fachin. A segunda, caso se isso não ocorra, é torcer para que os processos que condenaram Lula não voltem à estaca zero, e por último, o que seria mais fácil, Bolsonaro não se render à tentação de abrir deliberadamente os cofres públicos visando sua reeleição. Que tempos difíceis!

Em 2020 a economia encolheu 4,1% e este ano?

Em 2020 a economia encolheu 4,1% e este ano?

Dados divulgados pelo IBGE deu a dimensão das consequências da pandemia de Covid-19: a economia teve queda real, acima de inflação, de 4,1% em 2020. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foi de R$ 7,4 trilhões e o PIB por pessoa ficou 4,8% menor em 2020 atingindo R$ 35.172,00.

Analisando o PIB pelo lado da oferta somente o setor primário (agropecuária) da economia fechou no azul: + 2,0%, enquanto o setor secundário (indústria) apresentou queda de 3,5% e o setor terciário (comércio e serviços) despencou 4,5%. Todos os dados comparados com 2019.

Quando a análise é pelo lado da demanda temos: Consumo das Famílias negativo em 5,5%; Investimentos com queda de 0,8%; os Gastos do Governo foram de (-) 4,7%; as Exportações caíram 1,8% e as Importações despencaram 10,0%. No caso do Consumo das Famílias foi o pior desempenho em 24 anos.

O resumo destes números é o seguinte: não foi tão ruim como as projeções de início de pandemia (há um ano), posto que o segundo semestre foi positivo, porém, na média estamos mais pobres.

Isso posto vem a pergunta que não quer calar: e este ano? Não obstante os operadores do mercado, via Boletim Focus, apontarem para crescimento econômico acima de 3% (no último Boletim a projeção foi de 3,29%), os desafios não são poucos.

Com o agravamento da pandemia, com o abre e fecha das atividades econômicas, convivendo com elevado nível de desemprego, e sem vacinação em massa, no curto prazo, ou seja, neste primeiro trimestre, podendo se estender para o segundo trimestre, não dá para ter otimismo quanto ao desempenho econômico do Brasil.

Para agravar ainda mais a situação o País vive em ambiente de muitas incertezas, elevando risco em investir aqui. As reformas estruturais ainda patinam. As contradições do governo Bolsonaro no tocante à pauta liberal geram mais incertezas. Há dúvidas quanto a capacidade de o governo em segurar o endividamento público.

A inflação dá sinais de alta, o nervosismo se instalou no mercado e elevar a taxa de juros básica passou a ser inevitável. E se tudo isso não bastasse, temos total falta de sintonia dos governantes e os profissionais de saúde na condução das ações para combater a pandemia de covid-19, com nítidos embates políticos, que vão no sentido contrário de salvar vidas e a economia. E para não faltar emoção, as articulações visando as eleições presidenciais para o ano que vem já ganham importantes contornos.

Aos agentes econômicos resta exigir, isso mesmo, exigir, que o setor púbico e em especial a classe política faça a lição de casa, harmonizando no que for possível, dando velocidade na pauta estruturante, ofertando mais vacinas e acima de tudo praticando o senso coletivo.

Fora isso é viver cada dia contornando o que for possível, apertando onde der, fazendo mais com menos, enfim sobrevivendo, à espera de que as coisas melhorem.

Mesmo considerando que o tombo da economia o ano passado poderia ter sido pior, o que interessa para todos nós é como vamos driblar os desafios atuais, tanto como empreendedores, como trabalhadores. Novamente o brasileiro será testado em sua capacidade de girar vários pratos ao mesmo tempo. É no mínimo cansativo tudo isso.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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O mito e o Estadista

O mito e o Estadista

Sem dúvida alguma o dia a dia no Brasil, em especial a política não é para amador. Não bastassem todos os desafios que o País enfrenta, ainda temos que conviver com o barulho ensurdecedor das consequências de decisões de nossos governantes, muito mais ditados pelo fígado, do que pela cabeça.

O País enfrenta de maneira desordenada o combate a uma pandemia que já se arrasta por um ano. Não há centralização das decisões, não há entrosamento entre a União, Estado e Municípios, e a população fica à mercê das decisões políticas nem sempre são coerentes.

A pandemia adiou decisões importantes no campo econômico, e o desequilíbrio no mercado é evidente. A inflação está pressionada. Há sinalização de aumento na taxa de juros. O crescimento econômico pode ser menor do que era espera há alguns meses. O desemprego é realidade.

A cotação do dólar oscila, ficando mais elevada do que o necessário, refletindo no curto prazo, todas as incertezas no tocante ao futuro deste País. Estramos em uma aventura fiscal, e o que se observa são atos impensados como, por exemplo, o aumento da carga tributária no Estado de São Paulo em plena crise sanitária e econômica.

Somam-se a tudo isso a necessidade de analisar a volta do auxílio emergencial e dar velocidade a pauta reformista, e para azedar ainda mais as coisas temos o Presidente da República, o “mito” (para alguns) atropelando o processo.

Não obstante ser “popular” querer atingir a formação do preço de venda dos combustíveis no Brasil, não é plausível que alguém que ocupa o principal cargo no executivo brasileiro não tenha conhecimento dos efeitos sobre o mercado de suas decisões. Não estamos, portanto, questionando “o que”, mas sim “o como” isso é feito.

A Petrobras, já utilizada de maneira nada republicana pelos governos anteriores, não pode ser objeto de interferência política, mesmo que o Estado brasileiro possua mais da metade das ações daquela companhia. É uma empresa de economia mista, listada em bolsa de valores, com ações sendo comercializadas não somente no Brasil como no exterior.

Tem seu “compliance” e profissionais, por sinal bem remunerados, para atender as demandas do executivo federal, e de maneira ponderada, técnica, avaliar como é possível reduzir os impactos das altas do preço do barril de petróleo e da cotação do dólar, no bolso dos brasileiros.

Tratar deste tema de maneira precipitada, trazer a público questões que podem ser tratadas no foro adequado, não resolvem o problema e o que é pior, contrariam todo o discurso de um governo que tenta ser liberal. Tudo isso abala a credibilidade não somente da Petrobras, mas de todas as Estatais, passando a impressão de que nelas tudo pode ainda tendo perdas expressivas no valor de mercado. A própria equipe econômica entra em descrédito.

É nesta hora que sentimos a falta de um Estadista com “E” maiúsculo, o que, infelizmente, já ocorre há anos. Agora, quando não se tem Estadista e ainda aflora o “populista”, então as coisas ficam pior. Tentar jogar para a torcida e não ter equilíbrio na tomada de decisões, tem seu preço: depreciar o patrimônio das Estatais, e em última instância o patrimônio de cada um de nós.

Se ser “mito” é ter comportamento desequilibrado, voltado para o interesse de criar um colchão confortável de votos para reeleição, prefiro enxergar as escassas opções para que busquemos um Estadista para comandar o País. Insisto, não é de hoje que a falta de líderes tem retardado a melhoria na qualidade de vida das pessoas. O ocorrido na Petrobras é só a comprovação do quanto andamos para trás.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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As reformas estruturais interessam a quem?

reformas estruturais

Com as eleições de Arthur Lira (PP-AL) para presidir a Câmara de Deputados e de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para presidir o Senado Federal, ambos apoiados pelo executivo federal, a pauta reformista passa a ter foco.

As questões das reformas remetem a várias leituras e até questionamentos do tipo “reformas interessam a quem?”.  Sem querer ser o dono da verdade, entendo que as reformas interessam a todos que praticam a visão coletiva, aqueles que analisam o ambiente macroeconômico e não o interesse pessoal ou de minorias.

Vou abordar três temas dentro do quadro de reformas: a tributária, a administrativa e as privatizações. Comecemos com a Reforma Tributária. O sistema tributário brasileiro é um dos mais complexos do mundo. São 92 tipos de tributos em vigor no País. O Brasil é a nação que ocupa 14º. posição no mundo que mais cobra impostos. Há um elevado peso dos tributos sobre a produção e consumo, os chamados impostos indiretos.

Desta maneira, simplificar o sistema e reduzir o número de tributos elevam a produtividade das empresas, podem baratear os produtos e finalmente podemos ter, para todos, justiça tributária, em que os mais pobres possam ter menor peso destes tributos sobre a sua renda.

A Reforma Administrativa aponta para uma mudança nas carreiras, na estabilidade, nos salários e benefícios de quem quer trabalhar no setor público brasileiro. A gestão de Recursos Humanos do Estado pode ser considerada precária. Ao longo da carreira muitos servidores agregam ganhos, os chamados penduricalhos, distorcendo por completo aquilo que era previsto no início de carreira.

Vale destacar que reformar nesta área não fere os direitos adquiridos, posto que as mudanças, quando ocorrerem, atingirão os futuros servidores públicos. Aqui espera-se um Estado, em todas as esferas e em todos os Poderes, mais leve, mais produtivo e mais tecnológico, economizando bilhões em Reais com a manutenção da máquina pública.

E finalmente, neste recorte, as privatizações. Toda vez que este tema vem a baila, fica evidente que o corporativismo prevalece, e os mais desavisados, que não praticam o espírito coletivo acima mencionado, entram na onda daqueles que possuem vantagens profissionais, que não são realidade da maior parte do setor privado brasileiro.

O Tribunal de Contas da União divulgou estudo apontando que 86% dos salários das estatais são superiores ao do setor privado. Como não estão sujeitas ao limite Constitucional de remuneração do servidor público, há estatal que paga R$ 76 mil por mês a um engenheiro eletricista, R$ 18 mil a um armazenista. Alguns dirigentes de estatais, do alto escalão, chegam a receber quase R$ 3 milhões por ano, o que equivale a mais de R$ 240 mil por mês. Muitas Estatais pagam de 3 a 5 salários adicionais ao ano dependendo de seu desempenho.

É evidente que quando se fala em privatizar, este grupo de “servidores” tentam trazer a opinião pública para seu lado. Aqueles que não praticam o senso crítico passam a ser contra as privatizações, não avaliando a quem efetivamente interessa a manutenção deste estado de coisas. Isso tudo sem contar o uso político dos principais cargos destas Estatais.

Considerando os argumentos colocados penso que podemos responder à pergunta título deste artigo: as reformas estruturais interessam a quem? A quem não quer mais conviver com o voo da galinha, em que o crescimento econômico não se sustenta ao longo do tempo. Estas oscilações precarizam o emprego. Vale destacar que a taxa de desemprego atual é de 14,1% da população econômica ativa.

E finalmente as reformas interessam a quem, sem levar em conta a sua situação pessoal, pensa no grosso da população e deseja mais investimentos, mais renda e mais empregos e acima de tudo um ambiente de negócios com segurança jurídica e mitigação de riscos.

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Não há como sobreviver ao abre fecha das atividades econômicas!

Não há como sobreviver ao abre fecha das atividades econômicas!

Não é aceitável que depois de praticamente um ano de pandemia a sociedade e em especial o setor público estadual não tenham aprendido a lidar com o vírus.

No início da pandemia a sociedade tolerou as decisões do Governo do Estado quanto ao isolamento e distanciamento social. O denominado lockdown foi uma novidade para muitos de nós, que sem informações confiáveis, nos sujeitamos ao que indicavam os “sábios” da ciência. Podemos avaliar, olhando para trás, que foi mais uma tentativa e erro do que estudos científicos. Muitos Países também tomaram decisões semelhantes, mas o que se observou é que pouco resultado trouxe. Muitos aprenderem com isso, infelizmente, aqui não.

Na prática todos sabiam que o vírus não seria combatido enquanto não houvesse a vacina, que felizmente hoje temos, e até mesmo até termos medicamentos capazes de reduzir os efeitos da Covid-19. Seria um tempo para que o sistema de saúde não entrasse em colapso. A sociedade e em especial os empreendedores fizeram sua parte. Muitos não sobreviveram e se não fosse o auxílio emergencial que atendeu mais de 60 milhões de brasileiros a situação de miserabilidade seria muito mais grave do que é hoje.

Não ter aprendido com tudo que foi praticado é sinal de teimosia e até de burrice. No caso específico do Estado de São Paulo e em especial a cidade de Bauru, insistir em utilizar o chamado Plano São Paulo classificando as cidades em fase, tendo como parâmetro uma região que abriga dezenas de cidades, e ainda levando em conta uma equação manipulável que considera o nível de ocupação de leitos em UTI, vai na linha da teimosia ou da burrice.

No recorte das atividades econômicas de Bauru quem depende do mercado local e não quebrou até agora, com este abre e fecha, realidade atual, não terá fôlego financeiro para suportar mais. Os estoques não são vendidos na magnitude que deveriam. Os boletos vencem e sem dinheiro e até mesmo sem limite para novos créditos, a inadimplência crescerá. Sem utilizar toda capacidade instalada e observando queda no faturamento, aumento do endividamento, o desemprego crescerá. Mesmo os autônomos terão dificuldade em se manter em pé.

O que mais irrita em toda nesta questão é observar que a ciência passa longe das decisões do Governo do Estado, afinal, quando o interesse era liberar tudo para que as eleições ocorressem em novembro do ano passado, a ciência ficou de lado. Além disso, pouco foi feito para conscientizar a população para que evitasse os excessos de fim de ano.

A conta chegou e porque o sistema está no limite? Porque novamente o Estado não fez sua parte. Por sinal, diminuiu o número de leitos disponíveis. Insisto na equação que define as fases do Plano São Paulo de combate a Covid-19: se o número não cresce e até diminui o resultado é um percentual cada vez maior no nível de ocupação dos leitos.

Há muitas perguntas e poucas respostas: quais estudos apontam que é no comércio, nos serviços em geral que a contaminação do vírus ocorre? Este mesmo vírus não circula em outras atividades importantes? Se a cidade e a região estão em estado tão grave no tocante aos casos de Covid-19, por que o Governador não vem para a região? E o Secretário de Saúde do Estado, quantas vezes esteve presente em Bauru? As respostas não existem.

Por fim, não é possível admitir que em uma cidade como Bauru, cuja matriz econômica tem no setor terciário (comércio e serviços) 70% da geração de sua riqueza, seja tratada com modelos para tomada de decisão que não levem em conta sua realidade local, e sem a devida interlocução com os atores da cidade.

Não há como sobreviver ao abre fecha das atividades econômicas da cidade!

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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E aí Congresso Nacional, vamos trabalhar?

Congresso Nacional

Finalmente ocorreu a renovação no Congresso Nacional e independentemente das preferências partidárias de cada um de nós os eleitos têm a missão de ajudar o País a avançar nas reformas estruturais.

Com pauta trancada por conta da Covid-19 a produtividade do Congresso Nacional que já baixa, foi praticamente zero o ano passado. A permanência no comando da Câmara de Deputados de Rodrigo Maia por um longo período, gerou acomodação. Ele sentindo-se como se fosse um Primeiro-Ministro, quis pautar o País e ficou mais que demonstrado que ele não exercia liderança alguma, sendo respeitado mais pelo seu cargo do que pelo seu carisma, que por sinal é inexistente. Seu candidato a sua própria sucessão não vingou e seu partido, o DEM está rachado.

Página virada, é o momento de falarmos bem alto e unidos: e aí Congresso Nacional, vamos trabalhar? Este trabalhar está muito ligado não a necessidade de levar em frente a pauta de Paulo Guedes, Ministro da Economia, ou do Bolsonaro, Presidente da República, e sim a pauta necessária para sustentar o crescimento brasileiro. A pauta de geração de emprego e renda no País.

Em 2019 a relação dívida pública bruta com o produto interno bruto era de 74,3%. Com a pandemia, o ano passado esta relação atingiu 89,3%, fruto do déficit primário de 9,5% do PIB, o equivalente a um rombo nas contas públicas, sem computar os juros da dívida pública, de R$ 702,9 bilhões. A dívida pública brasileira atingiu em 2020 o valor de R$ 6,165 trilhões. São estes números que justificam a pauta reformista. Insisto, independentemente de quem esteja no comando do País.

Não haverá confiança no Brasil com este patamar de endividamento público sem sinalizar como o País enfrentará o problema. Países como México e China atingiram, mesmo com a pandemia, patamares de 52% na relação dívida/PIB, enquanto o Chile opera na casa dos 32%. Por esse prisma, além de os agentes econômicos desconfiarem da solvência brasileira e tendem a exigir mais juros para apostarem no Brasil, os investidores tenderão a aportar seus recursos em Países que estão fazendo a lição de casa.

Três grandes questões precisam ser imediatamente pautas: Reforma Tributária, Reforma Administrativa e as Privatizações. A primeira ajuda a reduzir o custo Brasil, a segunda torna o Estado mais leve ao longo do tempo e a terceira traz caixa para o governo e estancam a velha prática dos conchavos políticos do chamado toma-lá-dá-cá.

O apoio do governo Federal foi fundamental para as eleições tanto de Arthur Lira na Câmara dos Deputados como de Rodrigo Pacheco no Senado Federal, agora é a hora de cobrar lealdade.

É fato que o governo Federal se perdeu em suas pautas e que em determinado momento faltou se empenhar mais para que as reformas andassem, contudo, para quem conseguiu levar em frente a complexa Reforma Previdenciária, que mexeu com milhões de brasileiros, tratar destes três temas pode ser muito mais fácil. Talvez a Reforma Tributária seja a mais desafiadora, mas entre a reforma ideal e a possível, fiquemos com a segunda opção.

Vale insistir no ponto central e novamente clamar a classe política brasileira: e aí Congresso Nacional, vamos trabalhar? Milhões de brasileiros esperam que sim e que, com economia sustentável no longo prazo, os investimentos produtivos venham, com eles o crescimento econômico e gerar emprego e renda.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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ACIB assina manifesto de apoio à prefeita municipal Suéllen Rosim

Manifesto

A Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB, juntamente com outras entidades de classe da cidade, assinou manifesto na última semana em apoio à recente decisão da Prefeita Suéllen Rosim, de flexibilizar em parte o funcionamento do comércio, mesmo a cidade tendo sido classificada pelo Governo do Estado na fase laranja do Plano São Paulo, que estabelece restrições para abertura do comércio como forma de prevenir o aumento de casos de Covid-19.

De acordo com o documento, as entidades e seus representantes reconhecem a gravidade da pandemia e a necessidade de restrições para reduzir os casos de transmissão do vírus e ao mesmo tempo aliviar o sistema de saúde do município, porém reforçam que é preciso considerar que a responsabilidade pelo crescimento dos casos de Covid-19 não pode ser atribuída à abertura das atividades empresariais.

“Ações extremadas de isolamento e distanciamento social, com redução de horas de atendimento dos estabelecimentos comerciais e de serviços, já demonstraram que não resolvem o problema da pandemia. Buscamos e sempre buscaremos o equilíbrio entre as questões sanitárias e a econômica, mas a conta não pode recair somente sobre a área econômica”, afirma o documento.

Ainda de acordo com o Manifesto, a Prefeita de Bauru e sua equipe de gestores demonstraram sensibilidade no tocante a este tema, considerando que seja possível adotar medidas específicas para a realidade de Bauru, evitando assim impor sacríficos desnecessários ou que não sejam eficientes para o município.

“O entendimento é que não há mais espaço para sufocar os empreendedores que já estão extremamente feridos financeiramente, e um eventual rebaixamento de fase, levando a restrições no funcionamento dos estabelecimentos, geraria um problema social tão ou mais grave quanto a questão sanitária. O diálogo entre o setor público e o setor privado foi aberto e desta maneira teremos foco total no equacionamento dos problemas inerentes a nossa cidade sem interferência externa, cujos atores desconhecem a realidade local. Neste momento queremos reforçar nosso apoio a forma madura que a Prefeita vem conduzindo este tema”, ressalta o documento.

Para o Presidente da ACIB, economista Reinaldo Cafeo, o manifesto vem dar voz a dezenas de empresários, comerciantes e prestadores de serviços de Bauru, que contribuem para a geração de renda e emprego na cidade. “As propostas sugeridas pela Prefeita Suéllen são viáveis e irão garantir a manutenção dos negócios e da economia, sem com isso deixar de preservar a saúde e bem-estar da população do município”, analisa.

Além da ACIB, assinam o manifesto: Sincomércio (Sindicato do Comércio de Bauru e Região), CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Bauru), Apas (Associação Paulista de Supermercados), Assoma (Associação dos Maçons de Bauru), Bauru Shopping, Assenag (Associação dos Engenheiros Arquitetos e Agrônomos de Bauru), Sindicato de Bares e Restaurantes,   Sincomerciarios (Sindicato dos Empregados no Comércio de Bauru), Sindicato Profissional de Bares e RestaurantesSindimoto Bauru, CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo),  Sindicato da Indústria de Panificação,   Sindcon (Sindicato dos Contabilistas de Bauru) e Associação dos Músicos de Bauru.

Confira o texto na íntegra:

“As Entidades de Classe de Bauru, abaixo relacionadas, vêm tornar público este manifesto em apoio a recente decisão da Prefeita de Bauru, Suéllen Rosim, que ao decretar que a cidade segue a fase laranja na prevenção a pandemia da Covid-19, determinada pelo Governo do Estado, atendeu ao apelo dos que empreendem em Bauru e flexibilizou em parte o funcionamento das empresas dos vários setores da economia.

As Entidades e seus representantes são sabedores da gravidade da pandemia, das necessárias ações visando reduzir os casos de transmissão do vírus e ao mesmo tempo aliviar o sistema de saúde do município, porém é preciso considerar que a responsabilidade pelo crescimento dos casos de Covid-19 não pode ser atribuída à abertura das atividades empresariais.

Ações extremadas de isolamento e distanciamento social, com redução de horas de atendimento dos estabelecimentos comerciais e de serviços, já demonstraram que não resolvem o problema da pandemia.

Buscamos e sempre buscaremos o equilíbrio entre as questões sanitárias e a econômica, mas a conta não pode recair somente sobre a área econômica.

A Prefeita de Bauru e sua equipe de gestores demonstraram sensibilidade no tocante a este tema, e o entendimento é que não há mais espaço para sufocar os empreendedores que já estão extremamente feridos financeiramente, e um eventual rebaixamento de fase, levando a restrições no funcionamento dos estabelecimentos, geraria um problema social tão ou mais grave quanto a questão sanitária.

O diálogo entre o setor público e o setor privado foi aberto e desta maneira teremos foco total no equacionamento dos problemas inerentes a nossa cidade sem interferência externa, cujos atores desconhecem a realidade local.

Neste momento queremos reforçar nosso apoio a forma madura que a Prefeita vem conduzindo este tema”.