ACIB se posiciona sobre novo decreto da Prefeitura de Bauru

ACIB se posiciona sobre novo decreto da Prefeitura de Bauru

A Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB se posicionou sobre o novo decreto publicado nesta quarta-feira (16) pela Prefeitura de Bauru, que endurece as medidas para enfrentamento da pandemia de coronavírus no município. As novas regras entram em vigor na próxima sexta-feira (18) e seguem até o dia 30 de junho.

Nesse período fica limitada a ocupação máxima dos estabelecimentos (comerciais e de serviços) em até 30% da capacidade. O funcionamento das lojas, inclusive de shoppings e galerias comerciais, será das 6h às 21h.

O município também vai restringir o horário de funcionamento de bares, lanchonetes, restaurantes e demais estabelecimentos de alimentação, que poderão funcionar das 6h às 19h, com até 30% da capacidade, e limite máximo para fechamento das portas até às 20h, em todos os dias da semana.

O novo decreto também volta a limitar a entrada de apenas uma pessoa por família nos supermercados. Além disso, fica proibida a venda de bebidas alcoólicas em qualquer estabelecimento, das 19h às 6h do dia seguinte, em todos os dias da semana. Aos finais de semana, a venda fica proibida em todos os horários, das 19h de sexta-feira até 6h de segunda-feira.

O valor da multa para quem descumprir o decreto pode chegar até R$ 6.678,86. Já os estabelecimentos comerciais e de serviços reincidentes poderão ser interditados pelo município.

Para o Presidente da ACIB, economista Reinado Cafeo, as medidas restritivas prevista no novo decreto municipal mais uma vez afetam de modo prejudicial o setor produtivo da cidade, desfavorecendo empresários e colocando em risco o emprego de centenas de trabalhadores.

“A ACIB, por um lado, tem a preocupação com o crescimento do número de casos de Covid, mortes, com a falta de infraestrutura sanitária para atender os pacientes. Mas, por outro lado, lamenta que o executivo municipal atual repete os mesmos erros do executivo que terminou o mandato no ano passado. Não foi aberto diálogo para que as entidades representativas pudessem opinar qual seria o melhor modelo para enfrentamento dos problemas de saúde e do pico da pandemia. Essa falta de diálogo faz com que a sociedade tenha um olhar para o setor produtivo da cidade como se ele fosse vilão. Quando, na verdade, não é. O setor público teve recursos abundantes da esfera Federal e do Governo do Estado. O próprio Governo do Estado não deu o foco. Foi solicitado para que todos nós ficássemos em casa, para que houvesse a ampliação da retaguarda de saúde e nada disso se concretizou. Lamentamos, então, que nesse momento o setor produtivo seja novamente afetado. Insisto, de um lado entendemos a gravidade da questão, mas do outro precisaria ter, no mínimo, diálogo com as entidades constituídas”, opina Cafeo.

ACIB Debate estreia discutindo situação do DAE Bauru

ACIB Debate estreia na próxima segunda-feira abordando o tema: DAE Bauru

A Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB, estreia, na próxima segunda-feira, dia 17 de maio, às 18 horas, com transmissão ao vivo no canal da ACIB no YouTube (youtube.com/acibbauru), o programa ACIB Debate. Essa primeira edição traz como tema: DAE Bauru – Qual o Melhor Modelo de Gestão: Autarquia ou Concessão?

O evento terá como mediador o presidente da ACIB, economista Reinaldo Cafeo, e contará com as participações especiais de Eduardo Borgo (Vereador), Bruno Pereira (Radar PPP), André Dabus (Conselheiro da ABDIB), Eric Edir Fabris (Engenheiro e ex-Presidente do DAE) e Tânia Kamimura Maceri (Engenheira, CODESE).

A estreia do programa marca a atuação da ACIB, que em agosto completa 90 anos, para tratar temas relevantes para o desenvolvimento de Bauru. Segundo Cafeo, a entidade sempre teve imparcialidade do ponto de vista de política partidária, porém sempre se posicionou nos grandes temas da cidade.

“O debate desta segunda-feira, pela qualidade dos convidados, quer agregar conteúdo à recente indicação da prefeita Suéllen Rosim, em criar um comitê que possa analisar o futuro da autarquia. A ACIB não tem preconceito, não tem uma definição prévia, mas aposta no debate: falta de água, perda na distribuição, estrutura administrativa viciada e, na ponta, um serviço que não atende as expectativas da comunidade. Por que não debater se é possível melhorar o modelo atual, se é possível, mantendo o modelo atual, ter sucesso, ou se, eventualmente, uma concessão muito bem estruturada não possa ser o caminho para trazer qualidade para as pessoas que hoje sofrem de maneira antecipada com uma estiagem? É uma autarquia com recursos recorrentes, um produto essencial, mas que ainda não encontrou o modelo de gestão”, diz Cafeo.

Segundo o presidente da entidade, a ACIB pretende, com esse debate, trazer luz às grandes possibilidades de melhoria da qualidade do serviço público e, em última instância, para a qualidade de vida da população de Bauru.

Participe:

ACIB Debate: DAE Bauru – Qual o Melhor Modelo de Gestão: Autarquia ou Concessão?

Dia 17 de maio, às 18 horas no YouTube: youtube.com/acibbauru.

O mais “novo” idoso do pedaço

O mais “novo” idoso do pedaço

Pois é sou o mais “novo” idoso do pedaço: cheguei aos 60 anos e, como dizem os amigos, com “corpinho de 59”. Brincadeiras à parte tenho a impressão de que o tempo passou muito rapidamente e este último ano de pandemia, mais ainda.

Lembro-me como se fosse hoje a ansiedade em tirar a Carteira Nacional de Habilitação e naquela época a primeira renovação se daria somente aos 40 anos. Dos 18 anos até os 40 anos parecia uma eternidade. E lá se foram os 40, os 50 e agora os 60 anos.

Afinal o que significa este tempo cronológico? Como é ter um Estatuto do Idoso para oferecer benefícios que até então eu não tinha? Como será utilizar as vagas especiais, ser preferencial em vários serviços? Em algo que me inquieta: como é na prática envelhecer?

Vamos nos concentrar neste último tema: o que é na prática envelhecer. Penso que se o significado de envelhecimento não for traduzido em se tornar mais experiente perderá o sentido.

Adquirir experiência tem a ver com passar a fazer melhores escolhas. É não precisar usar a tentativa e erro, é evitar entrar em buracos e abismos, que já foram percorridos. Ser experiente é estar calejado no tocante aos ideais. Ao contrário de muitos que chegam na terceira idade, ser experiente é ter um olhar mais coletivo, menos individualista.

Ser experiente é não tolerar injustiça e tampouco devaneios de quem busca em seu próprio interesse cercear o direito dos outros. Ser experiente é praticar a visão 360 graus, analisando “fora da caixa” todas as possibilidades. A seletividade faz parte deste contexto.

A experiência também nos dá todas as condições de eventualmente falar “não” quando a relação custo/benefício é desfavorável. Ser experiente é valorizar a família, os poucos, mas fundamentais amigos. Ser experiente é olhar para trás e ter a consciência de que, boa parte do que sou agora, foi fruto de decisões que se não foram tomadas na plenitude da sabedoria, que ao menos me trouxe a um porto seguro.

A vida não foi e não é fácil. Momentos tristes, perdas, ganhos, frustrações, vitórias, derrotas, e mesmo nas derrotas uma coisa me orgulho em dizer: sempre caí em pé. Isso permitiu me dar impulso suficiente para tentar novamente. E cada derrota, a cada marca nestes 60 anos, um novo aprendizado.

E é assim que me vejo daqui para frente. Sei que o tempo de vida será menor do que o tempo já vivido, mas quero aproveitar cada instante para valorizar o fato de estar vivo, ficar mais próximo de minha esposa, filhas, enteados, enfim, de minha família e dos amigos, para celebrar na plenitude o dom da vida.

Mesmo com tantas coisas vividas e vivenciadas uma coisa eu tenho a certeza: é preciso aprender sempre, é preciso estar aberto ao novo, é preciso se reinventar constantemente.

Como dizem: envelhecer não é bom, mas a alternativa é pior, então que venham tantos anos quantos Deus permitir (e eu contribuir cuidando da saúde) e que sejam luz de aprendizado.

Refazendo a brincadeira inicial: 60 anos com corpinho de 50, ao menos me sinto assim! Viva a vida e que passe logo esta pandemia para abraçar todos que compartilharam digitalmente comigo a alegria de me sentir, mais do que um idoso, um homem experiente que ama intensamente todos que me cercam e tudo que faço! Está aí o depoimento do mais “novo” idoso do pedaço.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Quebra de paradigma

Quebra de paradigma

Muitos já devem ter ouvido falar que é preciso pensar “fora da caixa”, olhar as coisas e as organizações com outro olhar, até mesmo agregar valor a algo que historicamente se repete sem resultados adequados. Estamos falando de quebrar o paradigma, que neste contexto é seria fazer algo diferente do que vem sendo feito.

O cidadão brasileiro em boa parte é conservador. Normalmente afirma ter a posse de algo que efetivamente nunca lhe pertenceu. No âmbito do município indicar uma simples discussão para que a sociedade possa fazer sua escolha entre vários modelos de gestão passa a ser um tabu de tamanha grandeza que nos leva a refletir a quem efetivamente interessa tanta resistência.

Sem dúvida alguma uma classe política, que pretende se perpetuar no poder, falar por exemplo, em concessão do serviço público é algo proibido. Pensam assim: como posso perder o voto daquele servidor público, ou apoio daquele sindicato de empregados, se eu der sinal verde a uma discussão que pode ao final, demonstrar que o setor privado pode administrar uma atual empresa pública com mais eficiência e eficácia?

O mais fácil, muito ligado aos que gostam do populismo, é alisar em favor do pelo, mantendo o status quo, deixando de lado discussões que podem de alguma maneira “manchar” sua imagem de defensor da coisa pública.

Especificamente na questão da gestão do DAE, já foi dado início a um movimento que já decidiu por todos nós cidadãos pagadores de impostos: o DAE é nosso e ninguém pode sequer pensar em discutir um eventual novo modelo de gestão.

A chamada Frente Parlamentar municipal já começa indicando a que veio: amordaçar àqueles que com interesse coletivo, querem ao menos analisar três possibilidades: 1- Seguir com o modelo de gestão atual; 2- Propor, como parece indicar no novo Presidente do DAE, um novo modelo de gestão e 3- Análise do custo/benefício de uma eventual concessão. Qual é o problema de abrir o debate? Se a manutenção do DAE no modelo atual é tão boa, qual é o receio em debater? O cidadão está contente com os serviços do DAE ao ponto de já decretarmos que não é possível pensar “fora da caixa”?

Além da Frente Parlamentar Municipal indicar a falta de diálogo, ainda se utiliza dos recursos do pagador de impostos para levar em frente suas ideias. Confundem a Câmara Municipal, com seus partidos políticos.

Pergunto: qual cidadão, qual Entidade privada, pode utilizar a Assessoria de Imprensa, as instalações da Câmara Municipal, o suporte de uma rádio e uma TV para expor suas ideias? A frente sinaliza até que irá propor um encontro no pátio do DAE. Qualquer cidadão ou qualquer Entidade representativa pode utilizar as instalações do DAE para debates sobre seu futuro? Querem se posicionar como Frente Parlamentar, então utilizem os recursos de seus partidos, por sinal, também pagos pela sociedade. Ao menos se colocarão como independentes.

Na verdade, o País convive, e a cidade não é diferente, com uma escassez de lideranças. Na classe política então isso fica mais evidenciado. Com as perdas que o setor privado observou e observa devido a pandemia, com decisões impostas para isolamento, distanciamento social e até mesmo fechamento das atividades produtivas, o setor privado encolheu, e se manter “empregado” no setor público, passou a ser meio de vida. Assim, para se manter no poder, tudo é possível, até mesmo, criar um movimento utilizando a estrutura da Câmara e que tentar evitar o debate saudável. Já decidiram por todos nós.

Diante deste cenário não imaginem que Bauru será uma cidade cosmopolita, aberta, inovadora, eficiente, com atração de investimentos produtivos. Seremos sempre reféns de um passado em que mamar no setor público fazia algum sentido.

O mundo mudou e quem efetivamente pensa no futuro desta cidade tem que estar aberto ao novo. Quebrar paradigmas é um bom início para que as coisas efetivamente possam mudar.

Reforço a pergunta: qual o problema de a cidade discutir ao menos três opções para o futuro do DAE?

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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É preciso ter um setor público mais enxuto

É preciso ter um setor público mais enxuto

ÉNão se trata de ideologia e tampouco de oportunismo diante da inoperância do setor público, mas sim de a sociedade ter clareza no que efetivamente ela deseja dos gestores da coisa pública.

O setor público brasileiro é gigante, e subtrai dos agentes econômicos parcela significativa de sua renda. É importante deixar claro que o setor público se mantém a partir dos pagadores de impostos, portanto, quanto maior o tamanho do Estado, menos recursos ficam disponíveis para estes agentes econômicos.

No âmbito Federal a discussão é sobre a necessidade da reforma administrativa. Tornar as carreiras mais previsíveis, não conviver com servidores que, a luz da estabilidade, negligenciam em suas funções. Estamos falando de focar em produtividade, com prestação de serviços de qualidade para aqueles que financiam as atividades de Estado.

Isso vale para os âmbitos estadual e municipal. Fazendo um recorte em para Bauru, finalmente será colocada em discussão a redução da participação do setor público municipal no dia a dia das pessoas.

Discutir terceirização, concessão, privatização ou Parcerias Público Privadas, sempre foi tabu. São temas quase sempre deixado de lado, porque sempre tem prevalecido os interesses corporativos e acima de tudo um pré-conceito que trazer a iniciativa privada para perto do setor público envolve corrupção. Engano total.

A capacidade de investimento do município é quase zero e os problemas se avolumam. Mesmo contando com mais de 6 mil servidores municipais, se indagados, cada Secretário Municipal dirá que falta gente para executar as tarefas a contento.

Um simples corte de mato nas vias públicas não tem efetividade. A manutenção de cemitérios inexiste. A coleta de lixo é cara e ineficaz. A coleta, armazenamento e distribuição de água são falhos e não há no horizonte nada, eu disse nada, que aponte para uma gestão a contento na futura Estação de Tratamento de Esgoto.

Resumo da ópera: não há na estrutura do executivo recursos, tanto financeiros como humanos, que sejam capazes de atender as expectativas da população. Ao não enfrentar estas limitações, a cidade faz de conta que caminha para ter e oferecer qualidade de vida aos bauruenses.

Antes que alguém venha dizer: “o DAE é nosso!” ou “querem vender a cidade”, é preciso ao menos estar abertos a discutir o futuro de cada setor importante da administração pública. Qual é o problema em confrontar, por exemplo, a estrutura atual do DAE ou uma eventual reorganização mantendo a gestão pública, com outro modelo privado via concessão?

Discutir não quer dizer adotar. Isso vale para os serviços da Emdurb, entre eles o lixo. Também vale para a iluminação pública e até mesmo para parcerias que confronte o valor gasto em aluguel por parte da Prefeitura uma eventual parceria para construção de um centro administrativo.

Precisamos abrir a nossa mente e em vez de criticar a iniciativa em discutir estes temas, permitir que, com projetos claros e objetivos, com evidente relação de custo/benefício, a cidade, o cidadão, seus representantes, possam escolher o que é melhor ao município.

Somente pessoas e políticos que pensam em seus nichos e não no todo, que colocam suas ideologias acima do interesse coletivo, não querem debater. E o que é pior, muitos destes negacionistas no tocante a revisão do papel público na sociedade sempre preconizam que a participar popular é fundamental.

Ora, se isso é verdade, porque se furtar em analisar prós e contras das concessões, PPPs e outras formas que podem, depois longa análise, melhorar a qualidade de vida das pessoas?

É hora de uma discussão madura, aberta e desapaixonada de temas que afetam diretamente o dia a dia do cidadão. Finalmente teremos esta oportunidade, quebrando um tabu histórico na cidade.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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Taxa básica de juros em alta

Taxa básica de juros

Como era esperado, o Banco Central promoveu a primeira alta na taxa básica de juros no Brasil, depois de 6 anos. A taxa Selic, como é conhecida, saltou de 2% ao ano para 2,75% ao ano. Vale destacar que o mercado projetava alta máxima de 0,5 ponto percentual.

A ata do Comitê de Política Monetária indica que além da alta da reunião passada, na próxima reunião, em maio, poderá ocorrer nova elevação de 0,75 ponto percentual, elevando a taxa básica para 3,5% ao ano.

As incertezas tanto no campo fiscal, como na cotação do dólar e ainda pressão direta sobre preços, são os argumentos para elevar os juros no Brasil.

Na prática o Brasil até que tentou afrouxar a política monetária, mas a dinâmica da economia brasileira não dá trégua. A taxa básica em 2% ao ano com inflação acima de 5% ao ano, portanto operando com taxa de juros real negativa, gerou desequilíbrios em vários mercados entre eles o de bens e serviços além do mercando cambial. Em um mercado concentrado como é o brasileiro, tendo uma nova onda de casos e mortes por Covid-19, o afrouxamento da política monetária não traz efeitos positivos aos agentes econômicos.

A carestia na ponta é realidade. O cidadão comum, além de perder renda ainda vem perdendo poder aquisitivo. Os preços dos produtos básicos não param de subir e o que se observa é a precarização do consumo das famílias.

Evidentemente que juros mais altos inibe crescimento econômico mais acentuado, também torna mais caro o crédito, prejudicando os agentes deficitários, contudo, o mundo econômico é feito de escolhas. Há que se combater o pior para o grosso da população, e por este prisma segurar a escalada dos preços, ou seja, controlar a inflação passa a ser a prioridade.

Vale destacar que a inflação prejudica sempre mais fortemente os mais pobres. Sem condições de proteger seu poder aquisitivo, entregam cada vez mais recursos para consumir a mesma quantidade de produtos. O resultado é a substituição de bens normais por bens inferiores, passando longe dos bens supérfluos. Como colocado, o consumo é precarizado.

A constatação é que essa deve ser a dinâmica deste ano: juros mais altos, inflação pressionada operando acima da meta fixada de 3,75%, e a Autoridade Monetária agindo no sentido de garantir que o ano que vem a meta, que foi fixada em 3,5%, seja efetivamente cumprida, e para tanto, estabilizar os preços em 2021, passa ser a prioridade.

Como a Ciência Econômica lida com escassez e criou instrumentos de política macroeconômica para que os agentes econômicos façam suas escolhas, fica claro que a escolha da Autoridade Monetária já está em curso: taxa básica de juros seguirá em alta, mesmo que comprometa o crescimento econômico.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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É preciso eliminar os desequilíbrios econômicos

É preciso eliminar os desequilíbrios econômicos

É desejável que a economia de um País opere em equilíbrio. Quando este equilíbrio não é atingido é preciso utilizar na plenitude os instrumentos de política macroeconômica.

A pandemia de Covid-19 “bagunçou” a economia. Ofertantes e demandantes de produtos e serviços não conseguem encontrar o ponto que atenda os anseios de ambos. No ano passado a paradeira geral de alguns setores se contrastou com a retomada de outros.

O isolamento social, o auxílio emergencial, a desova dos estoques, a falta de reposição de produtos, o câmbio e tantos outros fatores geraram problemas sérios na economia brasileira.

Mesmo considerando todos os estudos (clássicos, neoclássicos, keynesiano, entre outros) de como uma economia pode operar em equilíbrio, o certo é que os vários “mercados” estão nivelados por baixo.

Um deles é mercado de trabalho, que mesmo com o bom e surpreendente resultado de janeiro em que o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) apontou geração líquida de 260.535 empregos, o desemprego e a informalidade estão na altura. Com isso o salário médio não passa dos R$ 1.700,00 mensais, o que indica a precarização do trabalho.

O outro mercado é o de bens e serviços. Observem a inflação. Ocorre alta nos preços, provocada tanto pelo lado da oferta como pelo lado da demanda.

O aumento nos preços veio, quer pela insuficiência de oferta bem como pela alta de custos (principal pelo efeito do dólar) e isso foi potencializado pelo aumento de demanda. Combinação perversa, preços médios nas alturas para o padrão atual de inflação brasileira.

O mercado cambial é outro que opera em níveis acima do razoável. Mesmo com câmbio flutuante, portanto, o equilíbrio é encontrado entre ofertantes e demandantes da moeda estrangeira, a leitura é que hoje a cotação do dólar está pelo menos 10% acima do que poderia ser considerado adequado.

Outro mercado que busca seu novo patamar de equilíbrio, é o monetário, confirmada pela necessária elevação na taxa de juros.

A tudo isso inclua-se o componente político, com possível nova polarização entre a direita e a esquerda, aí chegamos na situação perfeita para gerar cada vez mais incertezas, elevando o risco em investir no País.

A equipe econômica comandada pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, precisa utilizar na todos os instrumentos que a ciência econômica já consagrou, para sinalizar aos agentes econômicos que há um caminho a ser trilhado e que os desequilíbrios de curto prazo, serão equacionados.

O que está em jogo é a retomada firme do crescimento econômico, sendo que a pandemia e a falta de velocidade na vacinação da população não concorrem neste momento. É hora de agir na direção que indique a sustentação da economia no longo prazo.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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EDITAL DE CONVOCAÇÃO

edital

REUNIÃO ORDINÁRIA DO CONSELHO DELIBERATIVO

ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DE BAURU

Ficam convocados os componentes do Conselho Deliberativo da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB, em conformidade com o artigo 21, item II, letra a, de seu Estatuto, para reunião ordinária a ser realizada na sede social da entidade, Rua Bandeirantes 8-78, Centro, nesta cidade de Bauru, Estado de São Paulo, no dia 19 de março de 2021, às 8 horas, em primeira chamada e não havendo quórum regimental, em segunda chamada trinta minutos depois.

Pauta, conforme o artigo 21, Item II, letra a, a saber:

“Apreciação das demonstrações financeiras referente ao exercício anterior e, análise das contas da Diretoria”

Contamos com a presença de todos os Conselheiros.

Bauru-SP, 11 de março de 2021.

Benedito Luiz da Silva

Presidente do Conselho Deliberativo

O dinheiro público e os populistas

O dinheiro público e os populistas

Muita gente ficou sem entender a reação do “mercado” depois da decisão que tornou o ex-presidente Lula elegível (pelo menos por ora). A bolsa brasileira caiu, o dólar subiu, enfim, no dia da decisão do Ministro Fachin do Supremo, as coisas fugiram a normalidade.

Evidentemente que o “mercado” reage irracionalmente no momento que recebe a notícia e nos dias seguintes, já assimilando o que ocorreu, tende a gradativamente voltar à normalidade.

Quero aqui chamar a atenção para o pano de fundo desta reação que não afeta somente os grandes operadores do mercado e sim a maior parte dos agentes econômicos: o populismo.

Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT), sempre foi um político habilidoso, comunica diretamente com seu eleitor, e promete entregar ao seu público o que o povo mais simples deseja: promessa de resolver todos os problemas principalmente utilizando o dinheiro público.

Com viés estatizante, Lula e seus seguidores querem maior participação do Estado na economia. Ele até se rendeu em determinado momento de sua gestão ao neoliberalismo, mas agora, mais velho, mais empoderado, querendo efetivamente ser um contraponto à direita de Bolsonaro, tende, eu disse tende, a colocar as mangas de fora e, se eleito, colocar em prática sua ideologia e seu conceito de poder. Será mais Estado e menos o setor privado. Populismo puro.

Bolsonaro está sendo testado no poder. Casou com a pauta liberal de Paulo Guedes, mas em sua trajetória política sempre defendeu pautas do nicho que o elegeu para vários mandatos como Deputado, e ganhou notoriedade e até as eleições presidenciais por ser um contra o PT, consequentemente contra o Lula. Estava no lugar certo na hora certa e se valeu da falta de liderança dos demais candidatos à presidência. Foi eleito Presidente da República. É também um populista. Isso ficou evidente quando inicialmente até negava a necessidade de pagar o auxílio emergencial aos mais carentes que sofreram duramente os reflexos da pandemia, e depois, surfou no crescimento de sua popularidade, fazendo com que os idolatrados do passado via Bolsa Família, agora demonstrassem elevada admiração a quem passaram a chamar de mito. Isso sem falar da pauta de costumes.

Ambos apresentam riscos a condução da política econômica brasileira. No caso do Bolsonaro isso está ligado a tentação de abrir os cofres para se contrapor a um eventual crescimento da candidatura de Lula.  O Petista, pelo seu histórico, e pelo empoderamento que poderá ter se for novamente eleito para ser Presidente do País, tenderá a trabalhar para um novo rumo ao sistema econômico vigente, mais voltado ao socialismo. Nos dois casos perdem todos.

Os mais necessitados podem até ter algum tipo de alívio no curto prazo, mas caso ocorram aventuras fiscais, perderão muito no médio e longo prazo devido ao desequilíbrio da economia, gerando incertezas de toda ordem, com possibilidade de descontrole inflacionário, necessidade de elevar a taxa de juros, convivendo com câmbio nervoso e o crescimento econômico sustentável será mais uma vez adiado. Consequências sociais no horizonte.

Sem dúvida o País vive um momento delicado, e o que é pior, com insegurança jurídica que somente retarda o equacionamento dos graves problemas do País. Se novamente tivermos um embate entre Lulistas e Bolsonaristas, o chamado Fla-Flu, espera-se que surja alguma liderança, que seja uma alternativa para fugirmos do populismo. Não será tarefa fácil à medida que pautas reformistas dificilmente elegem políticos, mas não é possível aceitar passivamente aventuras políticas.

Apesar desta leitura ainda há esperança no ar: uma delas é a mudança no entendimento na Suprema Corte no tocante ao a decisão de Fachin. A segunda, caso se isso não ocorra, é torcer para que os processos que condenaram Lula não voltem à estaca zero, e por último, o que seria mais fácil, Bolsonaro não se render à tentação de abrir deliberadamente os cofres públicos visando sua reeleição. Que tempos difíceis!

Em 2020 a economia encolheu 4,1% e este ano?

Em 2020 a economia encolheu 4,1% e este ano?

Dados divulgados pelo IBGE deu a dimensão das consequências da pandemia de Covid-19: a economia teve queda real, acima de inflação, de 4,1% em 2020. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foi de R$ 7,4 trilhões e o PIB por pessoa ficou 4,8% menor em 2020 atingindo R$ 35.172,00.

Analisando o PIB pelo lado da oferta somente o setor primário (agropecuária) da economia fechou no azul: + 2,0%, enquanto o setor secundário (indústria) apresentou queda de 3,5% e o setor terciário (comércio e serviços) despencou 4,5%. Todos os dados comparados com 2019.

Quando a análise é pelo lado da demanda temos: Consumo das Famílias negativo em 5,5%; Investimentos com queda de 0,8%; os Gastos do Governo foram de (-) 4,7%; as Exportações caíram 1,8% e as Importações despencaram 10,0%. No caso do Consumo das Famílias foi o pior desempenho em 24 anos.

O resumo destes números é o seguinte: não foi tão ruim como as projeções de início de pandemia (há um ano), posto que o segundo semestre foi positivo, porém, na média estamos mais pobres.

Isso posto vem a pergunta que não quer calar: e este ano? Não obstante os operadores do mercado, via Boletim Focus, apontarem para crescimento econômico acima de 3% (no último Boletim a projeção foi de 3,29%), os desafios não são poucos.

Com o agravamento da pandemia, com o abre e fecha das atividades econômicas, convivendo com elevado nível de desemprego, e sem vacinação em massa, no curto prazo, ou seja, neste primeiro trimestre, podendo se estender para o segundo trimestre, não dá para ter otimismo quanto ao desempenho econômico do Brasil.

Para agravar ainda mais a situação o País vive em ambiente de muitas incertezas, elevando risco em investir aqui. As reformas estruturais ainda patinam. As contradições do governo Bolsonaro no tocante à pauta liberal geram mais incertezas. Há dúvidas quanto a capacidade de o governo em segurar o endividamento público.

A inflação dá sinais de alta, o nervosismo se instalou no mercado e elevar a taxa de juros básica passou a ser inevitável. E se tudo isso não bastasse, temos total falta de sintonia dos governantes e os profissionais de saúde na condução das ações para combater a pandemia de covid-19, com nítidos embates políticos, que vão no sentido contrário de salvar vidas e a economia. E para não faltar emoção, as articulações visando as eleições presidenciais para o ano que vem já ganham importantes contornos.

Aos agentes econômicos resta exigir, isso mesmo, exigir, que o setor púbico e em especial a classe política faça a lição de casa, harmonizando no que for possível, dando velocidade na pauta estruturante, ofertando mais vacinas e acima de tudo praticando o senso coletivo.

Fora isso é viver cada dia contornando o que for possível, apertando onde der, fazendo mais com menos, enfim sobrevivendo, à espera de que as coisas melhorem.

Mesmo considerando que o tombo da economia o ano passado poderia ter sido pior, o que interessa para todos nós é como vamos driblar os desafios atuais, tanto como empreendedores, como trabalhadores. Novamente o brasileiro será testado em sua capacidade de girar vários pratos ao mesmo tempo. É no mínimo cansativo tudo isso.

Reinado Cafeo é economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru – ACIB.

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